Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

You And I

10
Dez17

"Amnesia" - Capítulo 31


JustAnOrdinaryGirl

ezgif.com-crop.gif

 

John permaneceu calado durante vários minutos. Sentia todos aqueles que estavam na sala com os olhos postos nele. Ele olhava para Lydia e a inspetora olhava para ele.

- Tem a certeza de que não quer dizer nada? – Lydia perguntou sem desviar o olhar por um segundo – Olhe que se confessar será muito melhor – aconselhou mas John permanecia mudo – Muito bem, se prefere assim, eu aguardo. Tenho a certeza de que não aguenta muito mais tempo, Sr. Stewart – concluiu e ele apenas assentiu. Lydia olhou para os seus papéis e depois passou o olhar por todos os presentes. Todos estavam exaustos, com vontade de voltar às suas vidas. E iam voltar em breve. Bom, pelo menos a maioria deles. – Vamos então prosseguir. Alguém quer acrescentar alguma coisa? Algo que não tenham dito antes? – Esperou pela resposta e viu que todos abanaram a cabeça – Sendo assim, vamos lá começar – Lydia sabia que estava prestes a iniciar um monólogo – Um mês depois da morte do Robert, houve um acidente. O condutor e um dos passageiros, o Matheus e o Thomas, morreram no local. A terceira vítima, April Evans, ficou em coma nos 4 meses que se seguiram, tendo depois acordado com amnésia – Assim que terminou a primeira parte fez uma pausa e voltou a passar o olhar por todos os presentes – Até aqui estamos de acordo, certo?

- Sim – Ouviu-se em uníssono, uns a falar mais alto que outros.

- O acidente, de início, foi encarado como isso mesmo. A estrada naquele dia estava perigosa e bastava uma distração para acontecer – A inspetora prosseguiu – Depois de alguma investigação chegámos à conclusão que afinal foi mais do que um acidente. Alguém sabotou os travões do carro e o condutor não o conseguiu controlar, despistando-se. O tempo que fazia naquele dia contribuiu mas foi a falta de travões que tornou o desfecho tão grave. – Olhou para as notas que tinha apontado – No decorrer da investigação fomos reunindo alguns testemunhos, algumas evidências. Quando a April acordou sem memória as coisas tornaram-se complicadas. Uma vez que estava no carro é uma das testemunhas mais importantes, se não a mais importante – Fez uma pequena pausa para beber um pouco de água – John, mais do que uma vez acusou a April de ter causado o acidente. Quer explicar o motivo?

- Eu e os meus amigos tínhamos um espaço, uma espécie de garagem. Eles tinham lá o carro e era onde estávamos todos juntos, onde tínhamos as nossas cenas. No dia do acidente eles encontraram a April lá. Só pode ter sido ela a sabotar os travões – John explicou, olhando depois para April que continuava pálida e calada desde que recuperara a memória

- E que motivo teria ela para fazer tal coisa? – Lydia perguntou mesmo sabendo qual seria a resposta dele

- Simples. Ela queria vingar-se da morte do namorado! – John disse sem rodeios e viu April abanar a cabeça

- Já disse que não fui eu! – April falou pela primeira vez

- Mas diga-me mais uma coisa, John – Lydia prendeu-lhe o olhar – Se ela se queria vingar, então quer dizer que foram vocês que o mataram!– Provocou

- Eu não disse nada disso – John disse de imediato – Ela é que achava que tínhamos sido nós

- Eu tenho a certeza de que foram vocês, eu estava lá – April voltou a falar

- A tua palavra não deve contar lá muito, miúda! Quem é que vai acreditar numa desmemoriada? – O rapaz provocou recebendo o silêncio como resposta

- Já vamos a esse assunto – Lydia apenas disse – Agora quero saber o que fizeram na noite do acidente. Já sei que os pais do Robert e da Daisy estiveram num jantar de família. E isso está provado. No entanto, a meio da refeição, a Sra. Miller saiu da sala por uns momentos. Posso saber porquê? – Lydia esperou que a mulher pensasse um pouco no assunto

- Sim, eu recebi um telefonema importante, tinha mesmo de atender – A mãe de Robert e Daisy respondeu, não dando mais pormenores – Foram apenas uns minutos e depois voltei a entrar na sala. – Acrescentou

- Muito bem – Lydia apenas disse, preparando-se para a pergunta seguinte – O John onde esteve? – voltou a virar as atenções para o rapaz

- Eu nesse dia estive na prisão, fui visitar o meu irmão – John disse sem ter de pensar no assunto – Eu tenho a certeza do que fiz nesse dia, inspetora – Ele acrescentou – Foi o dia em que perdi duas das pessoas de que mais gostava. Não me esqueço – justificou – Depois da visita eu fui para casa, estive com os meus pais. Ia trabalhar quando eles me telefonaram a dizer que tinham visto a April na garagem. – Contou

- E depois pediu-lhes que a levassem até si – Lydia disse – A minha pergunta é porque é que não foi o John a ir ter com eles? – Perguntou, novamente em tom provocatório

- Eu ia trabalhar e apesar de nem sempre parecer aos outros eu gosto de cumprir as minhas obrigações. O dono do bar onde eu costumava fazer umas horas era meu amigo. E eu apenas queria ter uma conversinha com ela, nada mais – John explicou, olhando para April de seguida – Só não sabia que ela tinha feito algo que os fosse pôr em perigo

