Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

You And I

25
Dez17

"Amnesia" - Capítulo 32


JustAnOrdinaryGirl

Resultado de imagem para hannah murray gif

Desde que April pronunciara aquelas palavras que a sala se mantinha em silêncio, todos os olhares fixos na jovem. Ninguém tinha ainda encontrado as palavras certas para dizer naquele momento. A inspetora observava cada um deles, tentado encontrar algum pormenor desconhecido, um olhar. April não disse mais nada depois daquilo. Sentia-se aliviada agora que todos sabiam. Mas também se sentia nervosa em relação ao que estava para vir. Afinal, ela agora tinha a certeza de que tinha sido John a matar Robert e, ainda mais importante naquele momento, sabia quem tinha provocado aquele acidente que quase a matou. Continuava a sentir a mão de Clark na sua e, apesar de como estavam as coisas entre os dois, aquilo era a única coisa que mantinha sã naquele momento.

- Quer dizer que durante este tempo todo a inspetora sabia a verdade! – Foi John quem quebrou o silêncio e todos os olhares recaíram sobre si – Estivemos aqui a tarde toda para quê? Para se divertir um pouco às nossas custas? – Perguntou, a fúria a crescer no seu olhar

- Nada disso, Sr. Stewart – Lydia disse, serena – Estiveram aqui porque era necessário estarem aqui – começou por explicar – Quando aqui chegaram a April continuava a não recordar-se de tudo – acrescentou

- Acha que acredito nisso? Quer dizer, não se lembra de nada e de repente, como por magia já sabe o que aconteceu? – John não queria acreditar que desde o início a inspetora estava mais perto da verdade do que tinha mostrado

- Mas pode acreditar – Lydia disse-lhe – Mas se tem assim tantas dúvidas, ainda bem que temos um médico entre nós. Dr. Clark importa-se de falar um pouco sobre este assunto antes de voltarmos ao que realmente interessa? – Lydia sugeriu dando assim a palavra ao médico

- Quando a April sofreu o acidente acabou por sofrer danos que lhe provocaram uma amnésia. Os exames nunca mostraram que pudesse ser algo permanente portanto sempre tivemos esperanças de que ela recuperasse por completo – Clark começou a explicar – E isso foi comprovado já que ao longo destes tempos a April tem vindo a recuperar muita informação. As consultas com uma psicóloga têm sido fundamentais no caso dela, muitas memórias voltaram graças às consultas e aos estímulos certos. – Continuou, explicando de uma maneira simples – E foi graças aos estímulos certos que ela conseguiu desbloquear estas memórias que faltavam. Ao ouvir aquelas palavras novamente a April reviveu aquele dia, conseguiu lembrar-se do que tinha acontecido. E era isso que lhe faltava – concluiu, deixando todos esclarecidos.

- Como podem ver é possível recuperar a memória e foi isso que aconteceu com a April – Lydia disse – Espero que tenha ficado esclarecido, Sr. Stewart. A não ser que ache que agora alguma coisa sobre si vai ser desvendada, algo que ainda não saibamos – a inspetora provocou o rapaz

- Está visto que a inspetora gosta muito de fazer insinuações a meu respeito e a respeito das minhas palavras – foi a resposta que John deu – Mas se já sabem as respostas porque é que não as partilham connosco? Estamos todos desertos de apanhar o culpado – disse com algum sarcasmo na voz – Quer dizer, duvido que o culpado esteja realmente ansioso – acrescentou em tom provocatório

- Se fosse a si começava a pensar mais antes de falar – Lydia aconselhou – Mas numa coisa tem razão, John. Nós temos as respostas e vamos partilhar com vocês – anunciou, deixando os presentes novamente agitados – April, quer contar-nos o que aconteceu? Pode começar no momento em que os irmãos Stewart entraram na sua vida, a sua história com o Robert e depois sim chegar ao dia do acidente – A inspetora sugeriu – Assim todos perceberão melhor a história e além disso eu poderei confirmar alguns dos testemunhos de todos os arguidos – explicou

