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You And I

11
Fev18

"Amnesia" - Capítulo 37


JustAnOrdinaryGirl

April estava deitada com a cabeça encostada no peito de Clark. O momento que tinham partilhado não a poderia ter deixado mais feliz. E sabia que ele sentia o mesmo. Bastava ver como sorria.

- Estás bem? – Clark perguntou, apesar de ela desconfiar que a sua cara dizia tudo – Estás tão calada… - acrescentou

- Estou ótima, Clark – A rapariga disse – Há mesmo muito tempo que não me sentia tão feliz, tão bem – revelou – Os últimos tempos da minha vida têm sido horríveis… - desabafou

- Não houve nenhum momento feliz? – Clark perguntou, usando um tom provocatório. April percebeu que resposta ele queria

- Talvez quando acordei do coma e um médico bem giro veio ter comigo. Esse foi um momento bom – April disse, rindo

- Bem me parecia que esse tinha sido um belo momento – Clark brincou, fazendo-a revirar os olhos – Eu sei que não nos conhecemos na melhor das circunstâncias, mas estou muito feliz que tenhas entrado na minha vida – confessou. April virou-se de modo a poder olhar para ele e encostou o queixo no peito dele

- Eu também estou feliz por te ter conhecido – April disse – Já me disseste que para ti os doentes são muito importantes, que fazes tudo por eles mas… O que é que te levou a fazer tanto por mim? – Quis saber

- Não sei explicar – ele apenas disse – Quando chegaste, naquela noite, e eu vi o estado em que vinhas, quando tivemos de te operar de urgência e depois ficaste em coma, eu só pensava em como é que era possível alguém tão jovem ter de passar por alguma coisa assim. Para mim, naquele momento, eras uma criança, alguém que tinha uma vida inteira pela frente e eu queria fazer de tudo para que tivesses a oportunidade de viver essa vida – contou e April escutava atentamente as suas palavras – Depois os dias iam passando e tu não acordavas, não reagias. E nem sequer tínhamos quem contactar, ninguém aparecia à tua procura – continuou

- Tirando o John e a Lydia – April comentou

- Pois… - Clark disse – Todos os dias passava no teu quarto. Às vezes eram visitas curtas, apenas para ver se estava tudo na mesma. E outros dias ficava por lá, até cheguei a falar contigo – continuou a contar – Encorajava-te a acordar, dizia-te que tinhas uma vida inteira pela frente, pessoas à tua espera…

- Apesar de não ser verdade… - ela lamentou

- Mas eu não sabia disso e eu apenas queria que tu acordasses, que desses sinal de que ias ficar bem – confessou – E depois, passado tanto tempo, tu finalmente reagiste – disse com um sorriso – Eu estava prestes a ir jantar com a Mia – riu com a ironia e como se aquilo fosse uma memória tão longínqua – E quando me telefonaram eu fui a correr para o hospital. Queria saber se estavas bem, garantir que aquele tempo em coma tinha servido, pelo menos, para te ajudar a recuperar do acidente. Quando te vi finalmente acordada senti mesmo um alívio. E o resto tu já sabes – Clark concluiu a sua história

- E o que é que te deu para me trazeres para tua casa? – April questionou – Com toda a história da amnésia não fazias ideia de quem eu era. Eu podia bem ser uma psicopata qualquer – riu. Um som que Clark adorava ouvir

- Havia qualquer coisa que me puxava para ti, que me dizia que eu devia ajudar-te – ele confessou – E depois eu vi como ficaste quando o John apareceu, quando descobriste que não tinhas família, quando a inspetora começou aquele interrogatório todo – disse – Algo me dizia que eu tinha de fazer mais, não sei explicar o que sentia – acrescentou – E depois, com o tempo que íamos passando juntos, com as nossas conversas, sei lá, as coisas foram evoluindo, incluindo aquilo que eu começava a sentir por ti.

