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You And I

12
Ago18

Amnesia - Capítulo 49


JustAnOrdinaryGirl

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A tenção aumentava a cada segundo que passava. Apesar de John e Mia estarem já livres de acusações, Julian teria de cumprir pena pelos seus atos. E, mesmo depois o que tinha ouvido, Mia continuava a sentir-se triste pelo destino que estava reservado ao seu pai.

- Agora que temos o caso do acidente resolvido, vamos prosseguir – Lydia indicou – A verdade é que este acidente foi motivado por vingança. O Julian queria vingar a morte do filho, Robert Miller – A inspetora começou por partilhar alguns dados daquele caso – Ao que tudo indicava, o Robert teria morrido depois de ter sido brutalmente espancado num beco junto ao local de trabalho. Sempre foram dados como culpados três jovens – John, Matheus e Thomas – continuou – Contudo, veio recentemente a descobrir-se que os registos do Robert no hospital desapareceram, incluindo os registos da entrada dele no hospital naquela noite e também os resultados da autópsia – explicou, dando informações que todos conheciam. À exceção de Julian – Colocámos no hospital um agente disfarçado, que atuou como profissional de limpeza e que conseguiu averiguar alguns factos, nomeadamente o nome dos médicos que trabalharam naquela noite, incluindo no transporte de doentes em ambulâncias. – Estava prestes a fazer mais uma revelação e aguardou alguns segundos para que todos assimilassem o que já tinha sido dito – Na verdade não foi muito difícil fazer uma seleção dos possíveis suspeitos. Naquela noite apenas três profissionais estiveram a fazer o transporte de doentes urgentes para o hospital. Foi uma noite bastante calma – Lydia prosseguiu. Clark e Mia estavam pensativos. Tentavam pensar em quem poderia ter feito tal coisa. Fosse quem fosse era alguém que trabalhava com eles diariamente. Seria certamente um choque – A Dra. Emma, o Dr. Victor e a Dra. Katie foram os únicos que, naquela noite, estiveram a trabalhar em ambulâncias – disse os nomes. Nem Clark nem Mia achariam possível algum deles estar envolvido em algo assim – Dois deles conseguiram provar estar noutros locais, a socorrer outros doentes que não o Robert Miller. E, felizmente, esses doentes confirmaram a presença destes médicos – acrescentou. A inspetora fez sinal ao guarda que estava à porta da sala de interrogatórios para que o homem mandasse entrar o ocupante de mais uma das cadeiras. Na sala entrou uma mulher alta e loura. Apesar de ser bastante bonita, notavam-se umas enormes olheiras e os olhos estavam inchados, provavelmente de ter estado a chorar. Clark e Mia arregalaram os olhos ao verem-na entrar na sala. Como é que era possível? Seria mesmo verdade? Ela tinha de ser apenas uma testemunha. John também deu a entender que a conhecia.

Emma sentou-se numa das cadeiras livres e baixou o olhar. Ao contrário de Julian, notava-se o arrependimento nos seus olhos. Clark e Mia perceberam então, pela expressão da colega, que ela estava mesmo envolvida, fosse de que maneira fosse.

- Calculo que conheçam a Dra. Emma – Lydia disse, olhando para Mia e Clark e viu que ambos assentiram sem tirar os olhos da mulher. – E calculo também que se estejam a perguntar qual o motivo que a traz aqui – Mais uma vez viu os dois médicos acenar. Virou-se para a mulher loira – Quer dizer a Dra ou prefere que seja eu a falar neste assunto? – Emma não disse nada e a inspetora olhou para os seus apontamentos. Voltou depois a olhar para os presentes e preparou-se para começar. – Na noite em que o Robert foi espancado, foi chamada uma ambulância. Nessa ambulância estava a Dra. Emma e o condutor. – Começou a explicar – Sempre se pensou que a causa da morte tinha sido o espancamento e as hemorragias que daí resultaram, mas já está provado que não foi isso que aconteceu. Ninguém pode garantir que o Robert poderia sobreviver àquele ataque, as coisas podiam ter-se complicado e ele podia não ter resistido aos ferimentos – Lydia continuou e a atenção de todos os presentes estava nela – Mas a verdade é que a sobrevivência era uma hipótese. Quando entrou na ambulância, o Robert Miller ainda estava vivo e estava consciente. Na verdade, ele ainda estava vivo quando chegou ao hospital, apesar de os sinais vitais estarem claramente alterados – Lydia olhou para Emma – Teve uma paragem cardíaca e acabou por falecer. – Fez uma pausa antes de continuar e de revelar a verdadeira causa da morte - O Robert Miller morreu devido a um envenenamento que sofreu a caminho do hospital. – Quando disse estas palavras, Lydia viu que todos estavam em choque. April e Mia estavam de lágrimas nos olhos. Clark e John abraçavam-nas, tentando consolá-las naquele doloroso momento. Ouviu-se o punho de Julian a bater no tampo da mesa- Lydia não lhe disse nada. Apesar de tudo, ele era o pai da vítima e este era um momento de choque. – Dra. Emma, peço-lhe, por favor, que conte o que realmente se passou naquela noite. E peço-lhe que não esconda nada. Além de termos provas de que foi a Dra., esconder o que quer que seja só a vai prejudicar e complicar ainda mais a sua situação – Lydia pediu