- Eu conheci a Daisy na escola e depressa nos tornámos melhores amigas – April começou, parando apenas alguns segundos para ter a certeza de que nada ficava de fora. Contou o momento em que conheceu Robert e como os dois começaram a namorar. Contou também a história de Adrian e do seu negócio ilegal e falou da relação com John, Thomas e Matheus. Até ali tudo batia certo com o que já tinha sido contado à inspetora Lydia e não houve interrupções. Estava agora na hora de falar na noite da morte de Robert. Era ali que as coisas começavam a ser mais complicadas e que mais verdades seriam descobertas – Desde que o Adrian foi preso que eu, a Daisy e o Robert éramos ameaçados pelo John e pelos amigos – Ao dizer estas palavras a rapariga reparou no olhar que John lhe lançou. Mas não era altura de ter medo ou de recuar. Era altura de, finalmente, fazer a escolha certa: contar a verdade. – Eles queriam que nós fizéssemos alguma coisa, qualquer coisa, que tirasse o Adrian da prisão. Mas não havia nada que pudéssemos fazer, o nosso testemunho estava dado e não podíamos voltar atrás. Ele merecia – John cerrou os punhos com força depois de April ter dito aquela frase – Na noite em que o Robert morreu, era eu quem estava a fazer o turno da noite. Mas o Robert ficou lá pelo café e até recebeu a visita da Daisy. A noite foi normal. No final do meu turno eu saí para despejar o lixo, como já era habitual. Mas o Robert quis ir comigo. Os contentores ficavam num beco e ele ficava mais descansado se me fizesse companhia. E aproveitávamos sempre para estar um pouco sós, longe do barulho e da confusão do trabalho. Nunca demorávamos muito. Tudo estava a correr normalmente até três pessoas se terem aproximado de nós. E nem se deram ao trabalho de esconder a cara, nós sempre soubemos quem estava ali. Começaram com ameaças, a dizer que devíamos ter feito o que eles nos pediram e que agora seríamos nós a sofrer as consequências, que estava na altura de pagarmos pelo que tínhamos feito. O Thomas agarrou nos braços do Robert enquanto o John o espancava. O Matheus segurou-me para que eu não pudesse ir pedir ajuda e para que eu visse o que estavam a fazer ao meu namorado. Eu acho que o John não tinha intenção de o matar, acho que a ideia era apenas mostrar-nos do que eram capaz. Mas mataram-no! Eu teria sido a próxima. Mas por sorte ouviu-se uma sirene e alguém se aproximou daquele beco e eles fugiram. – April tinha os olhos cheios de lágrimas. Quando recuperou contou como foi ter com Julian e como o homem, tal como ela, ficou em choque. Na altura não sabia o motivo, mas agora percebia. Ainda chamaram a ambulância mas não havia nada a fazer. Era tarde de mais. - As ameaças voltaram logo a seguir. Foi por isso que a Daisy teve de ir embora e foi por isso que eu nunca disse a ninguém quem tinha sido. Eles continuavam a fazer ameaças e desta vez os pais da Daisy estavam incluídos. Eu não podia deixar que algo de mal lhes acontecesse. – April explicou o seu silêncio – Eu e a Daisy sabíamos a verdade mas tínhamos pessoas que precisávamos de proteger. Naquele momento o silêncio era a nossa única opção. Mas pelos vistos havia outra pessoa que sabia quem tinha feito aquilo ao Robert. – A jovem estava prestes a contar a verdade sobre o acidente. A sala permanecia em silêncio. Nem a inspetora tinha intervindo.

- E agora é suposto acreditarmos que isto é verdade porque ela de repente se lembra de quem é? Como é que têm a certeza de que ela não está a mentir? – John interrompeu

- Ela não está a mentir, John e tu sabes bem disso – foi Daisy quem falou – Tu confessaste, tu sempre fizeste questão de nos dizer o que tinhas feito – acrescentou

- Sr. Stewart vamos ter calma por favor – Lydia falou finalmente – Além disso, a April ainda não acabou de contar tudo o que sabe – acrescentou

- Não estou com grande vontade de ouvir mais mentiras – John disse, olhando de soslaio para April

- Muito bem, pode sempre esperar numa cela. Vou chamar um guarda – Lydia levantou-se mas April interrompeu-a

