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You And I

20
Jan18

"Amnesia" - Capítulo 35


JustAnOrdinaryGirl

- Eu posso explicar, Clark – Mia disse, nervosa, sentando-se no seu gabinete

- É isso mesmo que eu quero que faças, que me expliques – Clark disse. Continuava de pé, em frente da secretária

- O meu pai nunca quis magoar a April, foi um acidente – A morena começou

- Pois, mas olha que ele não está muito arrependido – Ele contrariou, relembrando as palavras de Julian – O que eu não percebo é como é que durante este tempo todo nunca me contaste nada, Mia. Pensei que fôssemos amigos – continuou

- E somos amigos – Mia disse – Mas eu nunca te tinha falado do meu pai antes, eu e ele nem sequer éramos assim tão chegados – tentou justificar

- E o Robert? – Clark quis saber

- Eu descobri que tinha um irmão pouco antes do que lhe aconteceu, eu nunca o cheguei a conhecer pessoalmente – Mia revelou, indo de acordo com o que o pai dissera – E tenho pena de não o ter conhecido, pelo que o meu pai me disse ele era uma pessoa espetacular – Uma lágrima apareceu mas Mia afastou-a.

- Tu sabias que o Julian queria vingar a morte do Robert? – Clark perguntou

- Sim, eu sabia – Mia confessou e viu a surpresa misturada com desilusão no rosto do médico – Mas isso não quer dizer que eu concordasse ou que estivesse envolvida - respondeu

- Mas no entanto não fizeste nada para o impedir – Ele concluiu – Tu até falaste com o teu pai nesse dia e ele disse-te o que ia acontecer – ele afirmou, vendo Mia arregalar os olhos – Passámos a tarde na esquadra, já sei de tudo. O teu pai até fez questão de dizer que não se arrepende do que fez e que voltaria a fazer o mesmo – Clark contou

- E esperavas o quê? Aqueles tipos mataram-lhe o filho! – Mia elevou o tom de voz – Talvez ele apenas tenha feito o que qualquer pai faria numa situação assim – acrescentou – O meu pai precisava de fazer aquilo

- E a April?

- Estava no local errado à hora errada – Ela disse – E tenho a certeza que só estás nesse estado porque a menina está envolvida. Porque se ela não estivesse naquele carro não estaríamos a ter esta conversa, Clark – constatou

- Não estávamos a ter esta conversa porque eu não saberia da verdade – ele disse – Eu continuaria a achar que tu eras diferente, a pessoa que eu sempre vi – acrescentou – Tu devias ter parado o teu pai, Mia!

- Devia? Aqueles tipos tiraram-lhe o filho! Será que não reagirias da mesma maneira?

- Não! Eu sei que o teu pai perdeu o Robert e que isso lhe custou muito. Mas há outras formas de fazer justiça, formas em que eles iriam pagar pelo que fizeram. Talvez seja apenas a minha maneira de ver as coisas. Além disso, e se o acidente tivesse envolvido outras pessoas? Se eles se tivessem cruzado com outro carro e gente inocente tivesse morrido? – Clark perguntou

- Mas isso não aconteceu, Clark – Mia disse – A única coisa que eu quero que percebas é que, certo ou errado, o meu pai teve os seus motivos – tentou fazê-lo entender

- E a April? Ela ia morrendo sem ter culpa de nada – Clark disse mas, ao ver o olhar de Mia, percebeu – Tu tens o mesmo pensamento que o teu pai. Achas que ela, de certo modo, teve culpa – percebeu

- Não estou a dizer que ela deveria ter morrido, Clark – Mia frisou esse ponto – A April teve azar. Mas ela não é assim tão inocente como pensas. Ela e a amiga levaram o Robert àqueles tipos e isso não podes negar – ela disse e viu-o abanar a cabeça

- A amiga da April por acaso era irmã do Robert e ele faria qualquer coisa pela irmã e pela namorada segundo me consta – Clark disse – Mas o que eu quero que me digas agora, e espero sinceridade da tua parte, é se durante os meses em que a April aqui esteve, tu ou o teu pai alguma vez tiveram intenção de fazer mais alguma coisa – ele disse e viu Mia ficar ligeiramente mais nervosa – Mia?

