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You And I

22
Jul19

You And I - Capítulo 35


JustAnOrdinaryGirl

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- Vais continuar a agir assim durante muito tempo? - Edward perguntou a Laura, ao pequeno-almoço, no dia seguinte. Tinha a sensação de que, ultimamente, dizia isto muitas vezes à filha. Desde o dia anterior que Laura mal abria a boca. Depois de o irmão sair, tinha-se fechado no quarto, sem dizer uma palavra. Sabia que, se tivesse continuado na sala, só iria piorar as coisas. Não o fez por ela, fê-lo pelo irmão, que já estava a sofrer demasiado com aquilo. 

- Acho que não queres ouvir o que tenho para dizer... - Laura apenas disse, continuando a fazer um esforço para comer os cereais que tinha à frente

- Se for para me dizeres que o que se passou ontem não passou de uma brincadeira de muito mau gosto, até agradeço ouvir o que tens para me dizer - Edward disse, só piorando as coisas

- É incrível... - Laura disse, estupefacta

- O que é que é incrível? - O pai perguntou, confuso com o comentário

- Tu! Ou te convences que o Leo é homossexual e ages como se não tivesses um filho ou então anseias para que tudo não passe de uma brincadeira - a rapariga começou a explicar - Já paraste para pensar no que realmente importa? - perguntou. Estava pronta a dizer tudo o que tinha guardado desde a noite anterior

- E, de acordo contigo, o que é que realmente importa? - Edward quis saber

- Importa o Leo e o que ele está a sentir! - disse - Ele ontem precisava de ajuda e de conselhos. Precisava do pai e da mãe. - Laura evitou que as lágrimas surgissem, fazendo uma pausa - Tu assumiste logo que ele é gay e isso toldou-te os pensamentos - acrescentou

- E não é isso que ele é? Porque tendo em conta as mensagens que eu li...

- O Leo está a tentar entender o que sente! - Laura contou - É verdade que se passou alguma coisa entre ele e o Nick, o que deixou o mano confuso. Mas isso não quer dizer nada. Ele está confuso e precisava de ajuda, não de ser expulso de casa. Precisava que te sentasses com ele e que conversasses com ele. Que lhe dissesses que tudo se iria resolver, que ele ia compreender o que sente, mesmo que demorasse. E, acima de tudo, precisava que lhe dissesses que estarias ao lado dele, independentemente do que ele sentisse - Laura desabafou - Mas claro que esses teus preconceitos, essas tuas ideias tinham de ser superiores a tudo! Acho que está na altura de pensares um pouco nas coisas, pai! - Laura viu que o pai tinha ficado a pensar no que ela acabava de dizer, mas não foi capaz de responder à filha - Eu espero por vocês lá fora - avisou e saiu da mesa. Quando Theresa entrou na cozinha e perguntou o que se passara, Edward não disse nada. 

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Edward parou o carro no sítio do costume, à hora do costume. Laura saiu com um simples "até logo". Assim que saiu do carro, avistou o irmão e Nick aproximarem-se do portão da escola.

- Leo! - Laura gritou, chamando a atenção não só de Leo e Nick mas também dos outros alunos ali presentes. Abriu caminho por entre as várias pessoas e correu para os braços do irmão. Abraçou-o com toda a força que tinha, rodeando a cintura dele com as pernas. - Como é que estás? - perguntou quando voltou a pôr os pés no chão

- Vocês precisam de falar, eu vou ali ter com o Alex - Nick disse. Antes de ir, deu um beijo na bochecha de Laura e fez uma pequena carícia no ombro de Leo. Ainda no mesmo sítio, dentro do carro, Edward e Theresa assistiram a tudo. Aquele toque de Nick em Leo foi o que Edward precisava para arrancar dali, furioso. 

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- Bom dia! - Nick cumprimentou Alex - Acompanhas-me num café? - convidou. Em vez de entrarem na escola, e como ainda faltava algum tempo para o toque, optaram por ir antes ao café em frente à escola. Sentaram-se numa mesa e depois de serem atendidos, Alex decidiu perguntar o que se passava. Tinha assistido à cena de Laura a correr para Leo e vira a forma como os pais deles tinham arrancado dali, claramente chateados com algo. Nick decidiu contar o que se passara, especialmente porque Laura iria precisar do apoio de Alex, não de continuar afastada dele. - Acho que devias falar com ela, Alex! - Nick aconselhou, apesar de não ser preciso, porque era mesmo isso que ele estava a pensar fazer.

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- Como é que estás, mano? - Laura perguntou. Tinha ido com o irmão para um dos espaços ao ar livre da escola. Estavam os dois sentados, lado a lado. 

- Nem sei que te diga, mana... - Leo disse - Fiquei mesmo magoado com a forma como as coisas correram ontem. Achei que... Eu sei que o pai é preconceituoso e homofóbico, mas pensei que nesta situação ele conseguisse ser diferente. Que conseguisse dar-me mais importância a mim e aos meus sentimentos e fosse capaz de afastar aquelas ideias que ele tem - Leo desabafou - Acho que é isso que me custa mais, não o facto de ele ter descoberto. Porque sinceramente, mais vale dscobrir agora do que mais tarde - explicou - E como estão as coisas lá em casa? - quis saber

- Como de costume... - Laura disse, encolhendo os ombros - O pai acha que é o dono da razão e a mãe acaba por concordar com ele. Acham que cometeste um erro gravíssimo... O costume! - contou - Falei com o pai esta manhã, mas não adianta de nada. Acho que ele nunca vai mudar... - lamentou

- Lamento que assim seja, sabes? Gostava mesmo de ter os pais para poder falar ou só mesmo saber que eles iam estar lá e entender. Tal como aconteceu com os pais do Nick... - Leo disse, triste por viver numa realidade familiar tão diferente da de Nick - E desculpa ter-te deixado...