- Estou a ver – A inspetora falou

- Inspetora, eu seria incapaz de fazer alguma coisa que prejudicasse o Thomas e o Matheus, eles eram como irmãos para mim. – John disse e a inspetora viu a sinceridade daquelas palavras no olhar do rapaz, os olhos a começar a ficar húmidos

- Julian, onde esteve no dia do acidente? - A inspetora decidiu deixar John durante alguns minutos

 - Como sabe eu tinha um negócio próprio – Julian começou – Eu estive a trabalhar o dia todo – continuou – Depois da perda do Robert… a April não estava em condições de trabalhar e o trabalho dividia-se entre mim e o outro empregado. Passei lá o dia todo e também a noite. Apenas saí para ir comprar umas coisas que estavam em falta – contou.

Muito bem. Conseguimos, felizmente, contactar o seu antigo empregado e ele confirmou que o Julian esteve no bar com ele e que apenas saiu por uns minutos durante a tarde e que depois o deixou sozinho enquanto jantou. Jantou no bar? – A inspetora quis saber

- Sim, preparei alguma coisa e depois jantei no escritório – Julian confirmou, acenando também com a cabeça enquanto falava

Daisy… - A inspetora falou agora para a rapariga que estava atenta e nervosa ao mesmo tempo – Foi confirmado que a Daisy estava em Londres, com familiares seus. O que significa que, no dia do acidente, e nos dias que antecederam o acidente, a Daisy estava fora dos Estados Unidos. Também já verificámos o seu registo telefónico e não teve contacto com nenhuma das vítimas nem com nenhuma pessoa aqui presente. Uma vez que não me parece possível cortar um cabo dos travões à distância, isto significa que neste momento, e neste caso, temos a nossa primeira pessoa a ser ilibada a cem por cento – Ao ouvir estas palavras, e apesar de ter a consciência tranquila, Daisy suspirou de alívio. Depois olhou para April que lhe sorriu ligeiramente. – Talvez se estejam a perguntar o motivo de eu estar a deixar de parte o Dr. Clark. Mas a verdade é que ele está aqui apenas como médico e como queixoso em relação a uma sova que apanhou. Mas já lá vamos – Ao dizer isto, a inspetora olhou brevemente para John – Esta tarde vocês têm estado a fazer as vossas “confissões”. E agora é a minha vez de confessar um pormenor que pode mudar muita coisa. – Lydia fez uma pausa e olhou para cada um dos presentes, a curiosidade a aparecer no rosto de cada um deles – April, quer fazer as honras? – perguntou, vendo os olhares agora fixarem-se na jovem ao seu lado

- Sim… - Foi quase um sussurro. April estava nervosa. Tinha estado o tempo quase todo calada e agora cabia-lhe a ela fazer alguma coisa. E a inspetora tinha razão, o que ela ia dizer a seguir ia mudar tudo. Ia ser, pelo menos, o início da mudança – Hoje à tarde, depois de termos estado aqui todos reunidos, quando a inspetora nos deu um tempo para irmos buscar água ou ir à casa de banho, eu fui lá para fora para o corredor… - Fez uma pausa para tentar controlar os nervos que sentia. Sentiu a mão de Clark apertar a sua e ganhou alguma coragem para continuar – Eu ouvi uma conversa, umas palavras. Primeiro bloqueei e apenas conseguia ouvir aquelas palavras uma e outra vez, como se fosse uma espécie de disco riscado. Mas depois… - fez novamente uma pausa e olhou para a inspetora. Lydia acenou com a cabeça, encorajando-a - Eu sabia que aquelas palavras não eram novas, eu já as tinha ouvido antes com aquele mesmo significado – continuou - De repente tudo começou a fazer sentido, tudo na minha cabeça fazia sentido. As imagens, as palavras – Olhou à sua volta, para cada uma daquelas pessoas ali sentadas – As memórias voltaram. Eu lembro-me de tudo! – Depois destas palavras terem sido pronunciadas as coisas começaram a mudar de imediato. Principalmente as expressões dos rostos dos que ali estavam sentados.

...............

Boa tarde! Aqui fica mais um capítulo (com algum tempo de atraso, desculpem!). Eu espero que vocês tenham gostado deste capítulo. Finalmente temos a primeira pessoa que podemos tirar da lista de suspeitos: a Daisy! Achavam que tinha sido ela? Agora vamos ver quem terá sido. Terá sido um dos presentes ou poderá ser alguém de fora, alguém que não esteja ali? E ainda por cima a April confessou que se lembra de tudo. Vamos ver como irão mudar as coisas a partir de agora. Entretanto deixem as vossas opiniões aqui nos comentários sobre os vossos suspeitos, sobre o capítulo, sobre as memórias da April. E obrigada a quem tem lido e comentado e a quem continua com paciência para esperar pelos capítulos!

Fiquem bem e até ao próximo capítulo!

P.S. Em relação à imagem, não é nenhuma das personagens, é a Elena de TVD mas eu já há imenso tempo que tinha este gif planeado para este momento da história e não resisti :P

2 comentários

Comentar post