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You And I

21
Mai17

"Amnesia" - Capítulo 5


JustAnOrdinaryGirl

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April estava distraída nos seus pensamentos quando Clark abriu a porta do quarto. Antes de entrar ficou uns momentos a observá-la, enquanto ela brincava com as pontas do lençol, bastante concentrada para perceber que estava a ser observada. O médico bateu levemente na porta entreaberta fazendo a rapariga regressar à realidade.

- Doutor Clark – April disse assim que o viu – Não tinha reparado que estava aí – sorriu, sentando-se mais direita

- A Mia…a doutora Mia disse-me que querias falar comigo – informou, entrando no quarto – Passa-se alguma coisa? – Perguntou, já sentado no cadeirão ao lado da cama – A doutora Mia disse-me que tinhas tido um sonho, que te tinhas lembrado de alguma coisa – continuou, dizendo o que já sabia sobre o assunto – Podes confiar em mim, April, independentemente do que te tenhas lembrado – encorajou

- Acho que parte do sonho foi apenas a minha imaginação – April acabou por dizer, olhando para o médico – Mas eu comecei a lembrar-me de algumas coisas – acrescentou – Aquilo que o John disse é verdade, eu vivi numa instituição, consigo lembrar-me disso. E também sei que ele disse a verdade quanto a eu não ter família. Pelo menos não me lembro deles – confessou com um olhar triste no rosto

- E em relação ao John, sabes quem ele é? – Clark perguntou, tentando perceber aquele rapaz misterioso que aparecia de vez em quando no hospital. Viu April retrair-se

- Eu não me lembrei de tudo ainda – a rapariga apenas respondeu – De qualquer das maneiras era por isso que queria falar consigo – confessou – Se ele é a minha única família, isso quer dizer que quando sair daqui tenho de viver com ele? – Perguntou sem qualquer rodeio

- Isso depende de muitas coisas, April – Clark começou a explicar – Nós não sabemos nada sobre ti. Não sabemos se tens uma casa, se tens mais família, amigos. – Aquelas dúvidas existiam desde que a jovem ali chegara – Mas há uma coisa boa, sabemos que tens 18 anos e por isso não és obrigada a estar ao encargo de um adulto – acrescentou – Sabemos porque o John nos disse – explicou perante o olhar curioso de April

- Sim, eu lembro-me que tenho essa idade, lembro-me que foi no dia do meu aniversário que me meteram na rua – a loira contou deixando o médico com o olhar pesaroso – Eu tinha um namorado – April disse de repente

- Então talvez o possamos contactar – Clark ganhou novamente esperança – O mais certo é ele não saber que estás aqui – o médico disse, vendo depois o ar da rapariga. April fechou os olhos com força e levou a mão à cabeça, arquejando com a dor que sentiu – April? – A rapariga abriu os olhos e Clark notou que ela estava com alguma dificuldade em respirar – April, o que estás a sentir? Quero que te endireites e que tentes respirar com calma – Clark levantou-se e ajudou a rapariga a sentar-se na cama, dizendo-lhe que inspirasse e expirasse lentamente

- Eu… - A rapariga tentou falar mas continuava ofegante – Desde ontem à noite, desde que comecei a ter aqueles sonhos, que me sinto assim – admitiu, agora mais calma

- Devias ter dito que te estavas a sentir mal, April – Clark avisou – Quando sentes alguma coisa diferente contigo, algo estranho, tens de nos chamar. Podia ser alguma coisa grave – o médico continuou tentando manter a calma para não alarmar April

- Eu estava a dormir, estava a sonhar. E quando acordei percebi que alguma coisa se passava. Mas eu sabia o que era, sabia que eram as minhas memórias a voltar. Só que não voltam todas. Acho que me lembro do básico. O meu nome, a minha idade, onde vivi, que tinha um namorado e mais nada – April confessou, um pouco frustrada – Mas eu acho que alguma coisa aconteceu com ele. Quando me lembrei dele vi-me num cemitério, a chorar

