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You And I

18
Jun17

"Amnesia" - Capítulo 9


JustAnOrdinaryGirl

Quando chegou a casa, Clark sentiu um agradável cheiro no ar. Espreitou para a cozinha e deparou-se com April, de aventa, a pôr a mesa. Assim que o viu, a jovem sorriu-lhe e pegou num tabuleiro com comida, mostrando-lho.

- Usei algumas coisas que tinha no frigorífico – começou, pousando o tabuleiro na mesa – E também aquele livro de receitas – apontou – Espero que esteja comestível

- Tenho a certeza que esta ótimo – descansou-a, sentando-se logo de seguida. Clark serviu-se e serviu April. O médico levou uma garfada à boca enquanto a rapariga o olhava, expectante, à espera do veredicto – Podes estar descansada, está ótimo – elogiou

- Tem a certeza? – April perguntou, surpreendida – Parece que a amnesia pelo menos não me tirou os dotes culinários – brincou e Clark reparou que tinha um sorriso triste – Mas enquanto cozinhava tive outras memórias. Do meu trabalho no café, das refeições na instituição – contou

- Com o tempo vais lembrar-te de tudo – ele encorajou, fixando o olhar dela. April não desviou o olhar e por uns segundos permaneceram assim – Água? – Clark perguntou, quebrando aquele momento

Depois de almoçarem, Clark e April lavaram a loiça e arrumaram a cozinha. No final de feitas essas tarefas, ambos se sentaram no sofá da sala, viram um programa que estava a passar na televisão e o dono da casa aproveitou para falar um pouco sobre a zona onde moravam, incluindo a localização do supermercado, de um ou outro café, da farmácia.

- Tenho de ir trabalhar – Clark disse de repente – Vou fazer o turno das quatro à meia-noite, por isso vais ficar algum tempo sozinha. – Acrescentou

- Não se preocupe – April sorriu – Além disso, acho que vou sair para procurar um emprego. As contas não se vão pagar sozinhas, não é? – A jovem levantou-se e ajeitou a camisola. Clark seguiu-lhe o exemplo e também se levantou

- Tudo bem, mas leva um papel com o meu número de telemóvel e se acontecer alguma coisa não hesites em telefonar, ok? – O médico disse, preocupado

- Está combinado, doutor! – A jovem deu mais ênfase a esta última palavra – Se acontecer alguma coisa eu chamo um táxi e vou ter consigo ao hospital, fique descansado – disse-lhe, fazendo-o acenar com a cabeça

- Desculpa, não me quero de todo armar em teu pai mas saíste hoje do hospital e além disso não te recordas de algumas coisas – justificou a sua preocupação

- Eu percebo e agradeço, a sério que sim – April disse, sincera. Ele mal a conhecia mas provavelmente já teria feito muito mais por ela do que muita gente. Como os pais, que a deixaram numa instituição com desconhecidos – Eu volto cedo para casa, vou apenas procurar aqui na zona por enquanto – acrescentou

- Espero que tenhas sorte com essa procura – Clark sorriu-lhe, dirigindo-se depois ao móvel que estava ao lado da porta de entrada – Leva isto, são as chaves de casa – disse e atirou-lhe um porta-chaves – Até logo – acabou por se despedir, pegando nos seus pertences, e saiu de casa. April ficou a ver a porta fechar-se. Dirigiu-se depois à cozinha e encheu um copo com água. Enquanto bebia pensou em possíveis locais para procurar emprego. Talvez um café já que pelo menos tinha experiência. Mas não se lembrava de tudo. Aliás, teria de dizer que estava amnésica quando falasse com as pessoas? Decidiu afastar as perguntas e dirigiu-se à casa de banho com a ideia de tomar um duche antes de sair de casa.

- Boa – disse para si mesma quando entrou na divisão – Não tenho gel de banho, nem champô… nem outra roupa além desta – constatou, olhando para si, e bufou – Paciência, esta vai ter de servir – Procurou pela divisão até encontrar produtos para o banho, tirou as roupas, colocando-as longe do chuveiro para impedir que se molhassem, e entrou no duche, ligando o chuveiro e deixando a água cair sobre si. Permaneceu assim durante alguns minutos, em parte esperando recuperar mais algumas memórias, ver algumas imagens na sua mente, mas isso não aconteceu. Terminou o duche, limpou-se e vestiu novamente as suas roupas. Penteou os longos cabelos loiros com os dedos, vendo formarem-se algumas ondas. Espreitou por entre os produtos de Clark, procurando algum desodorizante mas tinha tudo um cheiro muito forte e masculino. Reparou que ainda tinha algumas olheiras mas não tinha nada que as pudesse disfarçar e teria de ir assim mesmo. Saiu da casa de banho, pegou nas chaves que Clark lhe dera, no papel com o número de telefone dele e saiu de casa. Entrou em vários cafés, num restaurante, no supermercado e nalgumas lojas ali perto. A maioria não estava à procura de novos empregados mas o dono de um dos cafés fez-lhe algumas perguntas, uma espécie de entrevista, e disse que entraria em contacto com ela. April deixou o número da agora sua casa e despediu-se com um sorriso e um “obrigada”. Antes de ir para casa, a jovem aproveitou para passear um pouco para se familiarizar um pouco com a zona onde estava a morar. Durante a sua caminhada, ao longe, pareceu avistar-lhe uma cara conhecida, pareceu-lhe John, o rapaz que dizia ser da sua família e que a visitara no hospital. Antes que ele a visse, April mudou de direção e voltou para casa.

