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You And I

22
Abr18

"Amnesia" - Capítulo 42


JustAnOrdinaryGirl

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- Era só o que me faltava! – John barafustou enquanto andava de um lado para o outro. Dali a segundos a polícia estaria a tentar entrar naquele lugar e ele tinha de pensar numa solução. Depois de tudo não podia, nem queria, acabar no mesmo sítio que o irmão – Isto não me pode estar a acontecer! – Disse, continuando às voltas

- Na verdade, depois de tudo o que fizeste, já era de esperar que... – Mia foi interrompida por John. O rapaz agarrou-a e empurrou-a contra a parede, fazendo-a embater com as costas – Ai! – Ela queixou-se da pancada – Custa ouvir as verdades, é? – Ela insistiu. John empurrou-a com mais força

- Se fosse a ti estava mas é calada! – John ameaçou – A tua situação não é muito melhor. Podes ser acusada de seres cúmplice de um crime – relembrou-a

- Então parece que vamos ter de arranjar uma solução para os dois - Mia disse, fazendo-o arregalar os olhos

- Isso quer dizer o quê? Que estás disposta a ajudar-me? – Perguntou surpreendido

- Se isso significar ajudar-me a mim mesma então sim, estou disposta a esse sacrifício – ela disse

- E tens alguma ideia miraculosa? – John perguntou e aguardou pela resposta. No momento a seguir ouviram umas pancadas na porta e as habituais palavras: Polícia! Abram a porta!

- Tira a camisola! – Mia apenas disse fazendo John olhar para ela

- Achas mesmo que agora é o momento, Mia? – Ele disse em tom provocatório

- Não sejas estúpido! – Mia disse – Mas repara bem no meu estado. Tenho a tua roupa vestida. Se tu estiveres apenas com umas calças... E descalço... Talvez a polícia veja isto como uma coisa diferente de rapto – ela explicou a sua ideia. Não era brilhante mas era melhor que nada, melhor que serem presos ou acusados de alguma coisa.

- E em troca? – ele perguntou no exato momento em que a polícia voltou a pedir que abrissem a porta

- Sei lá... Alguma coisa que me ilibe do acidente dos teus amigos. Diz que estivemos juntos, qualquer coisa – Mia disse – Não temos tempo para grandes planos, John. Se demorarmos muito mais a polícia vai começar a desconfiar de alguma coisa... Mas se eu te vou ajudar, espero que faças o mesmo – Mia disse – Caso contrário, eu posso desmentir e contar o que realmente se passou aqui – foi a vez de ela fazer as ameaças. Mais uma pancada na porta, desta vez mais forte. John começou a andar para a porta e Mia ficou ali parada, recompondo-se minimamente. Mas antes de abrir a porta, John voltou atrás e, sem ela estar à espera, ele agarrou no rosto dela e beijou-a. Mia ficou sem saber o que fazer e deixou-se levar por momentos. Mas segundos depois empurrou-o, tentando afastá-lo – Mas estás doido? – Ela perguntou, baralhada

- Nada disso. Só acho que a polícia vai acreditar melhor na história se te vir com os lábios mais inchados e toda vermelha – mandou um beijo para o ar e dirigiu-se à porta.

- Estava difícil! – Lydia disse assim que John lhe abriu a porta – Não ouviu a porta?

- Desculpe inspetora Lydia – ele pediu – Estávamos um pouco ocupados – disse, olhando por cima do ombro para Mia, que ainda estava corada

- Estou a ver que tem companhia, tal como eu suspeitava – Lydia disse, olhando também ela para a médica

- Ah suspeitava? – John fez-se de desentendido

- Importa-se que entre? Tenho alguns assuntos a tratar com vocês os dois – Lydia informou. John indicou-lhe que entrasse e seguiu atrás dela. Nas costas da inspetora, John piscou o olho a Mia.

- Faça favor de se sentar, inspetora – John indicou o sofá mais pequeno. Ele e Mia sentaram-se no outro, lado a lado – Então, e que assuntos são esses? – O rapaz quis saber

- Recebemos uma participação acerca da ausência da Doutora Mia – Lydia começou – Há vários dias que ninguém tem notícias suas – acrescentou – Disse à sua mãe que estava numa conferência mas no entanto nenhum dos seus colegas tem conhecimento dessa conferência – notou

- Porque não houve nenhuma conferência – Mia admitiu e sentiu o peso do olhar de ambos. John começava a desconfiar que ela estava a recuar no plano que tinham delineado anteriormente

- E porque é que mentiu? – Perguntou – Alguém a obrigou a isso? – Desta vez Lydia olhou para John.

