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You And I

14
Out17

"Amnesia" - Capítulo 25


JustAnOrdinaryGirl

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- Que bom ver as duas amiguinhas outra vez juntas – John disse num tom sarcástico enquanto se sentava à mesa de April e Daisy

- O que é que tu queres, John? – April perguntou, ríspida – Se vens para me chatear, escolheste mal a hora. Estou a trabalhar – informou

- Não me digas que te pagam para conversares com os clientes! – Provocou num tom irónico

- Afinal o que é que tu queres? – Foi Daisy quem perguntou, sem paciência nenhuma para o aturar ou sequer olhar para ele – Para vires aqui de certeza que sabias que nos ias encontrar

- Sempre tão perspicaz, Daisy – ele voltou a rir – Tens razão, eu sabia que vocês aqui estavam – confessou – Sabem, é que desde que a polícia me apareceu à porta a fazer perguntas que eu tenho andado atento aos vossos passos – informou-as, agora num tom mais sério. E ficou feliz ao ver que elas tinham ficado ligeiramente assustadas – Qual de vocês me vai explicar como é que a polícia chegou a mim? – Olhou de uma para a outra

- Não temos nada a ver com isso, John – April disse – Podem ter chegado a ti através do teu irmão, não te esqueças que ele está preso – sugeriu

- Eu não me esqueço disso! – John falou num tom mais agressivo, apesar de estar a falar baixo para que não os ouvissem – Tal como não me esqueço que a culpa é vossa – acrescentou

- Nossa?! – Daisy disse, fazendo-se de desentendida no começo – Que eu saiba não éramos nós que tínhamos um clube ilegal que envolvia prostituição – atirou e viu a fúria crescer dentro de John

- Não falas no meu irmão! – Gritou mas, ao ver que na mesa ao lado as pessoas o olharam confusas, ele voltou a baixar o tom. – Enfim, eu quero que me expliquem qual de vocês as duas falou com a polícia para eles terem vindo à minha procura – pediu, ficando à espera de uma resposta. As duas raparigas ficaram em silêncio – Então, perderam o pio?

- Quem te disse a ti que fomos nós a ir à polícia? – April perguntou

- Quem mais poderia ter sido? – John encarou-a – Vocês querem à força que eu vá dentro, não é? Mas não se esqueçam que fazem alguma coisa contra mim… - calou-se e depois falou quase num sussurro, o mais próximo possível delas – e já sabem que podem acabar mal – avisou

- Tal como acabou o Robert? Ou quase como ia acabando o Clark? – April perguntou, olhando-o nos olhos – É assim que tu resolves as coisas, não? Quando não te agrada a situação, tu fazes com que eles sofram, com que toda a gente à volta dessas pessoas sofra – acrescentou, agora também ela furiosa – Achavas o quê? Que todas as pessoas iam ficar caladas como nós as duas? Nem toda a gente é assim, John. Talvez tenha chegado a um ponto em que te meteste com alguém que não teve medo de ti! – Quando acabou ficou à espera da reação de John, que tinha a certeza de que não ia ser boa

- Estás a falar do teu namoradinho? Foi ele que se chibou, não foi? – Olhou para ela, o rosto a transbordar raiva

- Não sei do que é que estás a falar, John – April apenas disse

- Sabes muito bem que estou a falar do teu querido Clark – John continuou

- Ele não é meu namorado, é meu médico – April continuou, fazendo um esforço para se manter firme ao ouvir o nome do médico sair da boca de John

- Pois, tinha-me esquecido que hoje em dia temos médicos muito prestáveis. Até saem connosco à noite e tudo – John voltou a usar um tom sarcástico – Parece que o aviso não lhe serviu de grande coisa – comentou, mais para si do que para elas – Seja como for, quero avisar-vos de que e melhor estarem caladinhas, vocês as duas – avisou, olhando para April e depois para Daisy – Quem sabe se não tens alguma coisa a perder. Ainda falta resolver o acidente, não é? – Olhava para April

- Ela não fez nada, John! – Daisy falou ao fim de algum tempo calada, falou usando um tom firme – Tu é que fizeste! – Acrescentou, encarando-o

-Já recuperaste a tua memória? – John perguntou a April, ignorando momentaneamente Daisy.

