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You And I

26
Ago17

"Amnesia" - Capítulo 18


JustAnOrdinaryGirl

 

Clark acordou algum tempo depois, noite dentro. Abriu os olhos lentamente, ajustando a visão à fraca luz emitida por um candeeiro colocado em cima da mesa junto à cama. Sentiu o corpo dorido e lembrou-se do que lhe acontecera. Dois tipos atacaram-no, apareceram não sabia de onde. Depois de lhe terem batido, e mesmo antes de ter perdido os sentidos, um deles tirara o capuz que lhe tapava a cara e dissera “Para aprenderes a não te meteres comigo”. Clark lembrava-se de que a última palavra que ele próprio disse antes de desmaiar foi o nome do atacante: John! Afastou aqueles pensamentos e reparou que não estava sozinho. Quando se acordava depois de uma situação daquelas era bom ter alguém ali, uma cara conhecida. Olhou para ela, que o encarava, e sorriu-lhe.

- Mia… - disse baixinho

- Bem-vindo de volta – Mia disse. Levantou-se e aproximou-se da cama onde ele estava deitado – Como é que te sentes? Queres que chame o médico? Tens dores? Queres que te ajuste a cama? Ou as almofadas? – A médica falava quase em automático e Clark apenas olhava para ela, divertido

- Mia… - Chamou-a, fazendo-a parar – Eu estou bem… dadas as circunstâncias – acrescentou

- Afinal o que é que aconteceu? – Ela perguntou, ainda sem saber ao certo o que tinha acontecido ao melhor amigo – Assaltaram-te?

- Não me levaram nada – Clark começou. Não ia dizer mais nada mas Mia merecia saber. Afinal, estava ali e ele tinha noção de que ela estava preocupada e aflita com a situação – O que me fizeram foi por vingança, Mia – acabou por confessar, vendo a boca de Mia formar um “O”

- Como assim vingança? O que é que tu fizeste? – Não esperava ouvir uma coisa daquelas, sempre pensara que não tinha passado de um mero assalto

- Lembras-te do John? – Perguntou e esperou que Mia se recordasse daquele nome. Quando ela assentiu, ele continuou – No outro dia ele meteu-se com a April e eu acabei por lhe dar um murro. Esta foi a forma que ele arranjou para se vingar – contou, deixando Mia espantada e furiosa ao mesmo tempo

- Eu sabia que ela ainda te havia de trazer problemas, Clark – disse, zangada

- Mia… - tentou interrompe-la, mas sem sucesso

- Não, Clark – Mia voltou a falar – Não a conhecias de lado nenhum mas sabias que ela tinha um passado desconhecido. E aquele John nunca inspirou confiança a ninguém, nem mesmo a ela. Eu avisei-te para teres cuidado, para não agires como se soubesses tudo sobre ela. Mas não me deste ouvidos, levaste-a para tua casa e olha no que deu. Tens noção de que isto podia ter acabado de outra maneira não tens? – Perguntou no final do sermão e viu que Clark inspirou com força

- Mia, a April não me obrigou a fazer nada e não teve culpa do que aconteceu – ele contrariou o que Mia acabara de dizer – Eu bati no John porque quis, não porque ela me pediu. E voltava a fazer o mesmo se aquele cobarde se voltasse a meter com ela – acrescentou

- Tu podias ter morrido, Clark! – A morena gritou – Não vês como a tua vida mudou desde aquele maldito acidente?

- Aquele acidente foi horrível para a April e fê-la perder o que lhe restava – Clark continuava a defender April, fazendo Mia abanar a cabeça – E eu lamento que isso lhe tenha acontecido, porque ela merece ser feliz. Mas no meio disto tudo, houve uma coisa boa. Eu pude conhecer a April e tu sabes o que ela significa para mim, Mia. – Ele falava, recordando os momentos que tinha passado com a jovem – E por falar nisso, já a avisaste do que tinha acontecido?

- Sim, avisei – Mia disse, sem qualquer ânimo – Eu liguei para tua casa e também avisei os teus pais, eles estão a caminho – acrescentou – Mas se soubesse que a culpa de estares aqui é dela, nunca lhe teria dito – disse

- Mia! – Clark repreendeu – Ela está cá no hospital?

