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You And I

13
Jan18

"Amnesia" - Capítulo 34


JustAnOrdinaryGirl

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Algum tempo depois, todos puderam, finalmente, abandonar a sala de interrogatórios e regressar às suas vidas. Com a exceção de Julian. O homem foi levado pela polícia para o estabelecimento prisional onde ficaria a aguardar julgamento. John também foi libertado por falta de provas. No entanto, Lydia queria continuar com a investigação e não iria descansar enquanto não resolvesse o mistério do assassinato de Robert Miller.

April saiu da esquadra ao lado de Daisy. Os pais da rapariga estavam mais à frente e Clark estava mesmo atrás delas. O médico estava ainda a digerir o que soubera há momentos. Como é que era possível não ter percebido que alguma coisa estava errada? Quer dizer, ele sempre soube que Mia não era a maior fã de April, mas sempre achou que fosse por a rapariga ser muito mais nova que ele ou que fosse simplesmente por ciúmes visto já terem tido uma relação. O médico seguia devagar, claramente absorto nos seus pensamentos e April achou melhor não ir ter com ele. Apesar de terem sido o apoio um do outro durante toda a tarde as coisas ainda não estavam resolvidas entre os dois e a jovem não queria tornar a situação ainda mais estranha

- Queres vir connosco para casa? – Daisy perguntou quando chegaram ao carro dos pais – Fazemos como nos bons velhos tempos – acrescentou, um sorriso a querer aparecer

- Tenho de ir trabalhar e além disso tenho o meu quarto na pensão – April disse, negando o convite da melhor amiga

- Até quando é que vais viver numa pensão, April? – Daisy questionou

- Até ter dinheiro suficiente para uma casa ou um quarto num apartamento qualquer – A loira disse, encolhendo os ombros

- Sempre tens a casa do Clark – disse, olhando para o médico que estava agora a chegar ao carro dele – Quando é que vocês se vão entender? – Insistiu no assunto

- Neste momento temos outras coisas em que pensar – April disse, olhando também ela para o médico

- Mas tu gostas dele, não gostas? – A amiga perguntou, vendo o olhar que April lançava a Clark

- Sim, gosto dele – April confessou, as bochechas ligeiramente rosadas – Mas é complicado... – Acrescentou

- Por causa da Mia ou… - Daisy ia falar mas interrompeu o que ia dizer

- Ou? – April insistiu, não queria que a amiga se sentisse mal por perguntar o que quer que fosse

- Agora que recuperaste a memória, já te lembras do que tinhas com o Robert. Achas que isso vai mudar o que sentes pelo Clark? – Perguntou finalmente, esperando pela resposta

- Eu lembro-me do que se passou entre mim e o teu irmão e eu sei que gostava mesmo dele – April começou – Mas eu gosto do Clark, gosto mesmo dele e… Eu gostava de ir ter com ele, de lhe dizer o que sinto. Quero estar com ele, beijá-lo, dar-lhe todo o apoio nesta situação – continuou

- Mas? – Daisy previu

- Mas eu não sei se é isso que ele quer ou precisa neste momento – April confessou – Eu saí lá de casa e despedi-me com uma simples carta. Não sei se neste momento ele precisa que eu me intrometa na vida dele. – Confessou

- Vocês estiveram o interrogatório todo de mãos dadas, ele foi a pessoa que esteve ao teu lado quando te lembraste de tudo. Nota-se a léguas que ele gosta de ti. Ele até levou uma tareia por ti, April. Aliás, ele já fez imensa coisa por ti. Ninguém faria o que ele fez se não gostasse realmente de ti – Daisy constatou o óbvio – Vocês precisam de conversar, de resolver as coisas. Depois tudo será mais simples de enfrentar, mesmo estes problemas com o Julian, com a Mia. Eu ia falar com ele, April – A amiga aconselhou, fazendo April voltar a olhar na direção de Clark. E quando o fez o seu coração começou a bater aceleradamente. Clark estava agora a caminhar na direção delas.

