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You And I

10
Set17

"Amnesia" - Capítulo 20


JustAnOrdinaryGirl

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- A April não é apenas uma hóspede, pai – Clark confessou após uns minutos em silêncio. Pegou na fotografia que tinha estado a ver antes e mostrou-a ao pai

- Uma rapariga bastante bonita – foi o primeiro comentário do mais velho – Mas a cara dela não me é nada estranha – olhou melhor para a fotografia.

- Lembras-te de um acidente que houve há uns meses e no qual morreram dois rapazes e uma rapariga entrou em coma? – Clark perguntou e, quando o pai assentiu, ele decidiu contar-lhe tudo o que acontecera desde o dia em que April entrou naquele hospital, sem esconder qualquer pormenor.

- Pobre miúda, perder as memórias todas de um momento para o outro – Jordan lamentou – Teve sorte por ter encontrado alguém como tu – acrescentou, sorrindo ao filho

- Eu é que tive sorte por tê-la encontrado, apesar das circunstâncias – Clark deu por si a sorrir

- Pois, as circunstâncias… - o sorriso desapareceu do rosto de ambos – Clark, eu percebo que gostas dela mas… - tentou encontrar as palavras certas – Ela tem um passado complicado e basta olhar para o teu estado para perceber isso – disse-lhe – E além disso é uma miúda, tem apenas dezoito anos…

- Quem é que só tem dezoito anos? – Vivianne tinha acabado de entrar no quarto, surpreendendo os dois, que ficaram sem fala – Então, é algum segredo? Jordan, não me digas que tu andas…

- Não é nada disso, mãe! – Clark disse, um pouco horrorizado, impedido que o pensamento da mãe se transformasse em palavras – Nós estávamos a falar… Senta-te, por favor – pediu e Vivianne concordou. Ouviu depois a história do filho com April. Quando acabou de falar, Clark viu a mãe levantar-se e começar a andar de um lado para o outro

- Dezoito anos, Clark? – Claro que era aquele pormenor que preocupava a mãe. Pai e filho entreolharam-se – Clark, ela é uma criança, podes ser considerado um…

- Mãe! – Clark interrompeu-a – A April é maior de idade, de criança ela não tem nada – disse e desta vez foi Vivianne que o interrompeu

- Não quero esse tipo de pormenores, Clark – pediu, um pouco embaraçada

- Não estava a falar nesse sentido, mãe. – Ele explicou – Pensei que ias ficar mais feliz quando eu te dissesse que gosto de alguém – confessou

- Não pensei que fosses sentir-te assim em relação a uma rapariga tão nova, Clark. São catorze anos de diferença e além disso… - Calou-se por um instante mas o olhar do filho incentivou-a a prosseguir – Eu sempre achei que tu e a Mia iam acabar por se entender – acabou por confessar

- E entendemos, mãe – ele disse, sabendo perfeitamente o que a mãe queria dizer – Mas como amigos e não vai passar disso – garantiu

- Já houve dias em que foram mais do que amigos – Vivianne insistiu e Jordan decidiu intervir

- Vivianne, querida… - pôs o seu braço à volta dos ombros da mulher – De tudo o que o teu filho te contou isso é mesmo o que mais te preocupa? – Perguntou, olhando para ela

- É claro que não! – Disse, afastando-se do marido e olhado de modo sério para o filho – Tudo nesta história me preocupa, Clark – acrescentou – Tu não conhecias a miúda de lado nenhum e mesmo assim meteste-a cá em casa e acabaste por ser espancado pela mesma pessoa que matou o namorado dela! – As palavras saíram num tom mais elevado do que era normal em Vivianne – Tens noção de que podias ter acabado como ele? – Perguntou mas sem dar tempo ao filho para responder – Querido, eu até percebo que possas gostar da rapariga, ela é bonita, mas achas que uma paixoneta vale tudo isto? – Desta vez ficou à espera que Clark respondesse

- Não é uma paixoneta, mãe – Clark disse com toda a sinceridade – Eu já gostei de outras raparigas mas nunca como gosto da April. É verdade que temos uma grande diferença de idades e é verdade que não conheço metade do passado dela. Nem ela própria o conhece. Mas se tivesses conhecido esta nova April irias perceber que sim. Sim, vale a pena estar a passar por isto se isso significar que a posso ajudar e que no final podemos finalmente tentar ser felizes – falou e viu como a mãe ficou surpreendida com aquela declaração do filho – Mãe, eu contei-te a história porque achei que devias saber o que penso fazer. Contei-vos porque preciso de apoio, porque merecem saber a verdade sobre o que me aconteceu – Clark disse-lhes – Quanto à minha relação com a April, eu agradeço a vossa preocupação e compreendo mas eu não vou desistir dela – garantiu, pondo assim um ponto final naquela parte do problema

- E o que é que tencionas fazer? – Foi Jordan quem perguntou

- Vou falar com a Daisy, a melhor amiga da April – começou – Vou pedir-lhe que me conte tudo o que sabe, que me ajude com esta história do John e depois vou falar com a inspetora Lydia – informou – Está na hora de saber a verdade e de tentar encontrar pistas sobre a pessoa que sabotou o carro do acidente – acrescentou

- Já paraste para pensar na hipótese de realmente a April ter alguma coisa a ver com isso? – Vivianne perguntou, nada satisfeita por o filho estar metido naquela situação

- Sim, já pensei nisso, mas não acredito nessa hipótese – Clark disse, convicto – A April não faria nada assim.

