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You And I

02
Set17

"Amnesia" - Capítulo 19


JustAnOrdinaryGirl

 

Clark deixou o hospital dois dias depois, acompanhado de alguns analgésicos e de uns dias de férias. Regressou a sua casa com os pais. Quando entrou em casa teve uma breve esperança de que April ali estivesse. Mas não estava. Ali restavam apenas as memórias dos dias em que ela ali vivera, em que os dois partilharam aquele apartamento. Os pais dele tinham decidido ficar alguns dias para lhe fazerem companhia e para o ajudarem no que fosse preciso e evitar assim que ele fizesse grandes esforços. Tudo o que os pais sabiam em relação a April era que a rapariga era apenas a pessoa que alugara o quarto. Clark ainda não tinha entrado em pormenores porque não queria dar motivos de preocupação aos progenitores.

- Vou deixar as nossas coisas no quarto e depois vou preparar alguma coisa para o almoço – a mãe de Clark, Vivianne, informou e começou a andar em direção ao quarto alugado por April

- Vocês ficam a dormir no meu quarto – Clark disse ao ver onde a mãe ia – Esse quarto é o que está alugado – acrescentou

- Ah, é verdade – Vivianne disse – Não me estava a lembrar que tinhas um hóspede – lembrou-se de Clark lhe ter falado que dividia casa – Mas nesse caso tu dormes onde? – Perguntou, sabendo que no apartamento apenas existiam dois quartos

- Eu durmo no quarto da April – informou e viu os pais olharem um para o outro, confusos – Ela não está cá… de momento… mas tem as coisas todas lá dentro – explicou – No meu quarto ficam mais à vontade – acrescentou, sorrindo-lhes, apesar de não ter grande vontade de sorrir

- E ela não se vai importar que invadas o seu espaço? Podemos dormir na sala, querido – a mãe sugeriu

- Não é preciso, mãe, não haverá problema algum – Clark disse e Vivianne e o marido, Jordan, acabaram por ir colocar as suas coisas no quarto de Clark. Já este deixou o saco com as suas roupas junto ao sofá.

Depois de instalados, Vivianne preparou o almoço e os três sentaram-se à mesa. A mãe era uma excelente cozinheira e, apesar de tanto Clark como April se safarem bem na cozinha, o médico tinha de admitir que tivera saudades dos cozinhados da progenitora.

A refeição foi quase toda acompanhada por simples conversas, nas quais Jordan e Vivianne contaram ao filho alguns pormenores dos seus dias em casa e no trabalho. Clark já lhes tinha contado, embora sem grandes pormenores, o que lhe acontecera e portanto esse assunto não voltou a ser abordado. Os três acabaram por passar a tarde em casa. Enquanto Clark e o pai se sentaram no sofá, Vivianne decidiu fazer uma pequena limpeza a fundo. Ao jantar, Clark decidiu levar os pais a jantar fora e a dar uma volta pela cidade. Apesar do que acontecera com April, era bom ter ali os pais e foi bom espairecer um pouco. Quando voltaram a casa, os pais foram dormir e Clark decidiu finalmente entrar no quarto dela. Entrar ali deixou-o a pensar na noite em que as coisas mudaram, no beijo que partilharam, na noite que passaram ali, juntos, por causa de um pesadelo que ela tivera. Ela tinha mesmo deixado tudo ali, como se pensasse em voltar um dia. E era isso que fazia Clark ter mais vontade de lutar, de descobrir mais sobre ela. Olhou em volta e reparou que a caixa que April decidira manter fechada, já estava aberta. Não resistiu em espreitar e reparou que, logo no cimo, estava um diário. Aberto. Numa situação normal, sabia que era errado ler o diário de outra pessoa. Mas aquela não era uma situação normal. Provavelmente April descobrira o diário antes de decidir ir embora e para o ter deixado ali, das duas uma: ou não tinha nada de especial, ou ela não o tinha chegado a ler. Abriu e leu a primeira página: Ofereceram-me um diário. Uau! Aqui na instituição acham que escrever me vai fazer bem, me vai fazer refletir. O que é que é suposto escrever? A minha vida? Tenho de começar com aquele piroso “Querido diário”? Querido diário… nah, nada para escrever.

April apenas voltou a escrever dias depois, já mais simpatizante com a ideia de ter um diário, pelos vistos. Querido diário, talvez seja bom ter um caderno para desabafar afinal de contas. As miúdas daqui são umas santinhas. Se falo com elas das minhas coisas ainda ficam chocadas. Não tenho amigas aqui e acima de tudo NÃO QUERO ESTAR AQUI! Porque é que não posso ter uma vida normal? Uns pais? Uma casa? Treta de vida!

