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You And I

19
Ago17

"Amnesia" - Capítulo 17


JustAnOrdinaryGirl

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April não via Clark desde a manhã do dia anterior, quando o médico saiu com Mia para irem correr antes do turno no hospital. Depois disso, April ficara em casa com a inspetora Lydia, foi à consulta com o terapeuta e foi trabalhar. Depois de ter terminado o seu turno regressou a casa com a esperança de que Clark lá estivesse. Queria falar contigo sobre o que tinha acontecido ao longo das 24 horas anteriores. Mas ele não estava. Talvez tivesse ficado a fazer um turno extra no hospital. Decidiu tomar um banho quente enquanto aproveitava para relaxar um pouco. Mas era difícil relaxar quando tinha mil pensamentos na cabeça. De repente lembrou-se das caixas que Lydia lhe trouxera da antiga casa e lembrara-se que ainda lhe faltava ver uma. A terapeuta aconselhara-a a ver uma de cada vez para não correr o risco de receber muitas emoções ao mesmo tempo. Mas precisava de respostas mais do que nunca. Apressou o banho e foi para o quarto apenas enrolada na toalha. Já tinha aberto o saco que continha apenas roupa, sapatos e coisas do género. Também já tinha aberto uma das caixas, uma que apenas continha alguns livros, uns CDs e pouco mais. Faltava apenas uma. Respirou fundo e abriu finalmente a caixa.

- Uau! – Disse um pouco desiludida ao ver o conteúdo da caixa – Tanto tempo à espera e afinal é só isto – falou para si própria. April não sabia ao certo o que esperava encontrar. A caixa apenas continha um álbum com fotografias – suas, de Daisy, com um rapaz que lhe pareceu ser Robert, algumas fotos tiradas na escola e na instituição. No fundo estavam outros livros e lá bem escondido estava um diário. Aquilo talvez fosse interessante. Vestiu um pijama qualquer e sentou-se na cama, pronta para tentar descobrir alguma coisa. Antes disso ainda foi à cozinha preparar uma sandes para jantar. Ouviu a sirene de ambulância ali perto. Mas não ligou. Estava habituada a ouvir aqueles sons com frequência desde que ali morava. Mais tarde veio a descobrir que deveria ter dado mais atenção àquela ambulância.

*****************

Mia tinha ficado para um turno extra nessa noite. E agora precisava de uma pausa e de um café bem forte. Estava a voltar do bar quando deu conta do aparato em frente à porta das urgências. Estava habituada a ver entrar dezenas de pessoas todos os dias por aquela porta, muitas vezes trazidas de ambulância de locais de acidentes, assaltos. Mas por qualquer motivo parecia que os médicos estavam mais preocupados do que o costume. Mia esticou-se para tentar perceber o que tinha acontecido. Não dava para ver grande coisa, estavam vários médicos e enfermeiros de volta da pessoa. Aproximou-se mais e, para sua sorte, um dos bombeiros que tinham chegado com a ambulância começou a dirigir-se à receção para dar entrada da vítima. A médica conhecia aquele bombeiro, cruzaram-se várias vezes naquele local e davam-se bem.

- Drew? – Mia chamou-o, sorrindo-lhe ligeiramente

- Oh, olá Mia – ele cumprimentou de volta, mas não sorriu

- Porque é que parece estar tudo em grande alvoroço? – Perguntou, voltando a espreitar para os médicos de volta do paciente, agora a passarem por uma das portas do hospital

- Não sabes o que aconteceu, pois não? – Drew perguntou, fazendo Mia olhá-lo de novo, abanando a cabeça – Houve um acidente, um espancamento e… foi o Clark – Drew continuou a falar, a explicar como Clark estava mas Mia parecia que já não estava ali. Os sons amplificaram, parecia que o chão lhe tinha fugido de debaixo dos pés e o café que tinha na mão entornou-se pelo chão. – Mia? Mia? – Ela ouviu chamar o seu nome e depois uma mão sobre o seu ombro fê-la despertar – De certeza que ele vai ficar bem – Drew tentou confortá-la, mas de nada serviu. Mia olhou para o chão sujo de café e depois para o bombeiro à sua frente. Ele deve ter dito alguma coisa, mas ela não ouviu as palavras, apenas correu pelas urgências seguindo o mesmo caminho por onde os médicos tinham levado o amigo.

Os médicos não deixaram Mia entrar. Compreendiam que ela queria ajudar mas o seu estado de nervos só ia desajudar. Não teve outro remédio se não esperar que a chamassem, que lhe dessem alguma novidade. Tinham passado quase duas horas, duas intermináveis horas, quando um dos seus colegas veio ter com ela.

- Como é que ele está? A operação correu bem? Ele vai ficar bem? – Todas as perguntas saíram ao mesmo tempo sem que ela as controlasse – Diz-me a verdade, por favor – pediu, suplicante

- O Clark foi fortemente atacado, o que lhe provocou vários hematomas e feridas – O colega de Mia, chamado Henry, explicou – Ele ficou inconsciente e foi uma vizinha que chamou a ambulância, ele foi atacado muito perto de casa – continuou, vendo as lágrimas que Mia tentava esconder – Ele teve uma hemorragia e por isso é que o operámos. Apesar de ainda estar sob os efeitos da anestesia tudo aponta que ele vai ficar bem – Henry sorriu a Mia, transmitindo-lhe alguma força – Se quiseres ligar aos pais dele ou a qualquer outra pessoa… ainda nenhum de nós deu a notícia de que ele aqui está – informou e a morena acenou

- Obrigado Henry – Mia disse, sorrindo ligeiramente – Por terem tratado dele e por me teres avisado – acrescentou – Eu vou ligar aos pais dele, eles têm de saber – afirmou – E a April – lembrou-se de repente

- April? – Henry perguntou, tentado lembrar-se de onde conhecia o nome – Esse não é o nome daquela rapariga que esteve em coma? – Perguntou, confuso – O que é que ela tem a ver com o acidente do Clark?

