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You And I

16
Jun18

Amnesia - Capítulo 45


JustAnOrdinaryGirl

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Mia seguiu John até à garagem. Aquele sítio continuava na mesma. O rapaz indicou-lhe o sofá e ambos se sentaram.

- Estás mais calma? – John perguntou, lembrando-se de como Mia chegara ao pé dele

- Sim, obrigada – ela agradeceu, sorrindo quase impercetivelmente

- O que é que se passou para teres ficado naquele estado? – o rapaz falava num tom que demonstrava preocupação.

- Pergunta antes o que é que não se passou, John – Mia respondeu usando uma pergunta um pouco clichê – A minha vida tem estado uma confusão, pior a cada dia que passa – explicou

- Tenho a certeza que as coisas vão acabar por se resolver, Dra. Mia – John disse aquilo, sorrindo-lhe. Sabia que a irritava chamar-lhe assim. Agarrou na mão dela e acariciou-a com a sua.

- Gostava de ter pelo menos metade do teu otimismo, John – ela disse – Mas a verdade é que as coisas em vez de melhorarem estão a ficar cada vez piores – acrescentou com um olhar que mostrava a tristeza e o desespero. John tentou puxá-la para um abraço, mas a médica recusou – John, eu preciso que me contes tudo sobre esta história. Preciso de saber da tua relação com o meu irmão, como é que vocês acabaram a ser inimigos, o que aconteceu naquela noite. Eu quero saber tudo! – pediu e, momentos depois viu-o assentir. Estava na hora da verdade vir ao de cima. Tinha de haver alguma coisa no meio daquela história que a fizesse sentir mais confiante em relação ao que seria o desfecho de tudo aquilo.

- Antes de te contar, quero que me digas o que é que vais fazer com o que eu te disser? Vais-te chibar à polícia? – John quis saber, mostrando novamente aquele seu ar de rebelde e durão

- Não sei, John – Mia foi sincera – Tudo o que eu preciso é de saber a verdade, preciso que me proves que este meu instinto que me diz que estás inocente pode ter alguma razão de ser – explicou

- Muito bem, então espero que estejas preparada para ouvir algumas coisas que podes não gostar – O rapaz disse ao fim de alguns momentos a observá-la – Quando eu, o meu irmão e os nossos amigos conhecemos o Robert, a irmã dele e a April as coisas até corriam bem – começou – Quer dizer, a April e a Daisy, a irmã do Robert, até curtiam de nós, mas o Robert nem por isso. Ele conhecia alguns dos nossos amigos, achava que nós não tínhamos as melhores companhias – explicou e viu o olhar de Mia – Ok, podiam não ser as melhores pessoas do mundo, é verdade. Mas também é verdade que quando não se tem nada, um gajo tem de se desenrascar. Enfim, o meu irmão Adrian tinha um clube ilegal – continuou

- Um clube ilegal? – Mia perguntou, tendo até medo da resposta

- O Adrian era dono de um clube ilegal de prostituição – John confessou e viu a morena arregalar os olhos

- Isso quer dizer que… - Mia parou para raciocinar – Vocês tentaram recrutar a April e a Daisy, não foi? – perguntou, começando a perceber o que tinha levado Robert a querer vingança.

- Sim e foi aí que as coisas descambaram – confessou – O Robert conseguiu provas suficientes e apresentou queixa à polícia. Foi uma questão de tempo até o Adrian ser apanhado. A April e a Daisy entraram no caso como testemunhas. Nunca ninguém disse que tinham sido elas, testemunharam em anónimo por causa de represálias. Mas claro que nós sabíamos que tinha sido elas, só podiam ter sido. – Contou, observando cada expressão de Mia – E depois de o meu irmão estar preso, eu, o Matt e o Tom jurámos que eles os três iam pagar pelo que fizeram – confessou – Começámos com as ameaças. Achámos que eles ficassem com medo e que retirassem a queixa ou assim. Mas pelos vistos eles não tinham medo de nós, muito menos o teu querido irmão – ele continuou

- E por isso vocês decidiram tomar medidas mais drásticas -Mia constatou e viu o rapaz assentir

- Sim – confessou, não conseguindo olhá-la nos olhos – Naquela noite eu fui ter com o teu irmão, estava farto daquela situação e queria resolver as coisas de uma vez – tinha finalmente chegado à fatídica noite – Aproveitei quando ele foi despejar o lixo e aproximei-me. Disse-lhe o que já lhe tinha dito mil vezes, que arranjasse maneira de tirar o meu irmão da prisão. Mas ele insistiu em não fazer nada e ainda insultou o meu irmão. Nesse momento passei-me e começou a cena de pancada – confessou – Podes não acreditar, Mia, mas a minha ideia nunca foi chegar tão longe. É verdade que lhe bati várias vezes naquela noite. E é verdade que o Tom e o Matt lá estiveram comigo. Eles impediram que o Robert se defendesse – continuou a contar a sua versão dos acontecimentos – E depois apareceu a April – acrescentou

