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You And I

11
Jun17

"Amnesia" - Capítulo 8


JustAnOrdinaryGirl

- O quê?! – Mia olhava para Clark, sentado à sua frente no bar do hospital – Tu convidaste a April para morar contigo? – Perguntou, ainda surpreendida, sem acreditar bem no que o amigo lhe dissera ainda há uns minutos

- Não é exatamente convidá-la para morar comigo – Clark retirou a importância ao assunto – Eu tenho um quarto para alugar, lembras-te? E além disso a April precisa de um sítio onde ficar – acrescentou

- Ou seja convidaste-a para viver contigo – A morena disse, levando o copo de café à boca

- Sim, como queiras – o médico encolheu os ombros – O que importa é que ela aceitou e agora vai ter um sítio para ficar pelo menos até recuperar as memórias – terminou de beber o seu café

- E não vais ter complicações com a polícia por estares a deixá-la ficar em tua casa? – A médica perguntou, preocupada – Ela está a ser ouvida numa investigação – explicou a sua pergunta

- A April está a ser interrogada porque esteve envolvida num acidente, não porque cometeu um crime, Mia – Clark tentou descansar a amiga – Não tens de te preocupar, estou apenas a alugar um quarto – sorriu-lhe

- É claro que me preocupo, és meu amigo – Mia disse-lhe – Eu sei que tu sempre foste preocupado com toda a gente, que és sempre dedicado aos teus doentes mas com a April parece diferente – começou, fazendo Clark olhá-la um pouco confuso – Tu gostas dela? – Acabou por perguntar

- Não no sentido em que estás a perguntar, Mia – ele disse de imediato, afastando qualquer pensamento nessa direção por parte de Mia – A April não tem ninguém, não se lembra de metade das coisas, não sabe quem era e eu quero ajudá-la. É disso que ela precisa – explicou

- Tal como disseste, ela não sabe quem era Clark – Mia chamou-o à atenção – E se quando se lembrar houver alguma coisa que… sei lá… seja complicada, te possa pôr em sarilhos? – Notava-se a preocupação no seu tom de voz

- Como por exemplo? – Clark perguntou e quando Mia apenas encolheu os ombros prosseguiu – Enquanto eu puder ajudá-la é isso que vou fazer. A April precisa de uma casa, precisa de alguma ajuda e é o mínimo que eu posso fazer

- Isso vai muito além das tuas funções de médico – Mia lembrou-o – Tens de ter cuidado, ela é apenas uma miúda – acrescentou

- Mia, não se passa nada entre mim e a April, eu apenas a estou a ajudar uma pessoa que precisa – repetiu – E ela já tem 18 anos – acrescentou, vendo que Mia o olhou com uma sobrancelha arqueada – Espera lá, tu estás com ciúmes? – Perguntou apenas para a provocar

- Não sejas parvo, Clark – Mia atirou-lhe com o pacote de açúcar – Estou preocupada, não com ciúmes

- Mas não tens motivos para preocupações. Assim que a April recuperar todas as memórias e assim que estiver em condições ela vai poder voltar à sua vida – descansou-a e Mia acabou por lhe sorrir.

Depois de mais alguns minutos de conversa ambos se dirigiram para os locais onde eram necessários: Clark foi para uma cirurgia e Mia foi atender alguns pacientes.

 

O dia seguinte chegou com sol e uma temperatura bastante agradável. Clark, que tinha feito o turno da noite, entrou no hospital e dirigiu-se ao quarto de April. A jovem tinha passado a tarde anterior a fazer alguns exames e quando o médico entrou no quarto encontrou-a de pé. April já não vestia a roupa de hospital que a acompanhara ao longo dos últimos quatro meses mas sim umas calças de ganga, um top branco e umas all star. A rapariga estava a vestir um casaco quando reparou que Clark tinha chegado.

- Uma enfermeira trouxe-me umas roupas – disse, olhando para o que tinha vestido – Aparentemente as que eu trouxe para cá não estavam em grande estado – encolheu os ombros – É a primeira vez que o vejo sem aquela bata branca – reparou

- Hoje não estou aqui como médico, vim apenas buscar-te – informou-a, deixando-a sem saber bem o que dizer – Vou levar-te a casa, mostrar-te o quarto e venho trabalhar no turno da tarde – informou-a e ela assentiu – Vamos embora? – Ela assentiu novamente, saindo do quarto sem olhar para trás

April seguiu atrás de Clark até chegarem ao parque de estacionamento do hospital. O médico tinha deixado o carro perto da entrada. Quando April colocou a sua mão na porta do carro, para o abrir, algumas imagens apareceram na sua mente.