- A April está a viver em casa do Clark, alugou um dos quartos do apartamento dele – Mia contou, escondendo alguns dos pormenores – É melhor informá-la visto que ele não vai voltar a casa nos próximos dias – acrescentou

- Claro – Henry apenas disse. Era óbvio que estava já a formar ideias na sua cabeça – Bem, eu vou deixar-te entrar e estar um pouco com ele. Se houver algum problema manda chamar-me, pode ser? – Mia assentiu e Henry deixou-a sozinha. Abriu a porta do quarto onde tinham posto Clark e entrou sem fazer barulho. Custava-lhe tanto vê-lo naquele estado, vê-lo naquela cama de hospital quando normalmente é ele quem está a cuidar dos doentes. Olhou para ele por uns minutos e depois afastou-se, marcando o número de casa dele. April atendeu ao segundo toque.

#Início da Chamada#

- Estou? – April falou do outro lado – Quem fala?

- Olá, April, é a Mia – a morena disse

- Oh, olá doutora Mia – cumprimentou, sorrindo mesmo que a outra não a estivesse a ver – O Clark ainda não chegou – informou

- Eu sei – Mia disse – Eu liguei para falar contigo

- Comigo?! – Perguntou, surpreendida – Mas aconteceu alguma coisa? – Para que é que Mia iria querer falar com ela? Não eram amigas, apesar de não se darem mal

- É o Clark – Mia começou – Ele estava quase a chegar a casa quando foi atacado e espancado e está aqui no hospital – Mia deu a notícia e April ficou em pânico, os olhos a encherem-se de lágrimas

- Ele… ele está bem? – Conseguiu perguntar

- Vai ficar – a morena tentou descansá-la – Achei que devias saber o que aconteceu. Se quiseres vir ao hospital, pergunta por mim quando chegares. Eu posso levar-te ao quarto dele – informou-a

- Obrigada – April apenas disse e desligou o telefone. Pegou nas chaves de casa e saiu a correr. Começou a andar até encontrar um táxi que a levou ao hospital.

#Fim da Chamada#

Quando chegou, os seus pensamentos estavam a mil. Pediu para chamarem Mia e esperou por ela na sala de espera. Mal viu a médica correu para ela. Ouviu-a dizer-lhe o que acontecera com Clark e ouvia-a explicar-lhe que ele iria ficar bem e que estava livre de perigo. Depois seguiram as duas por um corredor e Mia indicou-lhe que entrasse no quarto, apesar de não se poder demorar muito. Quando abriu a porta e o viu naquele estado foi como se o coração se lhe partisse em mil bocados. O homem que durante 4 meses cuidara dela e a ajudara a manter-se viva estava agora naquela situação.

- Clark… - sussurrou o nome dele quando se sentou à beira da cama e lhe pegou na mão – Quem me dera ter tomado mais atenção àquela ambulância – admitiu, lembrando-se das sirenes que ouvira mais cedo naquela noite. Deitou-se ao lado dele, fazendo cuidado com os fios do soro e afins. Deixou-se ficar por algum tempo, sempre a segurar a mão dele, até que Mia a veio chamar.

- Vou precisar que saias um bocadinho, está bem? – A morena informou – O médico precisa de confirmar se está tudo bem – explicou

- Claro – April concordou, já de pé, ao lado de Mia – Ele ainda não acordou…

- É normal – Mia descansou-a – A anestesia é forte e além disso o soro também o faz dormir. Ele vai ficar bem, April – a médica colocou-lhe uma mão no ombro, confortando-a – Vai até à sala de espera, bebe alguma coisa e depois eu chamo-te – aconselhou e April saiu, deixando os médicos trabalharem

Tirou um café de máquina e umas bolachas e começou a caminhar em direção à sala de espera. Parou a meio, quase entornando o café. A caminhar em direção a si estava a pessoa que não queria ver naquele momento. E então ela lembrou-se. Imagens da noite em que foram sair vieram-lhe à cabeça. E apenas uma cara sobressaía. John. Clark estava ali porque John se vingara dele. Só podia ser isso. E agora John estava mesmo ali à sua frente.

- April! – Exclamou, como se estivesse feliz por vê-la – Estares aqui só pode significar uma coisa – John disse em tom vitorioso

- Tu não tinhas o direito, John – April quase gritou – O Clark…

- O teu namoradinho meteu-se com a pessoa errada, querida – John disse, furioso – E sabes o que acontece quando se metem comigo. Basta lembrares-te do Robert – avisou – Considerem isto um aviso – ameaçou, e estava tão próximo dela – Para a próxima o teu querido médico vai fazer companhia ao outro – e virou-se, deixando April ali no meio, a tremer, não apenas de medo mas de raiva. Respirou fundo, tentando pensar no que faria a seguir. E soube que só havia uma coisa a fazer. Caminhou para a receção.

- Boa noite – cumprimentou, fingindo um sorriso – Será que me podia dar um papel e uma caneta, por favor?

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Boa tarde! Aqui fica mais um capítulo e espero mesmo que vocês gostem! Parece que o John não lida nada bem com as pessoas que se metem no seu caminho e o Clark percebeu isso da pior maneira. O que é que acharam deste final? Deixem as vossas opiniões aqui nos comentários :) E muito obrigada a quem tem acompanhado! Fiquem bem e até ao próximo capítulo! 

 

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