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You And I

12
Nov17

"Amnesia" - Capítulo 29


JustAnOrdinaryGirl

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- Sabia ou não, Sr. Julian? – Lydia repetiu a pergunta, quebrando assim o silêncio em que a sala mergulhara

- Sim, eu sabia – Julian acabou por confirmar – E o marido dela também sabe – acrescentou – Mas mais ninguém, nem mesmo o Robert – esclareceu

- Porque é que fizeram disso um segredo? – A inspetora questionou

- Quando ela descobriu que estava grávida, ela já estava com o marido, já era uma gravidez de quase três meses e meio. Eu não tinha possibilidades para criar um filho. Quase que não tinha possibilidades de me governar a mim mesmo. Além disso ela amava o namorado. Decidiu contar-lhe a verdade e por incrível que pareça ele aceitou. Eles tinham posses para o criar. E na verdade, com ou sem posses, eu não estava preparado para ser pai – contou, notando-se alguma tristeza – Acabei por ir para fora e deixei-os serem felizes – acabou por dizer e encolheu os ombros

- Com o seu filho… - Lydia disse aquilo em tom de afirmação

- Eu tinha um emprego em vista. Quando voltei para cá, o Robert já tinha 11 anos. Abri o meu negócio e ela acabou por me encontrar. Mais tarde, apenas uns meses depois, eu conheci o meu filho. Decidimos manter as coisas como estavam. Ele era feliz, tinha tudo o que precisava. Tinha até uma irmã. Eu acabei por ser o amigo da família, via-o de vez em quando, estive presente nos aniversários, noutros momentos importantes. Foi bom, apesar de tudo – Julian contou, relembrando os tempos passados. Tempos em que Robert, mesmo não sabendo a verdade, estava perto dele.

- Parece que afinal sempre houve um motivo para lhe ter dado emprego – A inspetora constatou – Porque é que não me disse logo?

- Não achei que esse assunto viesse à baila – Julian encolheu os ombros – Não achei que soubessem – acrescentou

- É um pormenor com bastante interesse, Sr. Julian – Lydia garantiu – Muito bem, por enquanto vamos ficar por aqui – informou

- Por enquanto?

- Sim, daqui nada vou reunir todos os interrogados para uma conversa conjunta – explicou – Peça à menina Miller para entrar, por favor – pediu, ficando depois a observar Julian sair da sala

 

Daisy entrou na sala momentos depois. A rapariga já tinha contado tudo a Clark e sabia que o médico tinha contado à polícia, mas ela nunca tinha estado ali a falar com Lydia. Isso deixava-a nervosa. Sentou-se na cadeira que lhe estava destinada e tentou afastar o nervosismo.

- Bem-vinda, Daisy – Lydia disse, em parte para tornar o ambiente mais agradável – O doutor Clark contou-me o que a Daisy lhe contou. Houve alguma coisa que não tenha partilhado com ele que que acha que eu devo saber? – Perguntou, dando início a mais um interrogatório

- Eu contei tudo ao Clark – Daisy garantiu. Sentia as mãos transpiradas

- Muito bem então – Lydia sorriu, observando a jovem à sua frente. – Quer dizer que confirma que a sua relação com os irmãos Stewart e os amigos era complicada?

- Sim, bastante complicada – Daisy voltou a usar poucas palavras. Os nervos estavam a deixá-la sem saber o que dizer

- Não precisa de estar nervosa, Daisy – Lydia tentou acalmar a rapariga – Não há motivos para isso, pois não? – A inspetora lançou as palavras e esperou pela reação de Daisy. A rapariga apenas olhou para ela, séria, e depois prosseguiu

- A minha relação com o John e os outros não era boa. Na verdade, o Adrian está preso e tanto eu como a April e o Robert fizemos com que isso acontecesse – A rapariga contou – E foi por causa disso que o John decidiu matar o Robert – acrescentou, a raiva a transparecer.

- Tem a certeza de que foi o John? É uma acusação grave e a Daisy não estava lá – a mulher constatou

- Pois não, não estava lá – Daisy confirmou – Mas a April estava e ela contou-me. Além disso o John sempre fez questão de nos dizer às duas que o tinha feito

- Porque é que nunca foi ter com a polícia? Denunciar o que aconteceu… - Lydia perguntou. Sabia a resposta mas queria garantir que nada lhe escapava. Muito menos quando estava tão perto de apanhar os culpados

- Por medo – A rapariga disse sem ter de pensar na resposta – Depois de o Adrian ter sido preso, o John e os amigos avisaram-nos muitas vezes. Queriam que o tirássemos de lá, que fizéssemos alguma coisa. Quando a pena do Adrian foi definida e não havia nada que o John ou o advogado pudessem fazer as coisas tornaram-se muito piores. Mais ameaças. Mas achámos que aquilo não iria passar disso. Mas estávamos errados e o Robert acabou por ser assassinado – contou, as lágrimas nos cantos dos olhos, misturadas com uma expressão de revolta e de raiva – Naquela noite a April teve sorte – acrescentou – E eu também – percebeu

- A Daisy esteve com o Robert nessa noite, certo?