- Comigo também foi assim – ela disse – Eu comecei a sentir coisas por ti, coisas que eu não sabia explicar. Mas eu achava que era apenas confusão da minha cabeça. Tu estavas a fazer tanto por mim, coisas que eu não me lembrava de alguém alguma vez ter feito, e eu achava que era apenas eu a confundir as coisas – April contou – Mas depois daquela noite em que nos beijámos eu percebi que era muito mais que isso, eu gostava mesmo de ti. – Confessou – Eu gosto mesmo de ti! – Clark sorriu-lhe e puxou-a mais para si, beijando-a apaixonadamente. April sentia-se como se estivesse a viver um sonho. Agora sabia que as pessoas tinham razão quando diziam que havia sempre alguma coisa que valia a pena recordar. – E no meio disto tudo, tive muita sorte – Ela parou o beijo de repente, dizendo estas palavras com um olhar bastante sério. Viu-o erguer uma sobrancelha – Tu fizeste tanta questão em eu vir morar contigo. Imagina que eras tu o psicopata! – Depois de ver o olhar dele não conseguiu reprimir uma grande gargalhada. Ele, em resposta, puxou-a para mais um beijo. E foi então que o som da campainha ecoou pelo apartamento. Clark bufou e virou-se para o relógio. Eram duas da madrugada. Provavelmente seria algum vizinho que perdeu a chave ou algum bêbedo ou simplesmente algum engraçadinho sem mais nada que fazer àquela hora. Mas quem quer que fosse, continuava a insistir. O médico acabou por se levantar da cama e vestiu à pressa as calças do pijama. Quando chegou à sala viu o pai sair do quarto.

- O que é que se passa? – Jordan perguntou, ensonado. Clark encolheu os ombros e dirigiu-se à porta. Quem quer que fosse já estava dentro do prédio. Espreitou e suspirou ao ver quem estava lá fora. Na sala juntaram-se também Vivianne e April, curiosas e preocupadas. Clark acabou por abrir a portas e todos ficaram surpreendidos pela visita.

- Estava a ver que me ias deixar na rua – A rapariga disse e entrou no apartamento. Mas mal deu um passo ia-se estatelando no chão, não fosse Clark a segurá-la.

- O que é que estás aqui a fazer, Mia? – O médico perguntou. A morena estava claramente embriagada e ele teve de a segurar

- Eu preciso de ti, Clark – Mia disse, a voz a arrastar-se. April, ao ouvir estas palavras, revirou os olhos.

- Podem ir dormir, nós resolvemos isto – Clark disse, dirigindo-se aos pais – Não se preocupem, está tudo bem – acrescentou perante a o olhar preocupado dos progenitores

- Eu vou fazer um café bem forte – April disse, começando a dirigir-se para a cozinha. Clark seguiu atrás dela, carregando Mia nos braços, que mal conseguia levantar os pés. Sentou-a à mesa da cozinha e aproximou-se de April

- Desculpa esta situação – pediu e ela olhou para ele, mostrando que estava tudo bem. Ele deixou-lhe um beijo no cimo da cabeça

- Que queriiiidos – Mia disse – Ela tem mesmo de ficar aqui? Eu queria falar sóoooo contigo – acrescentou

- A April fica aqui, não tenho nada a esconder – Clark respondeu. Encheu uma caneca de café e entregou-a à médica – Bebe isso, vai fazer-te bem!

Mia bebeu o café enquanto eles a fitavam. Depois do que pareceu uma eternidade ela encarou-os.

- A minha vida está uma desgraça! – Lágrimas começaram a correr-lhe pelo rosto – Eu estraguei tu-tudo! – Soluçava

Clark olhou para April e depois os dois viraram o olhar para Mia. Avizinhava-se uma longa noite.

...........

Bom dia! Aqui fica mais um capítulo que eu espero que gostem :) No início temos assim um momento mais romântico e depois este final... Vem aí mesmo uma "longa noite" para eles! Espero que tenham gostado. Foi um capítulo um pouquinho mais pequeno mas eu queria que o próximo já se centrasse mais na conversa que eles vão ter. Deixem as vossas opiniões e obrigada por continuarem a acompanhar. Fiquem bem e até ao próximo capítulo!

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