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You And I

07
Out17

"Amnesia" - Capítulo 24


JustAnOrdinaryGirl

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Tinha passado uma semana desde que April estivera na esquadra da polícia e Lydia ainda não tinha dito nada. Nem um telefonema, nem uma simples pista. Também as suas memórias continuavam desaparecidas. Quer dizer, tinha-se lembrado de algumas coisas mas eram apenas pormenores, coisas que, naquele caso, eram insignificantes.

Desde que saíra de casa de Clark os seus dias eram divididos entre a terapia e o emprego no café. As noites eram passadas no quarto da pensão. E agora nem sabia o que fazer em relação à terapia. Enquanto Clark tinha estado de baixa podia andar no hospital à vontade sem correr o risco de se cruzar com ele num dos corredores. Mas no dia anterior ele tinha regressado. Tinha acabado de sair da terapia quando o viu, a falar com algum paciente. April escondeu-se de imediato e saiu dali a correr. Não ia mentir e dizer que, por uns segundos, teve vontade de correr para ele. Mas e se John aparecesse de repente e decidisse vingar-se novamente? Não podia arriscar.

E agora ali estava ela, no café, atrás do balcão, à espera de alguma novidade. E foi nesse momento que a porta do pequeno café se abriu e ela viu entrar uma cara conhecida. Sorriu e acenou-lhe.

- Dave? – April chamou o seu patrão – Achas que posso fazer uma pausa? Prometo que não demoro e até vou ficar aqui dentro – pediu e ficou à espera até ver um sorriso no rosto de Dave.

- Claro que sim, miúda – Dave concordou – O movimento é pouco, fica à vontade – April sorriu e agradeceu-lhe. Gostava de trabalhar com Dave. Ele era filho dos patrões e era ele quem estava à frente do negócio enquanto os pais estavam de férias. April saiu de trás do balcão e aproximou-se da mesa, levando duas canecas de café e uma cafeteira numa bandeja.

- Daisy – disse com um sorriso, pousando as coisas na mesa – Não estava à espera de te ver por aqui mas ainda bem que vieste – April abraçou a amiga e depois sentaram-se as duas

- Calculo que ainda não saibas onde moro e pensei em vir até aqui, para falarmos – Daisy disse – Como é que tens estado? – Perguntou com alguma preocupação estampada no rosto

- Estou bem – disse apenas – E tu, como tens estado?

- Bem, uns dias melhores que outros – Daisy admitiu, sorrindo fracamente – Já sei que deixaste a casa do Clark – a amiga disse, deixando April surpreendida – Ele esteve lá em casa há uns dias – confessou

- Esteve? Ele está bem? Aconteceu alguma coisa? – As perguntas saíram rapidamente, as palavras atropelando-se umas às outras. April reparou que a amiga estava a fazer um esforço para não se rir – Desculpa – pediu – Mas como é que ele estava? – Repetiu a pergunta

- Estava bem, apesar de algumas nódoas negras – contou – Ele contou-me o que se passou com o John – explicou – E lamento que ele tenha levado por tabela – acrescentou, sincera – Tirando isso acho que ele estava bem. Apesar de ser óbvio que sente a tua falta e de não conseguir disfarçar que está completamente apaixonado por ti – Daisy acrescentou e sorriu ao ver a amiga ficar com a cara da cor de um tomate – Não fiques envergonhada, April, estou apenas a constatar um facto

- É assim tão óbvio? – April perguntou, ainda envergonhada

- Sim, tal como é óbvio que tu também gostas dele – Daisy constatou mais uma vez o óbvio

- Sim, é verdade, eu gosto dele. E custa-me ter de estar longe dele, principalmente depois de… - parou de repente – Desculpa, Daisy – pediu

- Desculpo o quê? – Ergueu uma sobrancelha – Estás a pedir desculpa por me estares a dizer que gosta de alguém? – Daisy estava confusa com aquela mudança de comportamento de April – O que é que foi, April?

- Estou a pedir desculpa porque eu era namorada do teu irmão e ele morreu e eu não quero que penses que o estou a desrespeitar a ele ou ao que tivemos – April confessou, esperando depois que a amiga dissesse alguma coisa. Daisy envolveu as mãos dela com as suas

- April, tu eras namorada do meu irmão e vocês tinham uma relação forte, é verdade – Daisy falou lentamente – Mas ele morreu, amiga. Mas tu não. Tu tens apenas 18 anos e tens todo o direito de ser feliz, de te apaixonares novamente, de viveres a tua vida – ela disse, sorrindo – Eu não vou levar a mal, e muito menos achar desrespeitoso, que tenhas uma pessoa que te faz sorrir, que te faz querer viver depois de tudo o que passaste nos últimos meses – acrescentou e April sorriu-lhe – Vá, e agora continua lá o que me ias dizer – sorriu, aliviando o ambiente – Estavas a dizer que te custa estar longe dele principalmente depois de alguma coisa – lembrou-a