- Olá – disse quando chegou ao pé delas, um pouco envergonhado – April, preciso de falar contigo, pode ser?

- Eu… - April ia dizer

- Claro que pode – Daisy respondeu pela amiga – Na verdade a April estava ainda agora a dizer que não aceitava a minha boleia porque tinha de falar consigo – acrescentou e April quase a matou com o olhar. Daisy acabou por entrar no carro e seguir viagem com os pais, deixando assim April e Clark sozinhos. Os dois começaram a andar em direção ao carro dele. April apenas estava a segui-lo, tentando pensar em alguma coisa para dizer. Mas o quê? Continuou a andar e ele abriu-lhe a porta do passageiro.

- Entra – disse – Temos de ir ao hospital, April – acrescentou ao ver o olhar um pouco confuso da rapariga

- Eu devia ir trabalhar, já faltei a tarde toda – tentou esquivar-se. Estava mesmo nervosa por ter de ficar a sós com ele

- Podes ir trabalhar depois mas primeiro temos de ir ao hospital – Clark insistiu

- Se é por causa da Mia, eu…

- Não tem a ver com a Mia - Ele interrompeu-a antes que ela pudesse terminar a frase – Tem a ver contigo e com o teu bem-estar. Quero apenas que faças uns exames para garantir que estás bem – ele disse e ela acenou, acabando por ceder e entrar no carro. Clark deu a volta e entrou também ele no carro e iniciando a curta viagem até ao hospital. Foram em silêncio nos primeiros minutos – E em relação à Mia… Lamento não ter percebido a verdade. – Acabou por dizer

- Não tens de pedir desculpa, Clark – April disse – Eu trabalhei e vivi com o Julian e nunca pensei que ele fosse pai do Robert, que tinha uma filha e, pior ainda, que era capaz de fazer algo assim – A rapariga confessou – Quando me lembrei que tinha sido ele foi como se… nem sei explicar aquilo que senti. Pior que saber que foi ele, foi ouvi-lo dizer que não se arrepende e tê-lo ouvido dizer o que pensa sobre mim. – Disse, triste ao relembrar as palavras dele – Por isso não tens de me pedir desculpa pela Mia. – Garantiu

- Eu devia ter percebido – Clark insistia – Estudámos juntos, tornámo-nos grandes amigos e até estivemos juntos durante algum tempo – explicou – Ela nunca falava muito do pai e sempre a vi com a mãe. E depois ela nunca gostou de ti… Eu podia ter pelo menos desconfiado de alguma coisa – concluiu

- Seja como for não tens de pedir desculpa – April insistiu – Eu é que devia pedir desculpa – constatou

- Pelo quê? – Ele perguntou, persentindo qual seria a resposta dela

- Por tudo no que te meteste desde que me conheceste – April disse, confirmando o que Clark tinha imaginado que ela diria – Acabei por te arrastar para os meus problemas. Tu levaste uma tareia, foste interrogado e até estás a passar por uma fase má com a tua melhor amiga. Se não me tivesses conhecido não teria feito diferença se ela é ou não filha do Julian – falou

- Quer dizer que estás, basicamente, a pedir desculpa por teres entrado na minha vida? – O médico perguntou-lhe. Nesta altura já estavam a estacionar o carro no parque do hospital. Ele desligou o carro e encarou-a.

- Mais ou menos isso – Ela admitiu. Aquele olhar dele estava a começar a desconcertá-la – Só te trouxe problemas – lamentou, sem conseguir desviar o olhar e sentiu a mão dele na sua face. Como tinha saudades daquilo.

- Se há coisa pela qual não tens de pedir desculpa é pelo facto de teres entrado na minha vida, April – ele assegurou – Naquela noite, quando entraste naquele hospital, eu achava que serias apenas uma paciente que teríamos de salvar. Mas ficaste ali 4 meses, sem reagir, sem nos dar uma pista de que ias sobreviver. Eu sentia que tinha de tratar de ti. Eu sempre fui assim, sempre dei tudo pelos meus pacientes e era isso que estava a fazer contigo. Quando acordaste, sem te lembrares de nada, eu soube que tinha de te continuar a ajudar. Havia algo que não me deixava desistir de ti – ele falou sem nunca desviar o olhar.