- Eu sabia de quem se tratava – ela confessou – Sabia perfeitamente quem era a rapariga do coma. Não sabia detalhes mas sabia que ela era a namorado do Robert – acrescentou – Mas nunca pensei em fazer-lhe mal, nunca me passou pela cabeça prejudicar a saúde dela – esclareceu – No entanto eu queria garantir que ela não sabia de nada e a amnésia com que acordou foi uma dádiva para o meu pai – admitiu, deixando Clark incrédulo

- Sabias perfeitamente que havia a hipótese de ela recuperarClark constatou – E quanto ao John? Sabias quem ele era?

- Sim, sabia – Mia admitiu. Não adiantava estar com mentiras. Já não.

- Mas também achaste melhor esconder, não é verdade? – O médico perguntou, cada vez mais desiludido – Porque é que não disseste quem ele era na realidade. Afinal, foi ele quem matou o Robert. Podiam ter começado a investigar mais cedo – ele disse

- Não havia provas nenhumas, Clark – Mia disse – A única pessoa que viu foi a April e ela não podia confirmar nada. Ninguém podia confirmar nada – ela acrescentou 

- Mas podiam ter começado a investigar mais cedo e talvez não tivéssemos chegado a este ponto, talvez eu nem sequer tivesse sofrido as consequências – Clark disse, encarando-a

- Tu foste atacado porque te envolveste com a April, Clark – Mia disparou aquelas palavras, não disfarçando o que sentia – Tu podias ter evitado tudo isso e eu avisei-te. Tu devias ter tratado a April como mais uma paciente e depois afastares-te dela

- Só falta dizeres que o melhor era ter ficado contigo – ele disse com alguma ironia

- Não terias tido metade das dores de cabeça – ela disse em resposta e ele abanou a cabeça, incrédulo

- Achas que não? Bom, pelo menos não até ao dia em que descobrisse que o teu pai matou duas pessoas e que tu sabias do plano e nada fizeste – disse

- Eu não podia fazer nada, Clark – Mia voltou a elevar o tom de voz – O meu pai agiu por vingança, sim, mas acima de tudo fê-lo por amor – uma lágrima caiu-lhe pelo rosto – E por isso não o podes julgar

- Não deixa de ser um crime, Mia. E ainda por cima meteram uma inocente ao barulho – voltou a referir

- Porque a ti é só isso que te importa, não é?

- Não, não é Mia – agora foi Clark quem levantou o tom de voz, voltando a baixá-lo a lembrar-se de que estava no hospital – E além disso, se o teu pai queria vingar-se, devia tê-lo feito contra o John e não contra o Matheus e o Thomas. Não foram eles que mataram o Robert.

- Mas eles estavam lá e não impediram, pois não? Vai dar ao mesmo, Clark. E pelo menos o John sofreu na pele o que é perder alguém de quem se gosta – Mia apenas disse, soando exatamente como Julian, sem total arrependimento

- E por essa lógica, quando as famílias deles souberem que foi o Julian, também vão querer vingança. E depois? Matam-te a ti? – Clark disse e aquelas palavras fizeram Mia arrepiar-se – Não pensaste nisso, pois não? As coisas não são tão simples como queres que sejam, Mia. Eu lamento imenso que o teu pai não tenha pensado mais em ti. O Robert era filho dele, mas tu também. E tu própria devias ter pensado antes de decidires não fazer nada para o impedir – Clark disse – Espero que saibas que a polícia já sabe da verdade toda. O teu pai tentou proteger o teu nome mas eles conseguiram as chamadas que ele fez nesse dia, não há volta a dar – informou – Vai ser difícil saíres desta, Mia – disse, triste apesar de tudo – Lamento mesmo que as coisas tenham chegado a este ponto

- E eu lamento que a nossa relação tenha chegado a este ponto, Clark – Mia disse

- E o resto, não lamentas?

- Lamento que as coisas tenham acabado desta maneira, sim – ela confessou – E lamento que tu estejas envolvido nesta história quando não tens nada a ver com o assunto. Não merecias ter passado por tudo isto – acrescentou – Quanto a mim, estou de consciência tranquila, eu não fiz nada

- Mas podias ter feito – ele falou – Podias ter ajudado a que este desfecho fosse diferente. O teu pai vai ser preso e tu podes ser acusada – relembrou

- Não te preocupes, Clark, eu vou resolver esta situação – A médica apenas disse, convicta – Não quero que sofras mais por causa disto

- O que é que vais fazer? – Perguntou, curioso com o que ela acabava de dizer

- Alguma coisa se há de arranjar, a sério – ela apenas disse

- Se me tivesses contado mais cedo, se…

- Clark! – Mia interrompeu-o – Não havia nada que pudesses fazer e agora cabe-me a mim resolver a situação. Apesar de tudo, eu não vou permitir que te magoes mais – explicou – Tudo se vai resolver. Eu não fiz nada, não me podem prender por isso.