- Não peças desculpa, Leo! - Laura disse - Não tens culpa de nada. Se há alguém que nos deve um pedido desculpa são os pais, especialmente a ti... - disse - E vais ficar com o Nick? 

- Por enquanto sim - Leo confirmou - Os pais deles foram mesmo fixes em deixar-me ficar. Além disso, a outra opção era ficar em casa do Tim, mas não me parece que, dadas as circunstâncias, ele fosse aceitar muito bem - desabafou

- Achas que ele também se vai passar ou achas que finalmente vai mostrar que pode ser um bom amigo? - Laura perguntou. Conhecendo Tim, tinha quase a certeza que seria a primeira hipótese. Pela cara de Leo, Laura percebeu que ele também pensava o mesmo que ela. - Tive tanta vontade de sair atrás de ti! - Laura confessou - Viver ali... Parece que não posso ser eu, sabes? Parece que nada está bem, que qualquer coisa que façamos vai ser criticada ou proibida. - desabafou, sentindo-se triste por aquela ser a sua realidade. - Gostava tanto que as coisas fossem diferentes, Leo!

- Infelizmente, acho que isso só vai acontecer quando eu decidir que quero uma mulher e quando tu apresentares aos pais um namorado que não seja de etnia cigana! - Leo disse, meio irónico. Infelizmente essa era a verdade e ambos sabiam isso. 

- Parece que vamos ter de continuar assim, não é? - Laura perguntou, não esperando qualquer tipo de resposta. A campainha tocou nesse momento e Leo levantou-se, estendendo o braço à irmã - Vou ficar aqui mais um pouco, já entro - disse. O irmão sorriu e aceitou a decisão dela. Naquele momento, também não estava com grande vontade de ir às aulas. Deixou a irmã, ali sentada, a vê-lo ir embora. 

***** ***** ***** ***** *****

Depois de Leo a deixar, Laura puxou os joelhos para si e pousou a cabeça neles. Agora não adiantava tentar travar as lágrimas, Leo já não estava ali, podia finalmente desabafar. Se não o fizesse sabia que ia voltar a explodir, tal como na noite passada, em vez de dormir.  Deixou as lágrimas correr à vontade, evitando apenas soluçar para que ninguém a ouvisse. Ouviu o segundo toque da campainha, mas não quis saber. As aulas eram a última das suas preocupações naquele momento. De repente, sentiu a presença de alguém a seu lado, alguém que se sentou e permaneceu calado. Não foi preciso muito para saber de quem se tratava. Era a única pessoa que ela precisava naquele momento. Laura não levantou o rosto, mas permitiu que Alex a puxasse para si e a abraçasse. Continuava a chorar e ele deixou que ela o fizesse. Ela precisava daquilo: do abraço e das lágrimas. Só assim poderia sentir-se melhor. 

- Porque é que as coisas têm de ser assim? - Laura perguntou quando conseguiu falar

- Lamento que as coisas tenham chegado a este ponto, Laura - Alex disse e ela percebeu que alguém, provavelmente Nick, lhe contara o que tinha acontecido. Percebeu também que tinha saudades da sensação de ouvir o seu nome dito por ele - Eu sei que pode ser uma pergunta parva, mas como é que te sentes? - quis saber. Doía-lhe o coração só de a ver naquele estado e não poder fazer nada

- Desfeita... - Laura apenas disse. Alex suspirou e, num impulso, tomou uma decisão. Levantou-se e estendeu-lhe uma mão

- Anda comigo - pediu, sorrindo ligeiramente

- Onde? - Laura perguntou, limpando a cara com as mãos 

- Vamos sair daqui, vamos recarregar as baterias - Alex disse-lhe, abrindo mais um sorriso

- Não quero deixar o meu irmão...

- O Leo agora está nas aulas, e além disso ele está com o Nick, o que significa que está bem - O rapaz tentou convencê-la e sorriu ao ver que ela aceitou a sua mão e se levantou. Sem lhe largar a mão, Alex conduziu-a até fora da escola e depois até ao sítio onde tinha o carro. Ajudou-a a entrar e seguiu depois viagem sem dizer nada. Sabia exatamente onde levá-la e tinha esperança que aquele passeio a ajudasse nem que fosse apenas um bocadinho. Quando se aproximaram do destino, Alex reparou no sorriso de Laura. Era um sorriso quase invisível, mas estava lá, e só isso já valia a pena a viagem até ali. 

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Boa tarde! Como estão? Aqui fica mais um capítulo e eu espero que gostem :) A Laura e o Leo estão mesmo numa situação familiar complicada e só o Nick e o Alex os podem ajudar. Acham que este momento da Laura e do Alex vai correr bem? Deixem aqui as vossas opiniões e obrigada a todos os que têm acompanhado. Fiquem bem e até ao próximo capítulo :)