- Mas vocês a ela não lhe fizeram nada – Mia constatou

- Pois não – ele confirmou – Já não sei bem o que foi, se um vizinho ou apenas um barulho. Mas alguma coisa nos fez sair dali. No dia seguinte vim a saber que o Robert tinha morrido – John parou por uns momentos – Quero que saibas que em momento algum tive intenções de o matar, Mia. Aquilo era apenas um aviso, mais uma ameaça. Quando eu saí de lá, ele estava mal, mas eu tenho quase a certeza que aquilo não era motivo para ele morrer. O Robert, apesar de tudo, era um tipo forte, aquilo não era nada. – John falava como se se estivesse a desculpar perante Mia

- Vocês fugiram logo ou ficaram lá a ver o que acontecia? – A médica quis saber

- Vimos chegar o Julian e depois a ambulância – John contou

- E quando meteram o Rob na ambulância, ele… - não precisou de terminar a frase para o rapaz perceber

- Ele ainda estava vivo quando o levaram – respondeu – Depois disso não sei o que se passou mais além de que ele morreu – acrescentou – Mas porque é que perguntas isso?

- Hoje de manhã, antes de ter ido falar com o Clark, eu estive no hospital à procura dos registos do Robert, mas… John, não há informações nenhumas sobre o meu irmão. Apenas registos médicos de uma vez que ele foi internado quando era adolescente. De resto não há nada. – Mia contou e viu John erguer uma sobrancelha, estava claramente a organizar as ideias – E eu sei que ele foi levado para aquele hospital – acrescentou

- Logo devia de haver registos – John constatou – O que é que é suposto fazermos agora?

- Vais ter de falar com a polícia e contar-lhe a verdade de uma vez por todas, John – Mia disse-lhe, fazendo-o ficar apreensivo por momentos – John, é a única maneira de eles darem um novo rumo às investigações! Se nós contarmos a tua versão e este estranho desaparecimento dos dados temos boas hipóteses de nos safarmos das acusações. Podemos ter de cumprir uma pena baixa uma indeminização, mas deixamos de estar acusados de homicídio, especialmente tu que és o principal suspeito – ela continuou – Por favor, John! – ela pediu, fixando o olhar dele.

- Eu não sei se é assim tão boa ideia, Mia – John disse – E se fui mesmo eu que o matei? – lágrimas apareceram nos seus olhos

- Foste tu a tirar os documentos do hospital? – a médica perguntou sem rodeios, olhos nos olhos

- Não! – John respondeu de imediato, também olhos nos olhos

- Então não tens nada a perder, podes até ter muito a ganhar – Mia tentou convencê-lo – E se te ajuda, depois de ouvir a tua versão e de saber o que sei agora, eu estou mais certa de que estás a dizer a verdade – ela acrescentou

- Eu não quero ir preso, Mia. A minha mãe não ia aguentar ter mais um filho preso – John disse-lhe

- Eu também não quero ser presa, John. Tenho muito a perder se for. E… não posso mentir ao ponto de dizer que não me importo que tu vais preso. – sorriu-lhe, um sorriso tímido. John sorriu-lhe de volta e abanou a cabeça – O que foi? – Mia perguntou

- É esta situação – John disse com um sorriso, deixando-a mais confusa – Podíamos ser os maiores inimigos, mas aqui estamos nós a tentar safar-nos um ao outro. O que é que se está a passar, Dra. Mia?

- Está-se a passar que precisamos das nossas vidas de volta, John – ela disse e encolheu os ombros – Estou farta desta situação e tenho medo de ser presa. Unirmo-nos talvez seja a única maneira de nos safarmos – confessou

- Isso é verdade, eu sinto o mesmo, mas não era disso que estava a falar – John disse – Estava a falar disto que se passa entre nós, Mia.

- Não se passa nada entre nós, John! – Mia disse, soando pouco verdadeira

- Tens a certeza? – John perguntou enquanto se aproximava dela. Mia recuou o máximo que pôde naquele sofá, mas já não dava mais. Estava encurralada entre o braço do sofá e John e não havia volta a dar. Ele estava ali tão perto e tudo o que el queria era beijá-lo novamente. E ele queria o mesmo. Mia engoliu em seco e mordeu o lábio. John aproveitou o momento e beijou-a. Desta vez sem desculpas, sem pressas. O beijo foi apenas interrompido quando os dois ficaram sem fôlego – Não te vás embora! – John pediu. Por momentos achou que ela queria sair dali, que não queria nada com ele. Mas ela voltou a beijá-lo.

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Boa tarde! Aqui fica mais um capítulo, finalmente a versão dos acontecimentos do John e esta revelação que a Mia fez. Estavam à espera que isto pudesse acontecer? Talvez haja mais alguém envolvido nesta história além dos suspeitos do costume. Espero que tenham gostado deste capítulo e que gostem do que ainda aí vem :) Fiquem bem e até ao próximo capítulo! 

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