- A April ouviu as palavras que o teu pai te disse ao telefone e ele confessou – Clark começou mas a sua palavra foi novamente cortada

- Esquece a April! – Mia falou mais alto, com alguma fúria – Esquece essa miúda de uma vez! Não vês que ela só está a complicar mais a situação, a complicar a tua vida – disparou

- A April não teve culpa de nada, Mia! – Desta vez Clark não deu importância ao facto de estarem num hospital e elevou a voz – A April era namorada do teu irmão e sofreu com a morte dele. E ela queria que eles pagassem, mas não assim. Tudo o que vocês conseguiram foi matar duas pessoas, deixar uma entre a vida e a morte e ajudar a que o verdadeiro culpado continue livre. Tu podes perder a tua carreira, vais ver o teu pai ser preso. Portanto não me parece que neste caso a April seja a grande culpada. – Concluiu

- A vida é tua, faz o que quiseres! – Ela disse-lhe, encolhendo os ombros – Mas gostava que a minha opinião de amiga ainda contasse para alguma coisa. Antes as coisas eram diferentes entre nós, mesmo quando tínhamos problemas, mesmo quando dormimos juntos e depois tivemos aquele constrangimento inicial – lembrou

- Pois, mas antes muita coisa era diferente, não era Mia?

- E de quem é que é a culpa dessas mudanças todas? – Mia perguntou, provocando, e viu Clark abanar a cabeça e preparar-se para sair – Vais ter com ela?

- Vou! – Disse de imediato – Eu sei que para ti a April não vale nada, sei que achas que vai estragar a minha vida mas eu não acredito nisso, Mia – ele afirmou – Eu gosto dela, gosto dela a sério e sei que ela sente o mesmo por mim. Neste momento precisamos de resolver a nossa vida e é isso que eu vou fazer – explicou – E acho mesmo que tu devias tentar fazer o mesmo. Apesar de tudo espero que consigas dar a volta por cima e redescobrir a antiga Mia – desejou, saindo depois do gabinete. A médica deixou-se ficar a olhar para o vazio, a ouvir o silêncio que se tinha instalado e deu por si com o rosto molhado pelas lágrimas que tinha estado a guardar.

Clark saiu do gabinete e foi ter com April, encaminhando-a depois para os exames que tinha a fazer. Enquanto ela esteve dentro da sala, ele aproveitou para adiantar algum trabalho. Quando acabou, April insistiu para que ele a deixasse no café. Precisava mesmo de compensar todas aquelas horas.

- Eu espero por ti – ele disse quando ela ia a sair do carro

- Não faço ideia de quanto tempo vou ficar aqui – ela disse – Vai para casa, a sério

- Mas venho buscar-te mais tarde – ele afirmou

- Eu posso perfeitamente ir a pé para a pensão

- Não precisas de ir para lá, April – ele contrariou – Vem comigo para casa! – Pediu com aquele olhar a que a loira começava a não conseguir resistir. Ela acabou por concordar, acenou e sorriu-lhe. Deixou-o e foi trabalhar. Não sabia como se despedir dele. Com um beijo? Um abraço? As coisas ainda precisavam de ser acertadas. Uma hora depois a rapariga telefonou para casa de Clark a avisar da hora de saída. Ele disse que estaria lá à sua espera. E estava. April foi ter com ele e caminharam até ao carro, seguindo depois para casa. A casa que seria novamente a sua. A casa deles.

...........

Boa noite! Demorou e está um pouco grande mas aqui está ele, mais um capítulo de Amnesia e espero que vocês gostem! A conversa entre a Mia e o Clark está finalmente aqui e as coisas ficaram um pouco complicadas. Acham que eles ainda conseguem recuperar a amizade ou pelo menos conviver no trabalho? Espero que gostem do que escrevi, mesmo a entrar na reta final. Falta pouca coisa para terminar. Obrigada por acompanharem :) Fiquem bem e até ao próximo capítulo!

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