- Nada disso, inspetora – Ao ouvir aquelas palavras John sentiu-se mais aliviado – A verdade é que eu não queria dizer à minha mãe onde estava porque... Não a queria magoar – acrescentou, tentando parecer convincente.

- E porque é que a verdade a ia magoar? – Lydia perguntou

- Porque tenho estado com a pessoa que é acusada da morte do Robert – ela disse sem rodeios – Eu tenho estado aqui com o John e eu não queria que a minha mãe soubesse, não sabia como lhe contar o que tem estado a acontecer – explicou – É verdade que o Robert não era filho dela mas o meu pai foi muito importante para a minha mãe e isso seria difícil para ela. Tenho de lhe contar no momento certo e da maneira mais correta.

- É um motivo válido – Lydia concordou apesar de ainda não estar totalmente convencida – E o que é que se tem estado a passar entre vocês? E desde quando? – Quis saber, ainda havia algumas lacunas para preencher

- O que está a acontecer parece ser óbvio, inspetora, basta olhar para nós – John foi quem falou e viu Lydia revirar os olhos – E já está a acontecer há algum tempo para ser sincero – acrescentou

- Desde quando? – Lydia quis saber – No dia do interrogatório pareceu-me mais interessado em vingar a morte dos seus amigos do que se envolver com a possível cúmplice – Lydia relembrou – O que é que mudou?

- Eu queria vingar-me do Julian, não da Mia. Ela não teve culpa de nada – John disse, defendendo a rapariga – A Mia tentou impedir o pai dela e infelizmente não conseguiu – John não tinha a certeza de que aquilo fosse verdade mas naquele momento não lhe interessava. O que importava era salvar-se a ele...e também salvar Mia.

- E como é que tem tanta certeza disso? – Lydia perguntou

- Porque ela me contou tudo – John disse, esperando que a inspetora acreditasse nas suas palavras – Depois do interrogatório eu fui ter com ela e esclarecemos as coisas.

- E querem que eu acredite assim tão facilmente? – Lydia questionou – Alguma coisa não bate certo nesta história, meus caros. E ou me contam a verdade...

- A verdade, inspetora Lydia, é que eu e o John nos apaixonámos – Mia interrompeu - Não era suposto acontecer mas aconteceu. E também é verdade que nos conhecemos na altura em que o Robert morreu e não apenas no hospital. Foi o John que me contou algumas coisas sobre o meu irmão, mesmo não gostando dele. – Mia começou a contar, dando pormenores para que a história soasse real – Eu não fazia ideia de que mais tarde ele iria ser acusado. Fiquei em choque quando o meu pai me disse quem o John era. Tentei afastar-me mas não conseguia, gostava demasiado dele. Depois o meu pai começou a falar em vingança e apesar de eu querer que o culpado pagasse, pedi ao meu pai que desistisse dessa ideia, que não fizesse nada até ter a certeza de quem tinha sido – continuou

- Isso quer dizer que não acreditava que tinha sido o John? – Lydia interrompeu

- Ele era a pessoa mais fácil de culpar. Afinal era o “inimigo” conhecido do Robert – Mia disse – Mas eu não acreditava, nem sequer havia provas.

- Muito bem – Lydia olhou para ambos – E como é que o John tem tanta certeza que a Mia não foi cúmplice do Julian naquela noite?

- Porque naquela noite estávamos juntos – Mia respondeu – Fui ter com o John e depois recebi um telefonema do meu pai – contou. Aquela parte era fundamental e tinha de ser contada

- Telefonema que ela atendeu à minha frente e é por isso que eu sei que ela não tem nada a ver com o assunto – contou, cooperando com a médica – E as palavras dela foram claras. Apenas disse “Não faças isso”, “Promete que não o vais fazer”. Não percebi o que ela queria dizer mas não insisti. Ela desligou a chamada.

- E momentos depois o John recebeu uma mensagem dos amigos. Quando estava prestes a deixar-me para ir ter com eles eu fui chamada para uma emergência por causa de um acidente grave – Mia concluiu a história – Percebe agora? Eu apaixonei-me pelo suposto assassino do Robert e o John apaixonou-se pela suposta cúmplice do assassinato dos melhores amigos. Tudo o que precisávamos era de um tempo longe do resto do mundo – acrescentou e John pegou-lhe na mão enquanto a inspetora os olhava.

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Boa tarde! Espero que tenham gostado de mais um capítulo! Esta história da Mia e do John foi o plano deles para se safarem mas será que a inspetora vai acreditar neles? E será que é mesmo tudo mentira ou há alguma verdade? Espero que tenham gostado e deixem aqui as vossas opiniões :) Obrigada a quem tem acompanhado! Fiquem bem e até ao próximo capítulo! P.S. Comecei esta semana a preparar a sucessora de "Amnesia" :)

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