- Sim – admitiu – Ele por vezes ia a casa mas outras vezes era eu que ia ter com eles. Nessa noite eu estive lá mas depois acabei por ir para casa. Foi a última vez que o vi… - a voz quase se lhe sumiu ao dizer estas palavras

- Lamento – Lydia disse, esperando um pouco antes de prosseguir – Nessa noite viu alguma coisa fora do normal, alguém suspeito? – Voltou ao interrogatório

- Estava tudo normal – A loira afirmou – Alguns dos clientes do costume, música, tudo normal…

- E em relação ao trabalho do Robert, da relação dele com o patrão? – Lydia perguntava-se se Daisy sabia de alguma coisa em relação a Julian

- O meu irmão era trabalhador, responsável - ela disse – E a relação com o Julian era ótima. Na verdade o Julian é amigo da família há anos. – Sorriu brevemente

- Sim, já soube – Lydia disse – Houve algum motivo que tenha levado o seu irmão a sair de casa? Afinal ele vivia no café…

- Nós sempre nos demos todos muito bem mas os nossos pais sempre tiveram muitas regras. O Robert queria alguma liberdade, queria ter o seu dinheiro. E claro, passar mais tempo com a namorada, ajudá-la – explicou

- Os seus pais aceitaram isso bem?

- Mais ou menos. No início ficaram um pouco reticentes. Nós não éramos propriamente uns anjinhos, éramos um pouco rebeldes e eles sabia da nossa relação com o John e companhia. Mas depois o Julian teve uma conversa com eles e com o tempo acabaram por aceitar melhor. Não sei o que o Julian lhes disse, foi uma conversa privada. Mas resultou. Além disso o facto de o Julian estar lá deixava-os mais descansados, acho eu. E o Julian sempre teve uma boa relação com o Rob. Ele por vezes parecia agir como se fosse… - Os breves segundos que Daisy parou à procura da palavra certa foram suficientes para Lydia interromper

- Como se fosse um pai? – Perguntou mas Daisy apenas assentiu, não percebendo que havia uma certa verdade naquilo – Em parte o Robert saiu de casa também por causa da April. Nunca a culparam por isso? Ela sempre foi bem recebida

- Eu conhecia-a primeiro e ficámos as melhores amigas. Eu adorava vê-los juntos – Daisy contou – Os meus pais no início, por causa das suas regras, ficaram um pouco reticentes mas estavam a aceitar isso. – Acrescentou

- Muito bem – Lydia olhou para os seus apontamentos – Depois da morte do Robert, a Daisy acabou por se afastar, certo?

- Sim – confessou – Eu não conseguia estar aqui. Não conseguia aguentar as ameaças do John e não conseguia ajudar a April, só a estava a deixar pior – limpou algumas lágrimas teimosas – Talvez devesse ter ficado – acrescentou

- Porque é que voltou?

- Porque achei que estava na hora de encarar a realidade – admitiu – Precisava de apoiar a minha família, a minha melhor amiga…

- Mas quando chegou ela não se lembrava de si

- Pois, infelizmente não – Daisy lamentou – Eu soube do acidente pelas notícias mas não sabia qual era a gravidade da situação

- Se soube do acidente, porque é que não voltou mais cedo? – Lydia questionou e viu Daisy pensar no que dizer

- Sinceramente acho que não tinha coragem de a ver. Não iria aguentar perder outra pessoa sem poder fazer nada. Não tive coragem. Não tive forças – Daisy confessou – Mas depois decidi voltar, estava na hora de deixar de ser uma criança, estava na hora de apoiar as pessoas. Quando cheguei o café do Julian tinha fechado por isso fui ao hospital à procura dela – revelou, deixando a inspetora surpreendida, confusa

- Mas a April não teve outro visitante além do John – Lydia disse, esperando uma justificação

- Porque quando eu estava a entrar no hospital vi o John a entrar também e o medo voltou a falar mais alto. Dias depois encontrei-a por acaso na rua – explicou e Lydia assentiu

- Daisy, eu sei que na altura do acidente não estava cá mas… - pensou na maneira de formular a questão – Naquela noite, a April safou-se. O Robert só estava no café para lhe fazer companhia, ele estava de folga. A Daisy alguma vez culpou a April pelo que aconteceu? Ao ponto de…

- Não! – Daisy disse apenas, não deixando a inspetora terminar e a sua voz soou exaltada

- Muito bem – Lydia deu por terminado mais um interrogatório – Pode aguardar na sala de espera, junto dos outros.

..............

Boa noite! Aqui está mais um capítulo, também ele dedicado a interrogatórios. No início eu não tinha planeado que esta parte ocupasse tantos capítulos mas acabei por preferir assim para não estar a acelerar muito as coisas e depois ficar metade por dizer e não se perceber mais. Mesmo assim espero que tenham gostado :) Afinal o Julian sabia do Robert. Já têm alguma teoria sobre o desfecho de tudo isto? Se têm partilhem aqui nos comentários. Obrigada por estarem a acompanhar. Fiquem bem e até ao próximo capítulo!

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