- Antes de mais quero que saibam que me arrependo do que fiz – Emma começou – E vou arrepender-me para sempre – garantiu. Ganhou coragem para olhar nos olhos dos presentes, eles mereciam isso. Mas de todas aquelas pessoas, era mais fácil olhar para Clark. Sempre se tinham dado bem e, além de colegas de trabalho, eram amigos. Pelo menos tinham sido até àquele momento – E quero pedir desculpas a todos vocês! – Os olhos estavam marejados de lágrimas. Respirou fundo antes de continuar – E também quero que saibam que não fiz nada disto sozinha – acrescentou, olhando de relance para John – Há uns anos eu tive um problema financeiro. A minha irmã meteu-se por maus caminhos e eu gastei imenso dinheiro para a ajudar sem que ninguém soubesse. O problema é que o dinheiro foi muito e eu precisava de o recuperar antes que alguém se apercebesse. O meu ordenado não dava para tapar aquele buraco e seria uma questão de tempo até o meu namorado perceber. – Foi contando – E foi então que, do nada, apareceu um emprego que me dava o dinheiro que eu precisava. Não era um trabalho lá muito digno, mas era a única solução. E então tive de aceitar. – Fez uma breve pausa – Andei sete ou oito meses naquilo, mas finalmente lá consegui sair. Mas esses trabalhos têm riscos. Se eu contasse alguma coisa, o meu namorado iria ficar a saber de tudo. E caso se estejam a perguntar, eu trabalhava como stripper num bar ilegal – Quando Emma revelou este facto todos os olhares recaíram sobre John – Eu nunca iria contar nada, era a minha vida que estava em jogo. E consegui viver bem com esse segredo, até há uns tempos atrás – Emma ia contar finalmente o que se tinha passado naquela noite – No dia 21 de novembro do ano passado, pouco depois do almoço, eu recebi uma chamada – disse

- Depois de almoço? – John perguntou, interrompendo assim a médica

- Sim – Emma confirmou – Eu tinha seguido com a minha vida para a frente, tinha conseguido guardar num canto da minha memória tudo o que se tinha passado, e de repente, numa questão de segundos, tudo voltou – recordou o momento em que recebeu a chamada – Se eu soubesse quem era eu nunca teria atendido aquela chamada. Mas infelizmente atendi. E se eu não fizesse aquilo, o meu namorado e a minha família iriam ficar a saber de tudo e a minha irmã poderia ser tentada a seguir a má vida novamente. Eu não podia permitir que isso acontecesse. A minha irmã estava melhor, estava a construir uma vida estável e eu não lhe podia tirar isso. Eu tive de fazer aquilo. – Contou, os olhos novamente marejados de lágrimas

- O que é que lhe pediram que fizesse?  - Lydia questionou

- Disseram-me que nessa noite um rapaz ia aprender uma lição, mas que essa lição não seria suficiente. Que ele merecia pagar caro por tudo o que fez. Pediram-me para ir ter com uns tipos para ir buscar um frasco de veneno e para depois conseguir estar na ambulância que ia socorrer a vítima. Essa parte foi fácil, eu pedi a um colega para trocar de turno e depois estive atenta a todas as emergências. Quando pediram uma ambulância para um rapaz espancado num beco, eu sabia que estava na hora. Esqueci tudo menos a minha irmã e tudo o que ela tinha passado. Naquele momento só pensei na felicidade da minha família. – Fez uma pausa para se recompor – Quando chegámos ao local ele estava em muito mau estado, mas estava vivo. Colocámo-lo dentro da ambulância e eu pedi ao enfermeiro que ia comigo que fosse ter com o Sr. e com a rapariga que tinham chamado a ambulância porque eles estavam em estado de choque – disse

- É verdade, o enfermeiro esteve connosco, a garantir que estávamos em condições, dentro dos possíveis – April confirmou e viu que Julian também se lembrava disso

- Aproveitei esse momento para ingerir o veneno. Quando chegámos ao hospital os efeitos já se estavam a fazer notar e ele acabou por ter uma paragem cardíaca e morreu – confessou – Depois apenas tive de garantir que todos os documentos desapareciam, que o resultado da autópsia era alterado e apagar qualquer prova. Como devem calcular, não é difícil alguém que trabalha num hospital e conhece todos os procedimentos fazer isso – concluiu

- Quem é que te mandou fazer uma barbaridade dessas Emma? – Clark perguntou

- Acho que é bastante óbvio! – Foi John quem lhe respondeu – Além de mim, do Matt e do Tom só havia mais uma pessoa que sabia dos meus planos! – April percebeu naquele momento de quem John estava a falar e viu a desilusão e tristeza nos olhos do rapaz – Nessa manhã eu contei o meu plano a uma pessoa, à única pessoa, além dos meus amigos, em quem eu confiava e que pensei que ia guardar este segredo para a vida, tal como eu guardei os dele – continuou, os olhos cheios de lágrimas. Limpou-as à pressa e manteve-se em silêncio. Já todos tinham percebido de quem se tratava. Lydia fez sinal ao guarda para que mandasse entrar o ocupante da última cadeira: Adrian Stewart.

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Boa tarde! Aqui fica mais um capítulo de Amnesia! Espero que tenham gostado desta revelação. Afinal havia mais uma médica envolvida. E o Adrian! Gostaram deste desfecho? Deixem as vossas opiniões aqui nos comentários e como acham que vai acabar tudo! Ainda não sei se será o Capítulo 50 e o Epílogo ou se apenas o Epílogo. Ainda me falta acabar de escrever uma parte e tudo depende do tamanho com que fique. Enfim, espero que tenham gostado :) Fiquem bem e ao próximo capítulo!

P.S. No gif é a "Emma". 

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