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You And I

13
Ago17

"Amnesia" - Capítulo 16


JustAnOrdinaryGirl

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April tinha perdido a conta ao número de voltas que tinha dado na cama desde que se deitara. Era de esperar que, depois de uma saída à noite e de ter bebido, se sentisse cansada e com sono mas isso não estava a acontecer. Tinha sido uma noite cheia de emoções e isso estava tudo a dar-lhe a volta à cabeça. A conversa com John deixara-a, uma vez mais, a pensar no tipo de pessoa que era antes do acidente. E depois ainda havia Clark e a maneira como a defendeu de John e o beijo que tinham partilhado na cozinha. E que beijo. April sempre o achara uma ótima pessoa, um bom amigo, alguém que gostava de ter por perto. E também admitia que o achava atraente. Mas nunca o tinha visto como mais do que isso, como mais do que médico, amigo e colega de casa. Mas agora aquele beijo não lhe saía da cabeça e tinha quase a certeza de que se Clark não tivesse interrompido o beijo e o momento que estavam a ter ela não se teria importado de continuar.

Clark não estava melhor. Deu volta atrás de volta na cama e o sono continuava sem aparecer. Depois de April o ter deixado na cozinha foi para o quarto e tentou dormir, tendo em conta que iria trabalhar no dia seguinte. Mas não adiantava. Aquela noite não lhe saía da cabeça, o beijo não lhe saía da cabeça. A rapariga no quarto ao lado não lhe saía da cabeça. Quando conheceu April no hospital via-a apenas como mais um dos seus pacientes, alguém que tinha de ajudar a recuperar. Quando ela acordou sem se lembrar de nada passou a vê-la como mais do que paciente. Passou a vê-la como uma miúda que precisava de ajuda, de alguém que a ajudasse a encontrar um rumo, de alguém que a fizesse acreditar que as coisas iam resultar, que a sua vida iria voltar. Mas desde que ela se tinha mudado para sua casa também as coisas entre eles tinha mudado. Tinham passado a ser amigos, confidentes. E agora mais uma vez a relação entre eles estava a mudar e ele não sabia o que fazer. Não estava apaixonado mas tinha noção que não via April como a miúda que conhecera no hospital meses antes. As coisas tinham mudado e tinha noção que, depois de que acontecera, as coisas nunca voltariam a ser iguais.

April acabou por adormecer uma ou duas horas depois. Mas o seu sono foi inundado por imagens. Imagens daquela noite, onde estava feliz e divertida, imagens de noites das quais não se lembrava. Viu John, primeiro como sendo apenas um rapaz que ali estava presente e depois como alguém que a seguia, que a ameaçava. E viu Robert. Ele estava ali à sua frente, tão nítido. Os cabelos num tom de loiro mais escuro do que o da irmã, Daisy. Era alto, tinha os olhos verdes. Era tão lindo e parecia-lhe tão perfeito. Quando ele se aproximou mais dela, April reparou que algo mudara. Os seus olhos estavam muito abertos, tentava dizer alguma coisa mas as palavras não saíam. E depois ele caiu e apareceu John e mais outros dois rapazes. Estava de volta àquele beco e as palavras “Vais pagar por isto” ouviram-se. Mas quem é que as tinha dito? Era a voz dela ou tinha sido outra pessoa? O sonho mudou mais uma vez. Agora viu-se dentro de um carro. Estava no banco de trás, deitada. Abriu os olhos e estavam dois rapazes à frente – Matheus e Tom percebeu. Tentou dizer qualquer coisa, dizer-lhes que parassem, que a deixassem sair mas não adiantava de nada. Estava a chover, a velocidade aumentava cada vez mais. Ouviu-se um grito e a seguir April estava sentada na cama, encharcada em suor e com Clark a seu lado, a repetir o seu nome para a trazer de volta à realidade. Olhou em volta, respirando mais calmamente à medida que se apercebia de que estava em segurança. Viu os olhos de Clark fixos em si, cheios de preocupação e abraçou-o com força. Ele tomou-a nos seus braços sem fazer qualquer pergunta. Ela desfez o abraço e encarou-o.