- Não – April disse de imediato – Ainda há muita coisa de que não me lembro, incluindo do acidente e do que se passou depois da morte do Robert – contou

- Então como é que sabes que não foi ela? – John voltou a olhar para Daisy – Foste tu? – Viu a raiva de John voltar a aparecer, desta vez com mais força – Foste tu que mataste os meus amigos e que quase mataste esta aqui? – John encarava Daisy e April fazia o mesmo, sentido medo da resposta que a amiga poderia dar

- Não, não fui eu, John – Daisy disse e aquela resposta fez April relaxar ligeiramente – Eu não sou assim – acrescentou

- Então como é que tens tanta certeza de que não foi a tua amiga a fazê-lo? – Perguntou, notando-se no seu olhar que queria respostas

- Exatamente por ela ser minha amiga, porque a conheço – Daisy respondeu e vislumbrou um sorriso de agradecimento no rosto de April – Porque por muito que ela estivesse a sofrer, por muito que eu estivesse a sofrer, nós não somos assim. É verdade que eles mereciam, tu merecias. Principalmente tu, John. Mataste uma pessoa a sangue frio! – Baixou a voz ao dizer aquelas palavras - Se não tivesse aparecido alguém certamente terias morto uma a April. Tudo por vingança. Porque não aceitaste a realidade. Porque precisavas de culpar alguém pelo mal que aconteceu ao Adrian. Porque achas que as coisas têm de ser feitas à tua maneira. Porque achas que mandas no mundo. Tu merecias realmente pagar pelo que fizeste. Mas mesmo assim nem eu nem a April faríamos algo assim. Nunca! – April e John estavam os dois parados, sem reação a ouvir as palavras de Daisy e viram lágrimas molhar o seu rosto – NÓS NÃO SOMOS COMO TU, JOHN! – Gritou estas palavras e saiu a correr daquele sítio. April ia levantar-se para ir atrás dela mas sentiu-se ser puxada por ele

- Larga-me! – Pediu, controlando o tom de voz – Eu preciso de ir ter com a Daisy, John

- Só te vou dizer isto uma vez, April – John aproximou-se dela – Se alguma de vocês abriu ou abre a boca, vocês sabem do que eu sou capaz – avisou e depois, sem dizer mais nada, deixou-a ir.

April parou no balcão para dizer a Dave que tinha de sair. Ele entendeu e ela saiu dali a correr, olhando para todos os lados à procura da amiga. Ela não tinha ido muito longe. Estava sentada no carro, mesmo à porta do café. April abriu a porta e sentou-se no banco do passageiro. Daisy estava encharcada em lágrimas mas April não disse nada. Esperou que fosse a amiga a dizer alguma coisa assim que estivesse pronta.

- Eu estraguei ainda mais as coisas, não foi? – Foram as primeiras palavras de Daisy

- Não penses assim, Daisy – April disse, abanando a cabeça e virando-se de lado para encarar a outra – O John tinha de ouvir aquilo. Ele precisava de ouvir aquilo. – Pegou na mão da amiga e esperou que ela se virasse para si – A polícia já sabe do que ele é capaz, eles vão ajudar-nos – garantiu, tentando parecer convicta no que dizia

- É só que… desde que o Adrian foi preso que nós andamos nisto. São ameaças atrás de ameaças e depois… ele matou o Robert – Daisy voltou a chorar – Ele matou-o! E nessa altura eu queria tanto que ele fosse preso, tanto! – Parou de falar devido aos soluços. – Mas não podia fazer nada. Porque se fizesse ele iria atrás de outra pessoa, de mim, de ti, dos nossos pais e se calhar até atrás do Julian. Todos nós tínhamos tanto a perder. Eu fiz de tudo para me manter calada, April. Tudo o que consegui. Eu até saí daqui. Era horrível estar em casa, ver toda a gente a sofrer eu sem poder dizer nada. Se dissesse eles seriam os próximos – teve mais um ataque de choro e April puxou-a para si – Desculpa, April! Desculpa se acabei de piorar tudo! – Deixou-se chorar nos ombros da amiga