- Fica aqui, John – A rapariga pediu, deixando todos surpreendidos – Apesar de tudo, acho que tens o direito de saber quem matou o Thomas e o Matheus. Eles eram como irmãos para ti. Tal como todos querem saber quem matou o Robert, eu sei que tu queres saber quem matou os teus amigos. Sei que achas que fui eu, mas não fui. Por isso, peço-te que por uma vez na vida não fiques contra mim e que oiças a verdade – April falou e John, sem dizer uma única palavra, concordou em ficar ali. Ela tinha razão, ele precisava de saber. – Desde a morte do Robert que eu estava determinada a vingar-me. Não sabia ao certo como, mas eu queria que eles pagassem pelo que tinham feito. Mas nunca me passou pela cabeça matar qualquer um deles. O que eu queria era apanhá-los, descobrir qualquer coisa que os pudesse desmascarar. Só a minha palavra não chegava, ainda não chega. E então, naquela tarde, eu sabia que vocês não estavam no armazém e fui até lá. Queria vasculhar, ver se havia alguma coisa lá que me ajudasse. Quando lá cheguei comecei à procura e de repente ouvi alguém. Eu pensava que era um de vocês e entrei em pânico, não podia ser apanhada. E então escondi-me de trás de um sofá e deixei-me estar. Mas depressa percebi que não eram vocês. A pessoa entrou mas ao contrário de mim não estava ali para vasculhar. Estava ali com um objetivo já definido. Abriu o capô do carro e começou a mexer. O telefone tocou e ele atendeu de imediato. Eu apenas ouvi uma parte da conversa mas consegui perceber do que se tratava. Aquelas palavras não me saíram da cabeça e eu sabia o que ia acontecer. – April parou por um momento, todos os olhares postos nela - Chama vingança, chama justiça, chama o que quiseres. Tem de ser assim, ele tem de pagar e este é o preço. A morte é o preço.A jovem disse aquelas palavras que não fizeram sentido para ninguém – Foram estas as palavras que eu ouvi daquela conversa telefónica. E hoje voltei a ouvi-las e foi isso que me fez lembrar de tudo. Naquela tarde eu continuei escondida. Quando voltei a ficar sozinha abri o capô do carro e confirmei que os travões tinham sido cortados. Peguei de imediato no telemóvel e marquei o teu número, John – Ela contou deixando, mais uma vez, os presentes surpresos

- Não recebi chamada nenhuma da tua parte – o rapaz disse

- Pois não. Antes que eu pudesse carregar no botão para fazer a chamada chegaram o Matheus e o Thomas. Quando me viram ali eles pensaram que tinha sido eu a fazer alguma coisa, que eu estava ali a planear alguma. E estava, mas não aquilo que podem pensar. Eles agarraram-me e nem me deixaram falar. Eu tentei mas eles acabaram por me pôr a dormir. Quando acordei estávamos os três dentro do carro, eu deitada no banco de trás. Fiquei em pânico. Estava a chover e no momento em que acordei já eles estavam a ter problemas em travar, já estávamos em cima daquela curva. Eu apenas tive tempo de gritar para pararem mas não tive tempo de explicar. A seguir estávamos a sair da estrada e depois tudo acabou. Só tive tempo de dizer uma palavra antes de tudo ficar escuro. – April calou-se e esperou ver alguma reação da parte dos presentes. Será que desconfiavam de quem seria o culpado? Continuava a sentir a mão de Clark na sua.

- Quer dizer-nos qual foi essa palavra? O motivo de a ter dito? – Lydia perguntou

- Naquele momento eu apenas tive tempo de dizer um nome – April confessou – Eu disse o nome do culpado. Porque apesar de tudo o que o Matheus e o Thomas tinham feito, apesar de tudo o que o John tinha feito, eu nunca achei que eles devessem pagar daquela forma. Para mim a morte não era o preço. E eu disse aquele nome porque queria que aquele que sobrevivesse, fosse quem fosse, eu ou eles, ou todos, tivessem uma pista. Porque se eu queria vingar uma morte, então eles ou as famílias também tinham esse direito. – A rapariga explicou

- Que nome é que tu disseste, April? – John perguntou, fixando os olhos nela, e percebeu-se que ele tinha os olhos cheios de água – Por favor, diz-me qual foi o nome – suplicou

- Julian – April apenas disse e o silêncio, misturado com raiva e surpresa, inundou aquela sala.

...................

Boa tarde e um Feliz Natal!!! Decidi publicar hoje o novo capítulo como uma espécie de prenda de Natal para vocês. Até porque hoje temos uma revelação na história! Estavam à espera que tivesse sido esta personagem a provocar o acidente? Mas preparem-se porque ainda há uma revelação a fazer. Uma ideia que não tinha de início mas que acabou por surgir enquanto eu escrevia e que nem eu estava à espera. Mas espero que tenham gostado deste capítulo! Deixem todas as vossas opiniões, teorias e afins aqui nos comentários para discutirmos um pouco estes acontecimentos de Amnesia. Mais uma vez desejo-vos um Feliz Natal cheio de alegrias, com muita saúde e rodeados daqueles que vos são mais queridos. Fiquem bem e até ao próximo capítulo!

 

4 comentários

Comentar post