- E se fui eu? – Perguntou. O medo era claro na sua voz – E se fui eu que sabotei os travões e os matei? – Começou a chorar e Clark pegou-lhe no rosto

- Não podes ter sido tu, April – tentou confortá-la – Não acho que sejas capaz de uma coisa dessas – acrescentou, limpando-lhe agora as lágrimas

- Tu não me conheces, Clark – a rapariga abanou a cabeça – Nem eu própria me conheço – disse – Eu podia ser uma pessoa totalmente diferente antes do acidente – sugeriu – E eu acabei de ter um pesadelo… Eu sei que vi coisas no sonho que podem ter sido apenas isso, um sonho. Pelo menos a morte do Robert não foi exatamente como aconteceu mas… no sonho havia coisas que eram memórias, eu sei isso e alguém dizia que eles iam pagar por tudo… - April contava ao rapaz tudo o que vira durante aquele pesadelo – Eu tenho medo, Clark! – Admitiu

- Eu sei que tens – Clark compreendeu – E eu sei que não te lembras de muita coisa mas eu sei que não podes ser muito diferente do que és agora – disse-lhe – Tu és uma boa pessoa. Também sei que não tiveste uma vida fácil mas daí a quereres a morte de alguém…

- Eles mataram o Robert, Clark – April insistia naquela hipótese

- E tu achas que isso te levaria a tentar matá-los? Tu ias no carro, podias ter morrido – Clark tinha dificuldades em pensar naquele cenário

- Talvez tivesse valido a pena – April recomeçou a chorar – Pelo que já percebi a minha vida era ou é uma merda. Eu não tenho família, fui expulsa de uma instituição, vi o meu namorado ser assassinado. Talvez fosse melhor estar morta do que ter aquela vida – dizer aquelas palavras custava-lhe mas era o que pensava

- Não digas isso! – Clark quase gritou. Ao ver o olhar dela pegou-lhe nas mãos e fixou-lhe o olhar – Não quero que penses assim, April – pediu, agora num tom de voz mais calmo – Eu sei que não tiveste uma vida fácil e lamento imenso que tenhas passado por tanta coisa. Mas morrer não é a solução. E eu sei que o acidente te tirou muita coisa mas sobreviveste, foi-te dada mais uma oportunidade e tens de aproveitá-la. E eu vou estar aqui contigo e ajudar-te em tudo o que for preciso – disse-lhe e April notou que uma pequena lágrima tinha aparecido no canto do seu olho – Mas por favor nunca mais digas que seria melhor morreres! Por favor! – Pediu

- Obrigada, Clark – April acariciou-lhe o rosto e sorriu – Achas que… importas-te de ficar aqui comigo? Tenho medo que os pesadelos voltem e não quero estar sozinha – pediu e ele sorriu. Enfiou-se dentro dos lençóis e ficaram deitados lado a lado. Apesar de estar um pouco insegura, April acabou por se chegar mais para junto dele e deitou e Clark envolveu-a com um braço, permitindo que a loira deitasse a cabeça no seu peito. Ambos acabaram por adormecer e April conseguiu passar as horas seguintes sem pesadelos a atormenta-la.

Na manhã seguinte, April acordou com o som insistente da campainha. Abriu lentamente os olhos e deparou-se com Clark. Continuavam como tinham adormecido. Ela com a cabeça no peito dele e ele com um braço à sua volta. Mas agora April tinha também tinha um braço à volta dele e as pernas estavam entrelaçadas. Olhou para ele durante uns segundos e sorriu. Talvez houvesse mesmo bons motivos para estar viva. Largou-o com cuidado para não o acordar e saiu do quarto. A campainha tocou mais uma vez e, quando abriu a porta, April deu de caras com Mia e com a inspetora Lydia.