- Talvez estivesses com pena de mim…

- Não era pena, eu estava preocupado contigo – Clark confessou – Eu queria ajudar-te. Foi por isso que te ofereci a minha casa. E eu pensava que era apenas esta minha maneira de ser, de querer sempre salvar as pessoas, de as ajudar. Mas conforme conversávamos eu percebia que era algo mais, as coisas estavam a mudar. Naquela noite em que saímos juntos, quando estávamos a dançar, eu senti-me como há muito não me sentia. E se não tivesses saído para ir à casa de banho eu provavelmente tinha-te beijado ali mesmo. – Clark contou e April corou ligeiramente perante tal confissão – Aquele beijo só me fez perceber aquilo que eu já sentia por ti. Eu tentei afastar isso, não só por seres muito mais nova que eu mas por seres minha paciente mas eu não conseguia mais, não depois de nos termos beijado – acrescentou – Por isso nunca, mas nunca, me peças desculpa por teres entrado na minha vida – finalizou a sua declaração e ficou a encará-la. Quando a viu sorrir, sorriu também e, lentamente, aproximou-se o suficiente para lhe beijar os lábios. Foi um beijo suave, mas o suficiente para perceberem como sentiam falta um do outro, como aquele sentimento que os unia era verdadeiro. April correspondeu ao beijo e deixou-se levar, prolongando o beijo até ambos precisarem de respirar. Quando terminaram, permaneceram ali, juntos, as mãos dele no rosto dela. – Volta para casa – ele pediu e ela respondeu com um sorriso e voltou a beijá-lo. – Estou a adorar estar aqui contigo mas vamos mesmo ter de entrar no hospital – Clark interrompeu o momento romântico – Tu tens exames para fazer e eu preciso de ver uns doentes ainda hoje – explicou. April assentiu e saíram do carro, caminhando para dentro do edifício. Lá dentro há poucos segundos foram de encontro a Mia, que lhes sorriu quando os viu, apesar de ter sido um sorriso fraco. Provavelmente a polícia ainda não a tinha notificado. A morena foi ter com eles.

- April, podes ir andando para o meu gabinete? – Clark pediu, olhando para a rapariga, que acenou de imediato – Eu e a Mia precisamos de falar – acrescentou, olhando agora para a médica. Mia e Clark seguiram em silêncio para o gabinete dela.

- Algum problema? A April tinha estado cá por causa de uns exames mas… - Mia começou mas viu a sua palavra ser cortada

- Não estou aqui para falar dos exames da April – Ele disse – Mas se queres saber ela recuperou a memória – anunciou

- A sério? Não fazia ideia mas ainda bem – Mia apenas disse, não esperando de todo o que aí vinha

- Sim, a sério – Clark confirmou – E houve várias revelações – continuou, aguardando uns segundos antes de prosseguir – Quando é que estavas a pensar contar-me que o responsável pelo acidente da April foi o teu pai? – Perguntou e Mia ficou sem chão.

..............

Boa noite! Finalmente temos aqui um novo capítulo que eu espero que vocês gostem! Este foi basicamente a reconcialiação do Clark e da April e uma declaração dele. Foi simples mas deixou já aqui o início de uma conversa complicada entre o Clark e a Mia. Espero que tenham gostado deste capítulo. Muito obrigada por estarem aí desse lado, já lá vão 34 capítulos. Amnesia é a maior história que escrevi até agora (tirando Our Love que teve duas temporadas). Estamos já a entrar na reta final e eu já começo a ficar com saudades destas personagens. Entretanto deixem aí as vossas opiniões :) Fiquem bem e até ao próximo capítulo

 

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