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You And I

22
Jul17

"Amnesia" - Capítulo 14


JustAnOrdinaryGirl

 

 

- O que é que queres, John? – April voltou a perguntar, desta vez com um tom de voz mais firme. O rapaz estava mais próximo dela e estava a controlar-se para não deixar o pânico transparecer

- Calma miúda vim apenas falar contigo – ele disse. Tinha um sorriso na cara e estava ainda mais próximo

- Seja o que for que tenhas para me dizer aposto que não precisa de ser dito comigo trancada numa casa de banho – desviou o olhar para a porta da casa de banho, a qual John tinha trancado ao entrar – Vamos lá para fora – pediu

- Não, aqui estamos melhor, mais à vontade – Levou a sua mão ao rosto da rapariga, acariciando-a ao de leve com os nós dos dedos. Ela afastou-se dele com alguma repulsa – Já recuperaste a memória? – Perguntou de repente com um ar sério

- Lembrei-me de algumas coisas, sim – April admitiu, encarando o rapaz à sua frente – Mas queres saber se já me lembro de alguma coisa em especial? Algo que tenha a ver contigo? – Perguntou, provocando

- Para estares a fazer essas perguntas de certeza que sabes quem eu sou – John percebeu e inspirou. Depois aproximou-se novamente dele até estar a apenas uns milímetros do seu rosto – O que é que tu sabes?

- Sei o suficiente para te impedir de me fazeres mal – avisou, tentando ao máximo parecer confiante

- Ai é? – ele perguntou e notava-se que estava a perder a paciência – Queres dar-me algum exemplo?

- Sei perfeitamente que sabes do que estou a falar, John – ela disse – Sei perfeitamente que por algum motivo andavas a ameaçar o Robert e que depois dele começaste a ameaçar-me a mim e à Daisy – contou – Contaram-me isso e apesar de não me lembrar, tendo em conta que foi uma pessoa de confiança que o fez tenho a certeza de que é verdade – continuou enquanto John a olhava, a raiva a notar-se no olhar – Mas há uma coisa de que me lembro muito bem infelizmente – sentiu os olhos picarem-lhe só de pensar no assunto – Eu lembro de te ter visto a ti e aos outros dois que morreram assassinar o Robert. Mesmo à minha frente – Por muito forte que estivesse a tentar ser não pôde evitar que uma lágrima lhe escorresse pelo rosto. Assim que acabou de falar sentiu uma das mãos de John agarrá-la no pescoço e foi empurrada para trás, contra os lavabos.

- Por causa do teu namoradinho o meu irmão está preso! – Gritou aquelas palavras enquanto continuava a segurar April pelo pescoço e viu a cara de espanto de April – Disso não te lembravas, pois não? Mas é a verdade, o teu querido Robert fez com que o meu irmão fosse preso e tu e a Daisy têm tanta culpa como ele, em especial a tua amiguinha – atirou aquelas palavras como se tivesse nojo dela – Mas enfim, depois logo te lembras disso, não vou perder tempo com pormenores – acrescentou

- Se o teu irmão está preso alguma coisa fez… - April falou mas o facto de ter dito estas palavras só fez com que John se enfurecesse ainda mais e a empurrasse mais para trás – John…

- Não falas do meu irmão, entendido? – Disse num tom ameaçador – E se fosse a ti, antes de sequer pensares e usar essas tuas memórias contra mim, esperavas até te lembrares exatamente de tudo, em especial do acidente – aconselhou – Não sei se sabes mas os tipos que morreram eram como irmãos para mim. Crescemos juntos, as nossas famílias são bastante próximas. Quando o meu irmão foi preso sempre me apoiaram. – Contou e April sentiu que o aperto da mão dele à volta do seu pescoço diminuiu um pouco, talvez por causa da emoção – Por acaso sabes porque é que estavas naquele carro com eles, no dia do acidente? – Perguntou de repente

- Já te disse que não me lembro de nada relacionado com o acidente, apenas tenho uma lembrança de me ver dentro do carro – April falou com alguma dificuldade por causa da mão dele à volta do pescoço. Ele largou, segurando-a antes pelos braços

- Fomos à tua procura uns dias depois do funeral – começou – E quando falámos contigo tu disseste que nós íamos pagar por tudo o que tínhamos feito. Que te ias vingar da morte do Robert, do facto de a Daisy ter ido embora por causa de nós, por causa de todas as ameaças. E no dia do acidente quando o Matheus e o Tom – John parou ao ver o ar de confusão dela – Era como os meus amigos que morreram no acidente se chamavam – acrescentou, retomando depois o rumo da conversa – Quando eles chegaram à garagem deles, onde estávamos sempre, encontraram-te lá. Estavas lá dentro quando eles apareceram e foste surpreendida. Eles puseram-te a dormir e puseram-te dentro do carro.  Depois a ideia era levarem-te para algum beco onde eu ia ter com eles para nos dares algumas explicações. Pelo caminho eles mandaram-me mensagem a contar o que tinha acontecido, para onde te iam levar e a pedir-me para os encontrar lá. Mas nunca chegaram. O que chegou foi a notícia de um acidente com dois mortos e um ferido grave – notava-se que John estava perturbado por falar naquilo. Afinal eram os amigos dele – E sabes que outra notícia chegou à família deles há uns dias? – Perguntou mas não deu tempo para que April respondesse – A notícia de que os travões do carro tinham sido sabotados! E sabes no que é que eu comecei a pensar? – Mais uma pergunta retórica – Que tu estavas com tanta vontade de te vingares – disse como se tivesse descoberto um grande segredo