- Bom dia – cumprimentou as duas e fez-lhes sinal para que entrassem

- Bom dia, April – Mia cumprimentou, sendo a primeira a entrar – Desculpa se te acordei mas tinha combinado com o Clark irmos correr antes do nosso turno

- Tudo bem, Doutora Mia – April sorriu

- Entretanto encontrei a inspetora Lydia lá em baixo – a médica justificou o facto de terem chegado juntas

- Há alguma novidade, inspetora? – April perguntou, perscrutando o rosto da polícia

- Na verdade vinha apenas saber como está a amnésia – Lydia informou – Será que podemos falar um bocadinho? – Perguntou

- Sim, claro – April concordou – Doutora Mia, quer que eu chame o Clark ou…?

- April? – Antes que a rapariga pudesse continuar e antes que Mia tivesse tempo de responder, a voz de Clark foi ouvida e as três viraram-se na direção do som. Clark apareceu na sala apenas em boxers, sem saber que tinham visitas – April…  - parou ao ver as outras duas – Mia, inspetora Lydia… bom dia – cumprimentou – Desculpem, eu não sabia que tínhamos visitas – disse um pouco embaraçado. Desviou o olhar para April e a rapariga mordeu o lábio. Em parte para conter uma pequena gargalhada perante o embaraço de Clark e em parte porque também ela estava um pouco envergonhada por pensar na possibilidade de as outras duas perceberem que alguma coisa se tinha passado entre os dois.

- A doutora Mia veio ter contigo por causa da vossa corrida – April informou e o médico desviou o olhar para Mia percebendo de imediato que a amiga estava a juntar as peças – E a inspetora veio falar comigo – informou, fazendo Clark assentir.

- Muito bem… - Clark disse – Queres que fique contigo?

- Não, podes ir fazer a tua corrida, eu fico bem – April respondeu e sorriu, mordendo novamente ao lábio ao vê-lo sorrir de volta

Depois de Clark ter ido vestir qualquer coisa saiu com Mia, deixando April com Lydia.

- Então April, alguma memória nova? – Lydia perguntou sem rodeios como já era costume

- Tenho-me lembrado de algumas coisas, sim – a jovem admitiu – Mas são apenas algumas memórias que talvez não tenham interesse para o caso – começou e percebeu que a inspetora queria mais – Reencontrei a minha melhor amiga, a Daisy, que na verdade era irmã do Robert meu nam… ex-namorado – contou – Reencontrámo-nos por acaso e ela contou-me algumas coisas sobre mim – acrescentou – E também falei com o John, ele… - parou para pensar no que havia de dizer. Será que devia contar tudo? Acusar John da morte de Robert? E se depois John se vingava e ia falar das suas suspeitas? E se ele tinha razão e ela era a culpada? Estaria disposta a correr o risco de ser presa? – Ele apenas confirmou algumas coisas que eu já sabia e falou do Robert – acabou por dizer. Por enquanto era melhor assim. – Também sei que no dia do acidente acordei no carro e depois lembro-me de gritar – decidiu contar esta parte – Inspetora, eu tenho-me lembrado de algumas coisas e acredite que quero lembrar-me de tudo mas tal como diz o Clark e a terapeuta vou ter de ter paciência – concluiu

- Esse pormenor de ter acordado no carro pode ser muito importante – Lydia admitiu – Fico contente que estejas a querer colaborar com a investigação – a inspetora levantou-se e April fez o mesmo – E em relação ao Clark?

- Dividimos casa e somos amigos – April disse de imediato

- Dá para ver – Lydia olhou-a com atenção – Ele é muito mais velho e tu…

- E eu sou maior de idade – April interrompeu – Não se preocupe, inspetora. O Clark tem sido uma grande ajuda e eu estou aqui de livre vontade. Não tem de se preocupar. – Lydia assentiu e seguiu April até à saída.

