Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

You And I

04
Nov17

"Amnesia" - Capítulo 28


JustAnOrdinaryGirl

Resultado de imagem para gunther friends gif

Julian entrou na sala de interrogatórios e sentou-se em frente a Lydia. Era a vez de ele ser interrogado. Já tinha estado ali antes, juntamente com todos os outros, mas agora a sala parecia-lhe diferente. Era maior, mais silenciosa, mais assustadora. Viu a inspetora mexer nos papéis em cima da mesa e depois viu-a ligar a câmara de vídeo. Estava na hora.

- Obrigada por ter vindo, Sr. Julian – Lydia começou, suavizando um pouco o ambiente – Já á algum tempo que andamos a investigar este caso e achámos que seria importante ouvir o seu testemunho também. – A mulher continuou

- Claro, no que eu puder ajudar – Ele apenas disse

- Primeiro gostaria que me explicasse qual a sua relação com a April Evans e com o Robert Miller – Lydia pediu, esperando depois que ele respondesse

- A April tinha saído de uma instituição onde vivia e eu acabei por lhe dar emprego no café – Julian começou – Ela e o Robert namoravam e ele deu-me boas referências dela. – Explicou

- Muito bem – A inspetora disse – Isso quer dizer que já conhecia o Robert à mais tempo – ela constatou

- Sim, ele já trabalhava para mim – O homem explicou

- E dava-se bem com eles?

- Sim, sempre nos demos bem. Eles sempre foram dois jovens honestos, trabalhadores, cumpridores. Nunca tive razão de queixa. Foi por isso que os deixei viver no quarto por cima do café – Julian contou, aparentemente descontraído, dadas as circunstâncias

- O Robert foi assassinado num beco perto do café – Lydia recordou e viu Julian assentir – Lembra-se de como foi esse dia? Alguma coisa fora do normal?

- Lembro-me que tanto o Robert como a April estiveram a trabalhar – O homem começou - Fizeram turnos separados. Ele trabalhou de tarde e ela trabalhou de noite. Normalmente fazíamos assim. A manhã era sempre mais calma, eu raramente precisava deles – contou – Quando a April trabalhava de noite o Robert também estava por ali. Outras vezes estava lá em cima no quarto. E até tinha dias que ia a casa dos pais e da irmã. – Lydia assentiu mas esperou que ele continuasse – Nessa noite, pouco antes de fechar, a April foi despejar os lixos e ele acompanhou-a. Ele fazia isso muita vez para ela não ter de ir sozinha. Os ecopontos estavam situados naquele beco. A essa hora o café estava praticamente vazio. – Lydia notou algum tremor na sua voz quando ele voltou a falar – Eles demoraram um pouco mais nessa noite mas eu não dei importância. Eles eram namorados, talvez estivessem apenas a aproveitar um momento a sós, ou talvez a fumar um cigarro – Julian estava claramente arrependido de não ter ido ver deles naquela noite – Momentos depois a April entrou em estado de choque no café. Eu nessa altura já estava sozinho, já passava da hora de fecho. Ela vinha gelada, tinha sangue na roupa, nas mãos. E quando me viu começou a chorar. Fui lá fora e encontrei o Robert estendido no chão, cheio de sangue, inconsciente. Chamei a ambulância mas infelizmente já era tarde de mais. – Julian fez um esforço para não chorar. Era claro que aquilo o afetava bastante mesmo depois de todos aqueles meses.

- Nessa noite não viu nada de suspeito? Alguma conversa, algum cliente? – Lydia perguntou

- Foi uma noite normal – Julian disse – O Robert esteve no café. A Daisy passou por lá nessa noite mas saiu muito antes do sucedido. E ainda bem, não imagino o que teria acontecido se ela estivesse lá naquele momento

- E sem ser nessa noite, alguma vez notou alguma coisa estranha? – A inspetora quis saber

- Lá no café não, eles evitavam levar para lá problemas por ser o local de trabalho – O homem começou – Mas eu sei que eles tinham alguns amigos duvidosos, que tinham alguns problemas e que inclusive um desses amigos acabou por ser preso. Acho que só os vi uma ou duas vezes com eles.

- Sim, a prisão desse amigo está confirmada – A inspetora informou – E nenhum desses amigos passou no café nessa noite, ou andou pelo menos a rondar? – Insistiu neste ponto

- Não vi ninguém suspeito – Julian repetiu – E quando dei com o Robert no beco, quem quer que tenha sido já tinha fugido. Pelo que a April me contou eles assustaram-se com alguém ou com alguma sirene que ouviram. Acho que foi isso que a salvou – acrescentou

- A April teve realmente muita sorte naquela noite – Lydia concordou – Mas não teve a mesma sorte cerca um mês depois – a inspetora declarou – Um mês depois, em dezembro, ela teve um acidente de carro que a deixou em coma até abril deste ano – Lydia contou – Os nomes Matheus e Thomas dizem-lhe alguma coisa?