- As tuas memórias não vão voltar todas de uma vez, April – O médico informou, não insistindo no assunto do namorado apesar da tristeza de April – Provavelmente vais começar a lembrar-te de coisas que faziam parte do teu dia-a-dia, de coisas e pessoas que conheces desde sempre – continuou – Por vezes o nosso cérbero guarda as coisas bem lá no fundo. Acontecimentos traumáticos, como o acidente, podem ser mais difíceis de recordar. Pode ser o teu subconsciente que não quer que essas coisas sejam recordadas, por qualquer motivo. Por vezes não nos lembramos de algumas coisas porque há algo dentro de nós que retrai essas memórias, percebes? – Clark tentou explicar as coisas da maneira mais simples que conseguia – Mas também é verdade que com os estímulos certos as memórias começam a surgir e aos poucos vais recuperar todas as memórias, todos os momentos. – Concluiu, sorrindo levemente.

- Assim que a inspetora souber que recuperei a memória, ou parte dela, não vai sair daqui – April disse, lembrando-se de repente de Lydia

- Aqui quem manda somos nós, neste caso eu – o médico disse para alívio da rapariga – Tu estás no hospital, ainda precisas de cuidados e ela, mesmo sendo da polícia, não te pode destabilizar. Além disso ainda não te lembras do que ela precisa, o máximo que ela pode fazer é perguntar-te informações básicas sobre a tua vida – Clark levantou-se e ajeitou a bata de médico que trazia vestida – Agora quero que descanses – sugeriu – Ah, e estás obrigada a carregar nesse botão se te sentires mal, se te lembrares de qualquer coisa que te perturbe, que queiras partilhar, estamos entendidos? – O médico disse mas April percebeu que, apesar de ele estar a falar a sério, estava a falar num tom brincalhão

- Estamos entendidos, doutor – April respondeu, fazendo cara séria mas não resistiu e deu uma pequena gargalhada – E em relação ao John? – Perguntou de repente

- Não te preocupes com ele – Clark tentou descansá-la – Não és obrigada a receber as visitas dele nem sequer a ter de viver com ele quando saíres daqui – assegurou – Se não houver mais ninguém, um familiar, um amigo, vou garantir que tenhas um sítio onde ficar assim – April agradeceu e Clark saiu do quarto, deixando a jovem novamente entregue aos seus pensamentos

Depois de deixar o quarto da paciente, Clark passou o resto do dia a trabalhar, dando algumas consultas que tinha marcadas, atendendo alguns doentes que chegavam às urgências. Quase no final do turno passou pela receção e pediu para ser informado se aparecesse alguma visita para April e para que, se fosse John, o chamassem de imediato. Alguma coisa no tom de voz de April ao falar no nome dele o deixou de pé atrás. Assim que chegaram as oito horas, e como não tinha mais trabalho para aquele dia, trocou a bata por um casaco e foi direto ao gabinete de Mia, que estava também a terminar o seu turno.

- Olá Mia – disse assim que a rapariga informou que podia entrar – Passei só para dizer que vou a casa tomar um banho e depois vou ter contigo – informou com um sorriso

- Estarei à tua espera – sorriu de volta – Ah, é verdade – chamou Clark que já estava prestes a fechar a porta do consultório – O que é que a April queria? Aconteceu alguma coisa?

- Apenas queria falar da amnesia e contar-me umas coisas de que se lembrou – Clark contou – Ainda há muita coisa que não sabe sobre ela e estava preocupada – acrescentou vendo Mia assentir – Vejo-te daqui nada – despediu-se e mandou um beijo a Mia que ficou a vê-lo sair. Depois de terminar de preencher uns documentos, pegou nas suas coisas e saiu do local de trabalho. Tinha de tomar banho e arranjar-se antes de Clark chegar a sua casa. Só esperava que desta vez o jantar fosse mesmo para a frente.

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Boa tarde! Aqui está mais um capítulo de que eu espero que gostem :) No próximo posso dizer-vos que as coisas vão começar a mudar (mais um bocadinho). Entretanto deixem as vossas opiniões aqui nos comentários e digam-me o que estão a achar, o que acham que vai acontecer. Ah, no meu blog pessoal está a decorrer um passatempo, se quiserem dar uma espreitadela :) Fiquem bem e até ao próximo capítulo!

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