- Daisy, tu só fizeste aquilo que devíamos ter feito desde o início. – April disse-lhe – Eu não me lembro de metade das coisas mas sei que o John tinha algo contra nós – continuou – E também sei que não tivemos coragem de o enfrentar. Mas tu tiveste essa coragem hoje, Daisy. E não tens de pedir desculpa por isso. Ele matou o teu irmão e tu nunca pudeste fazer nada contra isso. Mas já chega! Temos de parar de ter medo. Quando eu vi o Clark naquele estado, no hospital, eu soube que já chegava. Mas eu não me lembro nem de metade, não conheço realmente o John. Mas tu lembras-te de tudo e aconteça o que acontecer a culpa não será tua. Porque tal como dizes, nós não somos como ele. – April concluiu – Nós vamos resolver esta situação, Daisy. Só precisamos de garantir que mais ninguém saia prejudicado. Nem os teus pais, nem o Clark, nem qualquer outra pessoa que se relacione connosco – Acrescentou

- Como é que fazemos isso? – Daisy perguntou, apesar de estar quase certa da resposta

- Tu já fizeste metade. Enfrentaste o John – April disse-lhe e suspirou – Eu já falei com a polícia, o Clark já falou com a polícia… E amanhã vamos ter de lá ir. Só temos de contar tudo e esperar que a inspetora nos proteja. – Concluiu

- Confias na inspetora? – Daisy perguntou. Naquele momento tinham de ter a certeza de que tinham as pessoas certas do lado delas.

- Sim, confio – April disse, sincera. A inspetora já provara ser competente e, acima de tudo, já tinha John debaixo de olho – Acho que ela nos põe num programa de proteção de testemunhas se for preciso – sorriu ligeiramente – Temos de fazer alguma coisa, Daisy. Está na hora de ele pagar por tudo o que fez

- Tu achas que ele está envolvido no acidente? – Daisy perguntou de repente

- Por muito má pessoa que ele seja, eu já percebi que o Thomas e o Matheus eram das pessoas mais importantes para ele, eram a família dele – April disse, tendo a certeza de que o que dizia era verdade. John podia ser muito má pessoa mas não com os seus – Acho que o responsável por este acidente é outra pessoa – acrescentou

- Mas quem? Tem de ser alguém que os queria fazer pagar pela morte do Robert – Daisy concluiu – Eu sei que não o fizeste, April. Conheço-te o suficiente para o saber. E por muito zangada que eu estivesse com eles, eu não seria capaz de fazer isso. – Daisy garantiu

- E eu acredito em ti, Daisy! – April garantiu, sorrindo à amiga – Mas não faço ideia de quem poderá ter sido

- Tinha de ser alguém que sabia o que eles fizeram por isso os meus pais estão fora de questão – Daisy concluiu, indo por exclusão de partes – E quem o fez, além de odiar o John, tinha de ser chegado ao Robert o suficiente para querer vingar a sua morte – acrescentou, tentando puxar pela cabeça

- Está-nos a faltar alguma coisa – April abanou a cabeça – Algum amigo que o Robert e o John tivessem em comum talvez, algum amigo nosso – sugeriu e viu a amiga a tentar lembrar-se de alguém – Bom, seja como for, a inspetora está a tratar disso e tenho a certeza de que ela vai descobrir. Tem de haver alguma pista. – April acabou por dizer e ficaram as duas em silêncio. Viram John sair do café e baixaram-se no carro para evitar que eles a visse ou pensasse sequer em seguir. Quando ele passou voltaram a sentar-se direitas.

- Ele tem de ter deixado uma pista, qualquer coisa – April comentou

- Ele tem de pagar pelo que fez, o Robert merece isso – Daisy falou e ficaram as duas por mais um bocado antes de April voltar ao trabalho e Daisy voltar para casa.

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Boa tarde! Aqui fica mais um capítulo que espero que gostem :) Este capítulo era para ter já alguma parte do dia em que elas vão à esquadra falar com Lydia. Mas depois com toda esta situação com o John, achei que ficava melhor assim, também para não ficar ainda maior do que já está. Parece que o John não gostou mesmo nada da visita de Lydia e já foi pedir esclarecimentos às duas amigas. E elas pelos vistos decidiram começar a deixar o medo para trás. O que acham que vai sair daqui? Ele não está mesmo para brincadeiras. 

E já têm suspeitos em relação ao acidente? Acham que pode ter sido o John, mesmo arriscando a vida dos amigos? Ou que a Daisy está a mentir? O que a April poderá ter feito alguma coisa e ainda não se lembra? Deixem as vossas opiniões e teorias. Fiquem bem e até ao próximo capítulo!