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You And I

18
Ago18

Amnesia - Capítulo 50


JustAnOrdinaryGirl

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- Como é que foste capaz, Adrian? – John perguntou depois de alguns minutos de silêncio na sala. John tinha pedido para falar a sós com o irmão mais velho e Lydia tinha-lhes concedido alguns minutos – Se eu te contei os meus planos é porque confiava em ti! – disse-lhe, ao mesmo tempo que tentava controlar a raiva e desilusão que sentia dentro de si

- Era a única maneira de eu me vingar do que eles me fizeram – disse sem meias medidas

- Devias ter pensado que isso me ia deixar em maus lençóis – John disse – Não te passou pela cabeça que nós íamos ser logo apontados como suspeitos? – perguntou

- Claro que passou – John arregalou os olhos ao ouvir a sinceridade do irmão

- E mesmo assim foste para a frente com o teu plano? – John queria gritar, mas sabia que tinha de se controlar

- Porque sabia que nunca iriam encontrar provas para vos considerarem culpados – Adrian disse – Portanto estava tudo bem – acrescentou

- Não estava tudo bem, Adrian! Nada estava bem! – John disse, a fúria a começar a vencer – Nós demos-lhe uma sova que o deixou num estado grave. Meses depois mataram os nossos amigos por vingança. Eles morreram! – gritou esta última frase – Por tua causa, eles estão mortos e eu tenho estado a ser julgado. Eu cheguei a acreditar que o tinha morto e tu sabes que eu nunca quis que isso acontecesse – O mais novo confessou

- Foi por isso mesmo que eu tive de agir, John! – Adrian tentou fazê-lo entender – Tu nunca terias coragem de tal coisa e era a única solução – explicou

- A ideia era eles ficarem com medo e arranjarem uma maneira de te tirar daqui – John relembrou o mais velho

- Eles nunca fariam isso! – Adrian contrariou o irmão – Elas as duas talvez pensassem nisso, mas o Robert nunca permitiria que elas fossem para a frente. Por eles eu nunca sairia daqui, John – disse-lhe

- Não sabes isso, Adrian! Era o meu plano para te tirar daqui e, naquela manhã, quando te falei nele, tu disseste que talvez resultasse, agradeceste por eu continuar a lutar – John lembrou aquela visita ao irmão – E afinal tinhas o teu próprio plano. Plano esse que me devias ter contado!

- Se te contasse o meu plano, tu não concretizavas o teu! – Adrian disse, sabendo que era verdade

- Para que é que havia de concretizar? – John perguntou – O teu plano era matá-lo, portanto não havia necessidade nenhuma de eu deixar aquele aviso. Ele morria na mesma e o aviso não serviria para nada! – O rapaz disse-lhe e viu a indiferença do irmão – Nunca pensei que fosses capaz de agir assim, Adrian! Nunca pensei que fosses capaz de me prejudicar desta maneira. Esperava isso de muita gente, mas de ti não! – disse e controlou a vontade que tinha de chorar e gritar naquele momento

- Tens de perceber que às vezes as coisas têm de ser mesmo assim – Adrian disse – Às vezes temos de pensar mais em nós e menos nos outros. Eu precisava de uma maneira de sair daqui. Com ele morto, e contigo a ser um suspeito, a April e a Daisy iriam perceber que não estávamos a brincar e arranjavam maneira de me tirar daqui para não serem as próximas – Contou o plano original

- Mas saiu tudo ao lado! Ou quase tudo. – John relembrou – O Robert morreu, mas elas não te tiraram daqui, pois não? A Daisy ficou com medo sim, mas em vez de te “salvar” teve de mudar de país. A April teve um acidente e quase morreu! Esqueceu-se de tudo e, portanto, lá se foram as hipóteses de te tirar daqui. O Matt e o Tom estão mortos e podes dar graças ao teu plano de merda! Um homem inocente sujou as mãos para vingar a morte do filho e acabou por matar dois inocentes e mandar uma miúda para o hospital. Uma médica com um futuro pela frente quase foi acusada de ser cúmplice de um crime quando tudo o que fez foi tentar fazer o pai desistir de uma vingança. Outra médica ficou sem futuro algum porque tu a levaste a matar uma pessoa. E eu tenho estado a ser acusado de um crime que não cometi. Posso ter feito muita merda, mas nunca matar alguém – John enumerou – Portanto parece que o teu plano perfeito não resultou e tu vais mesmo ter de continuar aqui – concluiu