- Clark, eles mataram-lhe o namorado, a melhor amiga dela teve de sair do país por causa das ameaças deles e ela própria era ameaçada – Vivianne disse – Lamento informar-te mas esses são motivos mais do que suficientes para uma pessoa perder a cabeça e fazer uma asneira

- Eu sei que são, mãe – o médico concordou com a progenitora – Mas eu quero acreditar que a April conseguiu controlar essas ideias por muito que se quisesse vingar. E ela queria. Mas eu não vou deixar de lutar por ela – declarou

- E se se confirmar que foi ela? Eu não te quero a sofrer dessa maneira, querido – Vivianne tinha os olhos cheios de lágrimas

- Há quem faça loucuras quando alguém lhes tira tudo e há quem faça loucuras por amor – Clark começou, deixando os pais em sobressalto – E eu não vou desistir dela, aconteça o que acontecer. Porque se ela realmente fez alguma coisa foi porque tinha motivos para isso – concluiu

- Clark…. – Jordan ia falar mas o filho antecipou-se

- Pai, eu só precisava que vocês soubessem o que se tem passado, não vos estou a pedir para fazerem o que quer que seja – ele garantiu-lhes – Mas precisava que soubessem

- E eu preciso que saibas que podes contar connosco para descobrir a verdade – Jordan disse ao filho e este assentiu

- Mas também queremos que saibas que não te vamos deixar fazer nenhuma asneira, seja qual for a verdade – Vivianne completou a ideia de Jordan – Estamos entendidos? – Clark apenas assentiu e abraçou os pais, sussurrando um obrigado.

Os três decidiram retomar o assunto no dia seguinte, já com as ideias mais definidas, e acabaram por ir descansar algumas horas.

Na manhã seguinte, April acordara com o sol que entrava pelas janelas a bater-lhe na cara. Desde que saíra da casa de Clark que estava a dormir ali na pensão, o sítio mais barato que tinha encontrado tendo em conta o seu ordenado. Naqueles dias tinhas faltado à terapia para evitar dar de caras com Clark no hospital e tinha feito algumas horas extra no café. Gostava de ter trazido algumas coisas de casa dele mas, como não tivera tempo para isso, tinha passado numa loja em segunda mão e tinha arranjado algumas roupas para ir trocando e comprou no hipermercado alguns produtos de higiene e alguma comida. Esperava resolver aquela situação depressa e depois das duas uma: ou era culpada e era presa ou então ficava livre e recomeçaria a sua vida. Se ao menos a memória voltasse!

Respirou fundo e deixou-se de lamentações. Os dias anteriores tinham-na ajudado a pôr a cabeça em ordem e estava na altura de fazer alguma coisa. Pegou nas suas coisas e saiu da pensão, sabendo exatamente onde tinha de ir. O que acontecera com Clark tinha-a feito decidir que estava na hora de deixar de ter medo de John. Podia ir presa mas pelo menos iria estar a deixar outras pessoas fora de perigo. No seu caminho passou perto da casa onde morara até uns dias atrás e, destino ou não, lá estava ele, a sair com um homem e uma mulher, provavelmente os pais. Parecia bem, apesar de tudo. Sentiu uma lágrima na face mas limpou-a. Ele estava bem mas continuava a precisar de fazer alguma coisa. Continuou o seu caminho e apenas parou quando chegou à porta da esquadra local. Voltou a respirar fundo antes de entrar e logo depois dirigiu-se à receção.

- Bom dia. Posso ajudá-la? – Um polícia perguntou-lhe

- Bom dia – ela cumprimentou de volta – Sim, eu preciso de falar com a inspetora Lydia. Ela está a investigar um acidente em que estive envolvida e eu tenho umas informações importantes para ela – April informou e viu o polícia levantar-se e sair de trás da secretária

- Eu vou chamar a inspetora, aguarde só um momento, por favor – Ele disse, começando a caminhar por um corredor. Estava na hora de fazer alguma coisa, fossem quais fossem as consequências.

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Boa tarde! Aqui fica mais um capítulo. Desta vez uma conversa entre o Clark e os pais e ele decidiu contar toda a verdade. No próximo capítulo vamos ter a conversa dele com a Daisy e também a conversa da April e da inspetora Lydia. Espero que tenham gostado e que gostem do que aí vem! Deixem as vossas opinões para eu saber o que estão a achar de tudo o que tem acontecido :) Fiquem bem e até ao próximo capítulo! 

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