- E achas o quê? Que eu ia sabotar um carro e depois meter-me lá dentro para morrer? – April perguntou, incrédula, o tom de voz a subir

- Como eu te disse, tu não entraste no carro de livro vontade – relembrou – E na última mensagem que eles me enviaram eles disseram “A cabra acabou de acordar”. Depois disso não soube mais nada – contou

- Assim faz ainda menos sentido – April disse – Se eu acordei antes do acidente eu teria dito para eles pararem se soubesse que o carro podia ficar sem travões. Não me parece que eu quisesse morrer antes de me vingar de ti. Afinal de contas, eles os dois apenas estavam a segurar o Robert na noite em que ele morreu. Foste tu quem lhe bateu, foste TU que o mataste! – Cuspiu aquelas palavras e John segurou-a com mais força. Aproximou-se do dela e April sentiu o bafo dele na sua cara quando ele falou

- Espero que estejas caladinha em relação ao que sabes sobre mim – John avisou – Tenho a certeza de que não queres que a polícia te deixe de ver como vítima e te passe também a ver como suspeita – acrescentou e no momento em que ia dizer mais alguma coisa sentiram umas pancadas na porta e uma voz feminina gritar o nome de April.

- Clark!! – April gritou com tanta força quanto conseguiu. Fez-se silêncio do outro lado e alguém abriu finalmente a porta. Clark entrou de imediato, seguido por um segurança.

- April estás bem? – O médico perguntou, empurrando John e aproximando-se de April – O que é que aconteceu? – Perguntou, olhando de April para John

- O que é que estavam a fazer trancados aqui dentro? – Foi o segurança que falou vendo o ar assustado da rapariga – Algum de vocês me vai explicar? – perguntou autoritário

- April? – John disse, sorrindo, o que deixou April furiosa com ele

- Desculpe, foi um mal-entendido – A loira acabou por dizer

- Um mal-entendido? – O segurança repetiu, claramente sem acreditar nessa desculpa – A noite está a chegar ao fim e não quero escândalos aqui dentro portanto agradeço que saiam daqui – pediu, indicando-lhes a saída da casa de banho. John foi o primeiro a sair e logo depois April e Clark. Os três foram seguidos até à rua pelo segurança para garantir que não ficavam ali dentro. Quando chegaram cá fora o segurança voltou a entrar. John ficou parado à porta, acendeu um cigarro e ficou a observar April e Clark a dirigirem-se ao estacionamento

- Para quem tinha tanta vontade de vingar a morte do namorado parece que o esqueceste depressa – John gritou fazendo Clark virar-se para ele.

- Qual é que é o teu problema? – O médico perguntou. Sentiu April puxar-lhe o braço como dizendo para não fazer nada

- Não tenho problema nenhum… doutor! – Disse com uma gargalhada – Só não os sabia assim tão amiguinhos, a sair à noite e tudo. Mesmo numa cama de hospital deste-lhe bem a volta – riu. Clark, que tinha começado a ficar nervoso quando reparou que April estava a demorar na casa de banho que ficara furioso quando entrara e vira John segurá-la estava a tentar controlar as emoções. Mas naquele momento, ouvir John dizer aquelas coisas a April e ver o estado de nervos em que ela estava fizeram com que não quisesse saber do que poderia fazer.

- Não te admito que fales assim com ela!– Clark avisou, dando uns passos na direção de John – O segurança pode ter acreditado na história do mal-entendido mas eu não – confessou – Afasta-te da April, estamos entendidos? – A sua voz soava confiante, ameaçadora e April ficou espantada. Apesar de a situação ser tudo menos normal era bom saber que tinha alguém que a defendesse assim, que enfrentasse John por ela.

- Se não o que é que me acontece? – John perguntou, desafiando Clark a continuar

- Se fosse eu a ti mantinha-me afastado, John – Voltou a avisar – Sei perfeitamente que não és da família da April como dizias quando ias ao hospital e ouvi umas coisas que não abonam nada a teu favor – Clark disse-lhe e os olhos de John pousaram em April que se encolheu

- Interessante – John disse, voltando a encarar Clark – E se fosse eu a ti não falava sem saber de tudo – acrescentou – Devia ter tentando saber a verdade sobre a April antes de a ter deixado levá-lo para a cama. Se calhar ela só precisa de alguém do lado dela e parece que foste tu o escolhido. Ela não passa de uma… - Mas antes que pudesse sequer pensar em completar a frase o punho cerrado de Clark acertou-lhe na cara e fê-lo cair no chão.

- O aviso está feito! – Clark disse e virou-se na direção de April, encaminhando-a para o carro e deixando John atrás deles com o sangue a correr-lhe de um lábio.

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Boa noite! Aqui fica mais um capítulo de Amnesia que eu espero que vocês gostem :) Trago-vos uma conversa entre o John e a April que traz assim algumas questões. O que acharam? E o Clark acabou por se passar com o John e não resistiu a dar-lhe um murro. Esta noite atribulada continua no próximo capítulo! Entretanto deixem as vossas opiniões aqui nos comentários :) Fiquem bem e até ao próximo capítulo!

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