Estava sozinha em casa e assim iria continuar. Fez alguma coisa rápida para comer, arrumou a cozinha e sentou-se no sofá, acabando por adormecer a ver um filme qualquer. Acordou algum tempo depois, cheia de calor, transpirada e assustada. Olhou em volta para perceber onde estava. Felizmente estava num sítio seguro e a cena que acabara de ver, um rapaz a ser espancado por outros dois num beco, tinha sido apenas um sonho. Mas o problema é que aquilo não parecia apenas um sonho. April sentia que aquilo era mais que isso. Mas o quê? Seria uma das suas memórias? Mas era tão violento. Levantou-se do sofá e passou a cara por água na casa de banho. Agora só queria dormir, ou tentar, e esquecer aquele sonho ou lá o que tivesse sido. Lembrou-se de repente que nem um pijama tinha. Bufou e andou pela casa até encontrar o lugar onde Clark guardava a roupa que estava “em espera” para ser passada a ferro. Acabou por encontrar e tirou de lá uma t-shirt que lhe pareceu ser ótima para dormir. Oxalá Clark não se importe, pensou. Foi para o agora seu quarto, trocou de roupa e enfiou-se na cama. April fechou os olhos e tentou dormir. Felizmente conseguiu mas os sonhos continuaram a ser marcados por imagens que ela não consegui distinguir quais eram memórias e quais eram apenas fruto da sua imaginação. Deu voltas e voltas na cama e apenas de madrugada conseguiu acalmar e finalmente dormir em condições.

April ainda estava a dormir quando ouviu a campainha. O seu primeiro pensamento foi que provavelmente Clark se tinha esquecido da chave. Mas depois, quando abriu os olhos, percebeu que já era de manhã e percebeu, ao olhar para o relógio na mesa-de-cabeceira, que já eram quase 10 horas o que significava que deveria ser outra pessoa. A campainha continuava a tocar e a rapariga acabou por se levantar. Puxou a camisola para baixo para se tapar mais e apanhou o cabelo num rabo-de-cavalo enquanto se dirigia à porta. Abriu e deu de caras com uma cara conhecida.

- Bom dia, doutora Mia – A rapariga cumprimentou com um sorriso

- Olá April – a médica cumprimentou, olhando a rapariga – Eu queria falar com o Clark, ele está? – Perguntou

-Ele ainda está a dormir – April informou, levando Mia a olhar para a t-shirt que a mais nova estava a usar

- Ok… estou a ver – Mia disse e April ergueu as sobrancelhas, confusa de início, mas percebendo depois qual a ideia que estava a passar pela cabeça da médica

- Doutora Mia, eu e…

- Eu falo com ele depois – Mia interrompeu-a – Até depois – despediu-se e saiu. April ainda murmurou um “até depois” mas a outra já não ouviu. A loira fechou a porta e começou a andar em direção à cozinha, a rir pelo que acabara de acontecer.

- Acordas sempre tão bem disposta? – Clark falou e April parou, ligeiramente assustada, por não ter dado conta dele ter entrado na cozinha – Desculpa, não te queria assustar. Mas diz lá o que é que te deixou assim tão sorridente – Clark pediu, curioso

- Não foi bem o quê foi mais quem – Ela disse e o médico ergueu uma sobrancelha – A doutora Mia esteve aqui à sua procura e acho que ela ficou a pensar que nós os dois tínhamos dormido juntos – explicou sem rodeios, deixando Clark sem saber o que dizer e um pouco encavacado – Eu disse-lhe que você ainda estava a dormir e ela viu-me com a sua camisola – justificou o que levara Mia a ter aquele pensamento – Ela ficou cheia de ciúmes – acrescentou – O que me leva a pensar… vocês foram namorados ou assim?

- Não namoramos mas… bom, estivemos juntos na altura da faculdade – Clark explicou – Mas ela não estava com ciúmes, não há motivos para isso – disse por fim – Mas já agora, porque é que tens a minha camisola vestida?

- Eu não tinha um pijama e encontrei esta no cesto da roupa para passar – justificou-se – Desculpe, não devia ter mexido sem autorização – desculpou-se, sentando-se à mesa onde entretanto Clark já começara a pôr algumas coisas para o pequeno-almoço

- Não, fizeste bem – Clark disse, fazendo-a sorrir

- O único problema é que agora a sua amiga ficou com ciúmes – April disse, um pouco para o provocar porque o vira corar ainda há momentos quando falaram do assunto

- A Mia não tem ciúmes, o que se passou entre nós já lá vai e agora somos apenas bons amigos

- Se você o diz – April acrescentou, reprimindo um riso – Esta noite tive um pesadelo – disse, mudando de assunto

- Queres falar disso? – O médico perguntou e April acenou, começando a contar o sonho que parecia tão real

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Boa tarde! Como estão? Trago-vos mais um capítulo de Amnesia e espero muito que vocês gostem :) Este é assim mais simples, apesar de algumas coisas que acontecem lá pelo meio, como a situação com a Mia e também aquele sonho da April. Deixem as vossas opiniões aqui nos comentários e muito obrigada por estarem a acompanhar :) Fiquem bem e até ao próximo capítulo!

 

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