- Bom, naquela noite que saímos e que o Clark bateu no John, nós beijámo-nos – April admitiu e as suas faces voltaram a ficar coradas – E depois eu tive um pesadelo e dormimos juntos – falou depressa, achando que isso ia evitar sentir-se embaraçada

- Uau – Daisy disse, com uma pequena gargalhada – Eu logo vi que vocês não iam aguentar muito tempo a viver juntos sem que nada acontecesse – sorriu, divertida e feliz pela amiga

- Foi apenas um beijo, Daisy! – April disse, removendo alguma da importância

- Dormiram juntos! – Daisy disse mas depressa percebeu que tinha percebido um pouco mal – Oh, quando dizes que dormiram juntos…

- Quero dizer que partilhámos uma cama – April disse – E depois na manhã seguinte apareceu a inspetora e a médica amiga dele – acrescentou, agora também ela a não conseguir evitar uma gargalhada

- E elas perceberam?

- A Mia conhece a casa e acho que nós não disfarçámos muito bem na maneira como olhámos um para o outro. E ele apareceu na sala sem saber que tínhamos visitas – riu

- Tinha saudades, April – Daisy disse de repente, encarando a amiga – Antes de tudo nós éramos assim, exatamente como agora – contou-lhe

- Espero um dia voltar a lembrar-me da nossa relação – April confessou – Eu gostei imenso de falar contigo, é bom ter uma amiga e faz-me pensar que talvez eu até seja uma boa pessoa – acrescentou, sorrindo – Obrigada por me ouvires, por seres minha amiga mesmo sem eu me lembrar de ti.

- Tu és uma ótima pessoa, sempre foste – Daisy piscou-lhe o olho – E por falar em memórias e voltando ao assunto de antes, tenho uma curiosidade – disse e chegou-se à frente, como se de um segredo se tratasse – Quando vocês passaram a noite juntos e não aconteceu nada… foi por que simplesmente não aconteceu ou esqueceste-te de como se faz? – Enquanto fazia a pergunta Daisy reprimiu uma gargalhada. Como estavam tão perto uma da outra, April deu um encontrão em Daisy.

- Não aconteceu porque não teve de acontecer – April disse – Mas obrigada por me teres lembrado de que alguma vez já o fiz – a loira acrescentou e ambas desataram a rir.

- Boa tarde – Daisy e April só deram conta de alguém estava ao pé deles quando ouviram a voz – Estou a ver que estão bem-dispostas – Ambas olharam para a mulher que estava agora a puxar uma cadeira para se sentar com elas

- Inspetora Lydia – April disse, sorrindo à mulher – Esta a Daisy, a minha melhor amiga. Daisy, esta é a inspetora que está a tomar conta do caso do acidente apresentou – Há alguma novidade? – Perguntou, olhando para a mais velha

- Ainda não há muita coisa, mas vamos no bom caminho – Lydia disse – Ao longo desta semana estivemos a analisar o seu depoimento, April. E também o do doutor Clark - contou

- Ele falou consigo? – April perguntou, ficando feliz por saber que ele continuava a querer ajudar

- Quando ele foi lá a casa eu contei-lhe tudo – Daisy interrompeu – Tudo desde que nos conhecemos, tudo sobre o John. Mesmo aquilo que tu ainda não sabes – confessou

- E esse testemunho está a ser muito importante – a inspetora declarou – É bom para o caso haver aspetos referidos por mais do que uma pessoa – explicou – Além disso, já falámos com o John – contou e viu o ar aflito das duas raparigas – Não se preocupem, os vossos nomes não foram mencionados e ele ficou a saber que a April continua amnésica. É uma forma de ele não agir em vingança – descansou-as – Mesmo assim ele vai voltar a ser chamado, tal como vocês as duas e o doutor Clark. E Daisy vou precisar do contacto dos seus pais, para falar sobre o Robert – informou e a rapariga assentiu – Vamos continuar a investigar até chegarmos ao culpado, tanto do acidente como da morte do Robert. Esta semana também falei com o seu antigo patrão – acrescentou

- O Julian? O que é que ele tem a ver com o caso? – Foi Daisy quem perguntou

- Ele era patrão do Robert, conhece a April – Lydia disse, sem mais pormenores – Bem, eu vou pedir-lhes que passem na esquadra amanhã às duas da tarde, pode ser? – Lydia pediu e ambas assentiram. A inspetora despediu-se e, quando estava a sair, um rapaz de boné segurou-lhe a porta. Lydia já ia distraída a iniciar um telefonema e não reparou nele.

April e Daisy estavam prestes a retomar a conversa quando foram novamente interrompidas. Olharam para o rapaz, agora já sem o boné, e um nome ouviu-se em uníssono: John.

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Boa tarde! Aqui fica mais um capítulo. Decidi escrever assim uma conversa de amigas, também para a April e a Daisy se volaterem a conectar e para ajudar a April a conhecer um pouco mais as coisas e as conversas que tinha antes, para ela ver que era uma boa pessoa com uma boa amiga. Depois a parte final do John é já para criar assim algum suspanse para o próximo capítulo! Espero que tenham gostado :) Fiquem bem e até ao próximo capítulo!

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