*******************

- O que é que se passa entre ti e a April? – Mia perguntou quando terminaram a corrida e se sentaram num banco de jardim – E não digas que não se passa nada porque eu sei que se passa – acrescentou antes de Clark poder negar

- Nós fomos sair ontem à noite e… O John apareceu por lá e… eu e a April acabámos por nos beijar – confessou e sentiu-se corar

- E dormiram juntos – Clark percebeu que Mia não estava a perguntar mas sim a afirmar

- Não dormimos juntos, Mia – negou de imediato

- Eu conheço a tua casa, Clark, e de manhã tu vinhas do lado do quarto dela, em roupa interior… e depois a maneira como olharam um para o outro – Mia disse

- Tudo bem, eu dormi no quarto dela mas não aconteceu nada – confessou – A April teve um pesadelo e eu fiquei com ela, mais nada – acrescentou

- Tens de ter cuidado, Clark – Mia alertou – Tu não a conheces bem

- O suficiente para me preocupar com ela – Clark disse com um brilho nos olhos

- Dizias que eram apenas colegas de casa, que não se passava nada, mas afinal… - a morena disse

- Na altura não se passava nada mas as coisas mudaram – admitiu – Eu comecei a ver a April de maneira diferente. Não paro de pensar nela, gosto de falar com ela, não me importo de ter um turno a menos para poder passar mais tempo em casa. Eu não me tinha apercebido disso, ou pelo menos afastava essa ideia mas depois de ontem, depois de a ter beijado, eu percebi que há alguma coisa entre nós e…

- Oh, Clark… tu estás completamente apaixonado por ela – Mia disse e Clark olhou-a. Mas houve qualquer coisa no olhar dela que o deixou culpado.

- Desculpa, Mia – ele disse e ela ergueu uma sobrancelha – Eu não devia estar a falar disto contigo, não depois do que já se passou entre nós – explicou

- Não tens de pedir desculpa, Clark – Mia descansou-o – O que se passou entre nós já lá vai e eu quero que sejas feliz com alguém de quem gostas e que goste de ti. Mas também sabes que eu me preocupo contigo e que tenho medo de que saias magoado desta história porque não a conheces bem. E além disso a vossa diferença de idades ainda é grande – explicou a sua preocupação

- A diferença de idades não é um problema, ela é maior de idade e eu quero realmente ver como correm as coisas entre nós. Aquilo que eu senti quando a beijei… eu sei que ela sentiu alguma coisa – Clark disse e Mia sorriu-lhe. Levantaram-se e caminharam em direção ao carro de Mia, para depois seguirem para o hospital.

Tanto Mia como Clark fizeram os seus turnos no hospital. O dia foi calmo, sem nada de muito complicado. No final do dia, Mia ofereceu-se para levar Clark a casa mas ele negou, dizendo que ainda tinha de passar pelo supermercado antes de ir para casa.

O médico já ia a entrar no bairro onde morava quando sentiu alguém atrás de si. Acelerou o passo. Talvez fosse apenas impressão sua, mas tinha quase a certeza que alguém estava a segui-lo. Tirou o telemóvel do bolso mas, antes que o pudesse usar, sentiu-se ser agarrado e empurrado contra uma parede. Antes que tivesse tempo de fazer qualquer coisa ou de gritar por ajuda foi atirado para o chão e murros e pontapés começaram a ser disferidos por todo o seu corpo. Algum tempo depois perdeu os sentidos.

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Boa tarde! Antes de mais nada, mil desculpas por não ter publicado na semana passada! Tenho estado a trabalhar e o fim-de-semana passado foi cheio de coisas para fazer. Mas agora as coisas estão mais organizadas e aqui têm um novo capítulo :) Espero que gostem e deixem aqui as vossas opiniões! Acham que a April tem culpa do acidente? E o que acham do que tem acontecido entre ela e o Clark? Mais uma vez, espero que estejam a gostar :) Fiquem bem e até ao próximo capítulo!

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