- Estás bem? – Clark perguntou, percebendo que alguma coisa tinha acontecido

- Quando toquei no carro vi-me dentro de um carro, numa estrada, mas mais nada – apenas disse, olhando para ele

- Certas coisas vão fazer-te lembrar de outras, é normal – ele disse-lhe – Eu sei que agora já não vais estar no hospital mas eu continuo a ser médico e sempre que sentires alguma coisa quero que fales comigo, sim?

- Combinado – disse, agora mais recomposta, e ambos entraram no carro. Assim que ele arrancou e entraram na estrada, April abriu a janela e colocou a cabeça de fora. Era bom ver o céu, as árvores, sentir o sol a bater-lhe na cara, sentir o cheiro da rua, ouvir os barulhos dos carros, das pessoas, ver as pessoas na rua a viver o seu dia-a-dia. Era bom estar ali e, pela primeira vez desde que acordara do coma, sentiu-se realmente feliz, viva. Clark olhou para ela de lado e sorriu ao vê-la assim. Afinal, ele também tinha ajudado a que a saída dela daquele estado fosse possível. A loira olhou para ele de repente e sorriu-lhe. Depois voltou a meter a cabeça de fora e continuou assim o resto da curta viagem.

Quando chegaram ao apartamento, Clark abriu a porta e indicou a April que entrasse. A rapariga olhou à sua volta, observando o que a rodeava. Era uma casa pequena mas tinha um ar acolhedor, confortável. Clark explicou-lhe onde ficava cada divisão e depois indicou-lhe aquele que seria o seu novo quarto. Era um espaço com paredes brancas, com uma janela e com a normal mobília de quarto.

- Que achas? – Clark perguntou, despertando April, que observava o quarto com atenção

- Parece-me perfeito – A rapariga disse, sentando-se em cima da cama – E bastante confortável – acrescentou

- O único problema é que não tem casa de banho privada, vamos ter de partilhar – Clark disse, rindo ligeiramente

- Não se preocupe, doutor, havemos de conseguir resolver esse problema – riu de volta

- Outra coisa. Agora que moras aqui eu passo a ser teu colega de casa, senhorio – começou – Portanto acho que podemos deixar o doutor de lado, ok? Basta Clark – sugeriu

- Ok… Clark – a rapariga sorriu e levantou-se, aproximando-se da janela para ver a vista. Sentiu que ele olhava para ela e voltou-se, caminhando na direção dele. – Obrigada pelo que está a fazer por mim. Não é sua obrigação e quero que saiba que lhe estou muito grata – sorriu. Sem que Clark estivesse à espera, e sem ela própria ter pensado antes de agir, a rapariga eliminou a distância entre os dois e abraçou-o. Ele acabou por retribuir o abraço e ela enterrou-lhe a cabeça no peito. Podia não lembrar-se de muitas coisas mas sabia perfeitamente como era bom ser abraçada por alguém que se preocupava com ela. Foi ela quem acabou por se afastar não querendo ultrapassar limites.

- Não tens de me agradecer, April – ele disse-lhe olhando para ela e percebendo que a rapariga estava ligeiramente corada – Eu agora vou ter de passar em casa de um paciente que não pode ir ao hospital mas quero que fiques à vontade. Podes tomar um banho, descansar, servir-te do que quiseres na cozinha, usar a sala, como quiseres – informou – Eu trago alguma coisa feita para o almoço – acrescentou e saiu do quarto, com April atrás de si

- Eu posso cozinhar qualquer coisa – a loira sugeriu fazendo Clark erguer uma sobrancelha – Eu sei que ainda não recuperei as minhas memórias mas acho que devo saber fazer alguma coisa – disse-lhe – Posso tentar pelo menos. A não ser que tenha medo que eu pegue fogo à casa – brincou fazendo o médico arregalar os olhos e ela riu-se

- Como te disse, podes ficar a vontade – acabou por dizer – Se precisares de alguma coisa, o meu número de telemóvel está ao lado do telefone, na sala – informou e depois despediu-se com um simples “até logo”. April viu-o fechar a porta e depois voltou a olhar em volta. Aquele seria o início de uma vida nova, uma vida depois de quase ter morrido. Respirou fundo e sorriu, sentindo-se feliz ali, apesar de tudo, apesar de todas as coisas tristes de que se lembrara: a falta de uma família, de uma casa, a morte do namorado. Tentou afastar aqueles pensamentos e dirigiu-se à cozinha onde tentou preparar alguma coisa que pudessem almoçar quando Clark regressasse.

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Boa tarde! Como estão? Aqui fica mais um capítulo que é basicamente a saída da April do hospital e a sua mudança para a casa de Clark. E a reação da Mia. Espero que tenham gostado :) Deixem aqui as vossas opiniões sobre o capítulo e o que acham que vai acontecer. Obrigada a quem tem acompanhado. Fiquem bem e até ao próximo capítulo :)

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