- Assim de repente não estou a ver quem sejam – Julian disse de imediato

- Eram os nomes dos rapazes que iam com ela no carro. Um deles ia a conduzir e o outro ia no banco do passageiro – A inspetora esclareceu – Eles eram dois dos amigos da April e do Robert – acrescentou, esperando por alguma reação

- Eles eram quatro, provavelmente esses dois pertenciam ao grupo – Julian calculou

- Sim, pertenciam. O terceiro elemento está preso e sobra-nos apenas um, que também está a ser investigado – Lydia contou-lhe

- Isso quer dizer que foi ele? Que matou o Robert?

- Ainda não temos provas concretas de quem foi, é por isso que estamos a interrogar algumas pessoas relacionadas com as vítimas – A mulher esclareceu – Recentemente descobrimos que o acidente da April foi um simples acidente. O carro pertencia ao Matheus e ao Thomas e pelo que soubemos não era suposto a April estar lá dentro. Não passou de um azar. Alguém queria que o Matheus e o Thomas morressem e por isso sabotaram os travões. – Lydia viu Julian arregalar ligeiramente os olhos perante aquela novidade. – Lembra-se de onde estava no dia 18 de dezembro?

- Se bem me lembro estive a trabalhar – Julian disse – Depois do que aconteceu com o Robert, a April não estava em condições. Ela insistiu em ir trabalhar, dizia que a ajudava a distrair, mas eu reduzi os turnos dela e por isso passava os meus dias quase todos a trabalhar – O homem confessou – Mas acha que eu tive alguma coisa a ver com esse acidente?

- Neste momento da investigação esta é pergunta obrigatória a todas as pessoas relacionadas com a April e em especial com o Robert – Lydia disse e o homem assentiu - Tenho apenas mais algumas questões – deu uma olhadela aos papéis para garantir que não se esquecia de nada – Porque é que fechou o estabelecimento?

- Não estava a dar dinheiro, simplesmente por isso – afirmou – E a clientela reduziu bastante quando se soube o que aconteceu mesmo ali ao lado. As pessoas não se sentiam seguras ali.

- Claro, compreendo – olhou para ele por uns segundos – E diga-me, qual era a sua relação com o Robert?

- O que já lhe disse antes, inspetora Lydia. O Robert era funcionário do café de que eu era dono – disse sem mais pormenores

- E porque é que lhe deu emprego?

- Ele precisava de um, queria ser independente, ganhar algum dinheiro – encolheu os ombros – Mas por quê tanta insistência? – Estranhou

- São apenas algumas perguntas, Sr. Julian. E qual é a sua relação com a família do Robert? – Lydia prosseguiu

- A irmã dele ia várias vezes ao café. Além de irmã do Robert, a Daisy é a melhor amiga da April – Ao dizer estas palavras Julian percebeu que a inspetora já tinha conhecimento dessa informação

- Mas também conhece os pais deles, certo?

- Sim – Julian apenas disse

- Eu soube que o Julian e a mãe do Robert frequentaram a mesma universidade – Lydia confessou – E pelos vistos na mesma altura, já que chegaram a ter uma relação – acrescentou e viu que Julian ficou ligeiramente confuso ao saber que a inspetora sabia daquilo

- Sim, mas foi apenas um namorico, uma coisa passageira - Julian não deu grande importância à relação - O que é que isso tem a ver com o assunto?

- Já lhe disse que tudo o que envolve as vítimas interessa para este assunto – Lydia repetiu – E continuam amigos? Falam com frequência?

- Poucas vezes, mas é verdade que voltámos a falar depois de eu ter dado emprego ao Robert. Eu não cheguei a terminar a faculdade e na altura afastámo-nos – Julian acabou por dizer

- Sabe, nestes casos nós temos de investigar tudo. E depois do acidente da April, depois de termos descoberto que os travões tinham sido sabotados, fosse ela o alvo ou não, tivemos de investigar e foi assim que voltámos ao assassinato do Robert, perceber se as coisas estão ligadas. E acabámos por investigar mais sobre o rapaz, sobre o passado dele, a família, tudo. – Lydia fez uma pausa e encarou o homem à sua frente. – O Julian sabia que o Robert Miller era seu filho? – A sala ficou em silêncio, com apenas aquelas palavras a pairar sobre os dois.

 

................

Boa tarde! Aqui fica mais um capítulo com mais um interrogatório? Estavam à espera desta revelação final? Digam-me o que acharam, se acham que ele já sabia ou não. A história está a aproximar-se do fim e estamos quase quase a saber toda a verdade, apesar de ainda faltarem algumas coisas para se ficar a saber mesmo tudo. Mas espero que tenham gostado deste capítulo em que finalmente temos o Julian. Em relação ao gif do início, é o "Julian". Quando pensei nesta personagem foi este o ator que me veio à mente, talvez por ele trabalhar num café em FRIENDS. Ah, e eu disse que o acidente tinha sido em dezembro porque eu comecei a postar a história em abril e no primeiro capítulo tinham passado 4 meses desde o acidente. Achei que assim fizesse mais sentido. Sendo assim, a morte do Robert aconteceu em novembro, mais ou menos um mês antes. Queria apenas esclarecer esse aspeto. Entretanto deixem as vossas opiniões :) Fiquem bem e até ao próximo capítulo!

2 comentários

Comentar post