- Veio para cá assim que eu telefonei e esteve aqui um bocado, depois da operação, e até o médico ter vindo verificar como estavas – contou

- Podes chamá-la? Gostava de estar um pouco com ela – pediu

- Clark… - A médica começou, mas ele não deixou que ela o chamasse

- Mia, tu sabes perfeitamente o que eu sinto por ela e neste momento eu preciso de a ter aqui comigo, por favor – repetiu o pedido

- A April esteve aqui mas já não está – Mia acabou por explicar – Depois de eu lhe ter pedido para sair para que o médico viesse ver como estavas ela foi para a sala de espera – explicou – Quando lá fui para chamá-la, a rececionista disse que ela tinha saído e que apenas deixou isto para ti – tirou uma carta do bolso da sua bata – A rececionista disse que chorou enquanto escrevia a carta – deu o pedaço de papel a Clark – Lamento, mas eu acho que ela se foi embora – disse-lhe – Talvez tenha percebido que a culpa de estares aqui é dela – acrescentou

- Deixa-me sozinho, Mia, por favor – apenas pediu. Tinha a carta nas mãos. Mia saiu e Clark ajeitou-se na cama, desdobrando o papel que April escrevera. Eram muitas palavras, pensou. Respirou fundo e começou a ler.

 

Clark,

Por muito difícil que seja escrever estas palavras, não me posso pôr com rodeios. Antes daquele acidente, a minha vida era uma porcaria. Eu não tinha ninguém. Talvez tivesse a Daisy, mas já tinha perdido tanto que ela não era certamente suficiente. Não me lembro de muita coisa, mas uma pessoa que perdeu o namorado, que não tem família, que tem inimigos, que foi expulsa de uma instituição não deve ser certamente a pessoa mais feliz do mundo. E depois veio aquele acidente e quase morri. Talvez tivesse sido o melhor, mas então não te teria conhecido. Ao longo de 4 meses lutaste por mim, acreditaste que valia a pena que eu vivesse. E continuaste a fazê-lo depois de eu acordar. Nunca conseguirei agradecer-te o suficiente, mas obrigada! Obrigada por me teres mostrado o que é ser feliz, o que é ter uma casa e alguém que se preocupa contigo. Tinhas apenas a obrigação de me tratar enquanto tua paciente mas fizeste muito mais que isso. Não me lembro do que é ter alguém que goste de nós, mas tu mostraste-me o que isso é. Estar contigo fez-me tão feliz. Fizeste tanta coisa boa por mim e eu nunca me vou esquecer. Quero que saibas que vou estar sempre grata por isso e que gosto imenso de ti. E é por gostar tanto de ti que não posso continuar aqui. Não posso permitir que o que te aconteceu se volte a repetir. Não posso permitir que sofras, que quase morras por minha causa. Por muito que eu goste de ti, que queira estar perto de ti, não posso. Tenho de pensar em ti e não apenas em mim e na minha felicidade. A única maneira de te proteger é afastar-me. Talvez se as minhas memórias voltarem eu descubra a verdade sobre o acidente, sobre o John, sobre tudo. Mas até lá esta é a única forma de evitar mais problemas. Acho que vou contar à polícia o que o John me disse, sobre achar que a culpa é minha. Preciso de fazer alguma coisa, não posso permitir que o John magoe mais alguém por minha causa. Deixei tudo em tua casa, não tive coragem de lá ir. De certeza que algo me faria mudar de ideias. Podes deitar fora o que quiseres. Espero que compreendas. Talvez um dia os nossos caminhos se voltem a cruzar. Mas peço-te que não pares a tua vida por minha causa. Sê feliz, tu mereces. Com todo o meu amor, April.

 

Quando acabou de ler as palavras escritas por April, Clark tinha os olhos cheios de lágrimas. Começou a amachucar a carta mas depressa parou, endireitando-a e apertando-a junto ao peito. Afinal, aquelas eram as últimas palavras que tinha dela. Magoava-o que ela se tivesse ido embora, mas não conseguia estar chateado. Afinal, ela tinha desistido da vida que tinha construído nos últimos tempos apenas para o proteger e isso só fazia com que ele gostasse ainda mais dela. Limpou as lágrimas. April tinha tomado a sua decisão e agora estava na hora de ele tomar a sua. Iria fazer de tudo para que os seus caminhos se voltassem a cruzar.

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Boa tarde! E aqui fica mais um capítulo que eu espero mesmo que vocês gostem! Este é, sem dúvida alguma, o capítulo mais triste até agora, por causa desta carta. Enquanto escrevia a carta, eu coloquei-me no lugar da April, a escrever estas palavras, e no lugar do Clark, a lê-las, e acabei com lágrimas nos olhos. Mas este era um ponto importante na história porque as coisas voltaram a sofrer uma reviravolta com esta decisão da April. Vamos ver como corre! Deixem as vossas opiniões aqui nos comentários! Fiquem bem e até ao próximo capítulo!!

 

P.S. Eu tinha a carta escrita num tipo de letra que parecia escrito à mão, mas aqui no blog não consegui colocar. Depois, guardei como imagem, mas quando carreguei para o post, ficava desfocado e acabei por colocar assim. Vou tentar depois publicar a foto da carta "original" para vocês verem. 

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