April passou a escrever sobre os seus dias, sobre a escola e o dia-a-dia na instituição. Depois escreveu sobre o dia em que conheceu Daisy e ganhou uma amiga, uma em quem podia confiar e que segundo ela alguém tão maluco como ela. Havia coisas sobre as suas aventuras juntas mas o diário deixou tanto de ser um local de desabafo mas sim um local onde ela escrevia o melhor que lhe acontecia, como as coisas tinham mudado e como tinha arranjado coisas que lhe diziam que valia a pena viver. Depois contou como conheceu Robert, o que sentiu, como se apaixonaram. E Clark sentiu ciúmes. Mesmo sabendo que Robert morrera, Clark sentiu ciúmes de como as coisas eram tão simples com ele. Depois havia passagens de como tinham começado a namorar, alguns pormenores dos seus dias. Escreveu como conheceu John, como as coisas tinham mudado outra vez. Contava também como se tornara rebelde novamente, como sair à noite e namorar eram as coisas que mais gostava. Robert era uma boa influência mas fazia com que ela excedesse alguns limites e quebrasse algumas regras da instituição, mesmo quando ele a tentava impedir. E depois John e o irmão tinham aparecido. Aos 18 anos mandaram-na embora e foi viver com o Robert num quarto por cima do Julian’s. Gostava de Julian, um homem de 40 anos. Mas por vezes ele parecia estranho, parecia querer saber tudo. Mas talvez fosse apenas preocupação porque eles estavam ali a morar e ele tratava-os como se fossem seus filhos. Depois as confusões com John tornaram-se maiores. A minha vida estava tão bem até estes tipos terem aparecido. Havia aventuras e éramos rebeldes sim, mas as coisas eram simples e divertidas. Agora tudo mudou. Tenho medo agora que o irmão do John foi preso. Ele prometeu vingar-se e eu sei que ele é capaz disso. Mas a prisão dele foi merecida. Pena não ter sido apanhado mais cedo.

O que escrevia no diário era cada vez mais vago. Como se não lhe apetecesse ou se simplesmente tivesse medo que alguém lesse. O que não permitia que o diário fosse grande ajuda. De repente April deixou de escrever outra vez. E quando voltou a escrever as coisas tinham mudado novamente. A minha vida acabou. Eles mataram-no. O meu Robert morreu às mãos daqueles nojentos. Apetece-me desaparecer, ir para junto dele. Nada faz sentido agora. Mas eles vão pagar pelo que fizeram. Têm de pagar. Nem que seja a última coisa que eu faço na vida! Eles vão pagar!

Depois as páginas seguintes estavam todas riscadas e notava-se que tinham sido riscadas com força, como se ela tivesse estado a descarregar a raiva que sentia. Naquele momento também Clark estava irritado. April não merecia ter passado por aquilo, ninguém merecia. Mas aquelas últimas palavras. A maneira como ela se queria vingar. Sentiu um aperto no peito. Seria possível? Tentou afastar aqueles pensamentos e pensou na única pessoa que o podia ajudar a compreender o que faltava, aquilo que o diário não contava: Daisy. Começou a vasculhar as caixas com esperança de encontrar alguma lista telefónica, mas nada. Teria de esperar pelo dia seguinte. Ia preparar-se para dormir quando viu uma foto dela na mesa-de-cabeceira. Ficou a olhar para ela, tão inocente, com um sorriso que o fazia querer que ela ali estivesse. Como é que uma rapariga que conhecia há tão pouco tempo o deixava assim. Estava a observar a fotografia quando o pai entrou no quarto.

- Desculpa, devia ter batido antes de entrar – Jordan desculpou-se de imediato ao ver a expressão do filho. Depois reparou na foto que Clark segurava – Vinha perguntar onde tens os comprimidos para dores de cabeça – explicou a sua visita – Clark, está tudo bem? – Acabou perguntar, sabendo perfeitamente que não estava – Essa fotografia que tens na mão…

- É da April, estava… caída no chão – tentou disfarçar

- Se fosse apenas uma fotografia caída no chão não estavas assim, Clark – Jordan constatou – Filho… esta rapariga que vive contigo… ela é mais do que uma simples hóspede, não é? – Perguntou, percebendo pela expressão de Clark que tinha adivinhado – Bem me parecia. Eu sei que há algum tempo que não temos assim uma conversa destas, em que tu desabafas as tuas preocupações mas… eu sou teu pai e sabes que podes conversar comigo, seja o que for que te preocupa e eu já percebi que há alguma coisa que não nos contaste – disse-lhe e Clark assentiu. Talvez precisasse mesmo de falar com alguém. Talvez o pai o pudesse ajudar a resolver a situação. O pai percebeu que o filho concordava com a sua sugestão e sentou-se na cadeira da secretária. A noite ia ser longa.

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Boa tarde! Aqui fica o capítulo desta semana que, apesar de simples, tem aqui algumas partes importantes. O Clark acabou de ler o diário da April e, apesar de não ter sido grande ajuda, fez com que ele decidisse contactar a Daisy e contar a verdade ao pai dele. Vamos ver como correm as coisas. Além disso, o diário não revelou muita coisa, mas talvez possa ter deixado alguma ideia. O que está em itálico foi o que ela lá escreveu. Bem, espero que tenham gostado e já sabem, deixem aqui as vossas opiniões :) Fiquem bem e até ao próximo capítulo!

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