- Tenho a certeza de que vamos arranjar uma solução, maninho! – Adrian disse-lhe, contando com a ajuda do irmão mais novo

- Não, não vamos, Adrian! – John negou – Eu tentei ajudar-te, mas tu decidiste fazer as coisas à tua maneira. Eu tentei ajudar-te e tu deixaste-me ser acusado de um crime! Eu quase fui preso, Adrian! Não podes estar à espera que eu te continue a tentar safar! A seguir fazes o quê? Matas a April? A Daisy? Ou a mim? – o mais novo deixou os sentimentos falarem mais alto – Eu faria tudo por ti, Adrian, confiava em ti! Mas não me vou lixar mais por tua causa, não depois de tudo o que aconteceu! Para mim já chega! – disse – Eu estava disposto a tirar-te daqui. Eu até coloquei a hipótese de me vingar do Julian por tudo o que ele fez. Mas sabes que mais? Nem ele nem aquela médica tiveram culpa direta no que aconteceu! Foste tu! Foste tu que mataste o Robert e foste tu que mataste os meus amigos! Nada os vai trazer de volta, a nenhum deles! – Tinha os olhos marejados de lágrimas – E agora está na hora de pagares pelos teus atos, tal como eu vou pagar pelos meus, tal como eles vão pagar pelos atos deles! – Levantou-se sem dizer mais nada

- Quer dizer que me vais deixar aqui? Eu sou teu irmão, John! – Adrian gritou

- Eu também sou teu irmão, Adrian! – John apenas disse e saiu da sala. À porta estava um guarda que de imediato entrou para levar Adrian de volta para a prisão. Julian e a médica, Emma, também já estavam prontos para ir. Quando viu John, Mia abraçou-o. Quando se separaram, Lydia aproximou-se.

- Vão ficar os três a aguardar o julgamento em prisão preventiva – A inspetora anunciou – A pena do seu irmão vai ser agravada, ele não irá sair tão depressa, John – informou o rapaz

- É o mais justo! – ele apenas disse – E por falar em justiça, qual é que é a minha situação? – perguntou

- Vai responder pela agressão ao Robert Miller – Lydia disse – Provavelmente será uma pena curta, que poderá substituir pelo pagamento de uma multa ou por trabalho comunitário. Como não há uma queixa formal e uma vez que o John mostra arrependimento, isso irá abonar muito a seu favor – explicou

- E em relação à agressão ao Clark? – o rapaz perguntou

- Eu retirei a queixa! – Ouviu o médico falar. Estava atrás de si, acompanhado de April. – As coisas acabaram por tomar outro caminho e não acho que haja necessidade de termos mais um problema. Chega de complicações – Clark explicou perante a expressão confusa de John

- Obrigada! – Foi tudo o que John conseguiu dizer e viu Clark estender a mão para apertar a dele – E April, espero que um dia me perdoes! Não tudo, e nem tão cedo, mas talvez um dia consigamos arrumar todas estas confusões – John virou-se para April. A loira sorriu ao mesmo tempo que acenava com a cabeça. Para John foi o suficiente. Lydia informou-os de que, por enquanto estavam livres. Seriam avisados da data do julgamento para que estivessem presentes. Os quatro saíram da esquadra. April e Clark entraram no carro do médico e seguiram para casa. A casa deles. Mia e John foram a pé, caminhando em silêncio, a tentar organizar os pensamentos.

- E agora? – John perguntou

- Agora vamos viver a nossa vida, John! – Mia respondeu, sorrindo-lhe. Ele pegou na mão dela e sorriu de volta, aliviado por ela querer continuar a seu lado.

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Se me dissessem, quando comecei Amnesia, que ia escrever uma história com 50 capítulos (+epílogo) eu provavelmente não acreditaria. E a verdade é que, inicialmente, não era para ser tão extensa. Mas à medida que escrevia os capítulos fui percebendo que definitivamente seria maior do que eu esperava. E hoje trago-vos este 50º capítulo, que eu espero que gostem. Para a semana trago-vos o epílogo para nos despedirmos desta enorm história. E em breve daremos as boas-vindas a uma nova história, que ainda está a ser preparada. Já tem um nome, já tem personagens e até já tem uma banda sonora :) Mas por agora digam-me o que acharam deste capítulo final? Estavam à espera, acham que ainda vai mudar alguma coisa? Deixem as vossas opiniões e obrigada a quem está desse lado! Fiquem bem e até ao próximo capítulo! 

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