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You And I

16
Jul17

"Amnesia" - Capítulo 13


JustAnOrdinaryGirl

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- Não! – April levantou-se do sofá, deixando Clark a olhar para ela – É impossível ter sido ela – disse, levando as mãos ao cabelo – A Daisy foi-se embora pouco depois do Robert ter morrido. Ela foi para Londres ainda antes do acidente, ela soube da notícia quando estava lá – explicou, defendendo a suposta melhor amiga de quem não se lembrava

- Claro, faz sentido – Clark acabou por concordar – Talvez tenha sido uma ideia parva, desculpa – pediu

- Não tem de pedir desculpa – April voltou a sentar-se ao pé dele – É só que… quando vi a Daisy, quando comecei a falar com ela, eu senti que podia confiar nela, ao contrário do que aconteceu com o John. O que acabou por ser verdade já que ele esteve envolvido na morte do Robert. – A rapariga disse – Eu acho que estes sentimentos que eu tenho em relação às pessoas têm a ver com o facto de eu as conhecer, apesar de não me lembrar – calculou

- Sim, isso talvez possa acontecer – Clark sorriu levemente – E em relação ao John, o que é que vais fazer? – Perguntou

- Não faço ideia – começou – A Daisy disse-me o que ele fez e eu lembro-me de ver o Robert ser espancado até à morte mas… eu não tenho provas em relação a nada – A loira sentiu-se ligeiramente frustrada – Sou apenas uma rapariga amnésica que descobriu que o namorado foi espancado até à morte através de um sonho. Acha que isso vai fazer alguma coisa? – Perguntou, frustrada. Enterrou a cara nas mãos. Detestava sentir-se assim, detestava não saber toda a verdade e detestava não poder fazer nada para mudar as coisas

- Ei, tu és muito mais do que isso, April – Clark disse-lhe, levantando o queixo de April e fazendo-a virar-se para o olhar – És muito mais que isso, ok? Só que acabaste de sair de um coma e precisas de reconstruir a tua vida aos poucos. E se neste momento não podes fazer nada talvez possas fazer alguma coisa daqui a uns tempos, quando tiveres memórias suficientes e talvez possas apresentar uma queixa contra John em que não tenhas de te basear apenas no que os outros te dizem mas sim naquilo que tu sabes, que tu viveste – O médico disse-lhe, nunca permitindo que April desviasse o olhar dele – Até esse dia, eu e a Daisy vamos estar aqui para te ajudar – concluiu e April assentiu – E agora vais deixar de pensar apenas em problemas e no passado, pode ser? – Sugeriu

- E penso no quê? No que me vai acontecendo a cada dia que passa? – Perguntou

- Por exemplo – Clark concordou – Teres perdido as memórias antigas não quer dizer que não possas criar memórias novas, viver a tua vida – acrescentou

- Bom, tenho criado algumas memórias novas – April disse, encolhendo os ombros – Aqui no apartamento, no café… Não é nada de especial, mas são memórias

- Sim, não são más memórias – Clark concordou – Mas eu estava a falar de criares bons momentos, de criar novas histórias – explicou-se – Momentos que te façam rir, divertir, momentos que te levem a viver a vida, a aproveitar a oportunidade que te foi dada

- Alguma sugestão? – April perguntou, curiosa com o que estaria a passar pela cabeça de Clark

- Só volto a trabalhar amanhã às quatro da tarde – começou – Acho que podíamos ir dar uma volta, beber um café, qualquer coisa – explicou a sua ideia – Além disso, assim posso mostrar-te um pouco mais da cidade – acrescentou, ficando depois à espera de uma resposta – Se preferires podes dizer à Daisy para vir connosco – acrescentou dada a falta de resposta por parte da rapariga – Ouve, não quero que penses coisas erradas, apenas quero que te divirtas, que tenhas bons momentos e que não estejas sempre preocupada com as tuas memórias perdidas e que tipo de pessoa eras antes do acidente – continuou

- Acho que é uma boa ideia – April acabou por concordar – É verdade que estou a precisar de pensar noutras coisas além do acidente e das minhas memórias – confessou – E se quer que eu convide a Daisy como desculpa para convidar alguém especial… - Clark ficou a olhar para ela, uma sobrancelha arqueada, e April teve de conter um riso

- Alguém especial? – Ele acabou por perguntar, parecendo mesmo não saber de quem ela estava a falar

- Eu não tenho maneira de convidar a Daisy, não tenho o número nem a morada – confessou – Mas sim, podemos ir dar uma volta, talvez me faça bem – sorriu – Tem alguma ideia de onde podemos ir? Não me apetecia muito ir para o sítio onde trabalho, já passo lá as tardes

- Conheço um bar aqui perto – disse – É um bar pequeno e assim pelo caminho ficas a conhecer um pouco mais a cidade – acrescentou

- E em relação ao café… é a única coisa que posso beber? – Perguntou, esperançada. Podia não lembrar-se de parte da sua vida mas sabia que quando as pessoas saíam à noite não bebiam apenas café

- Como teu médico, uma vez que não estás a tomar qualquer tipo de medicação, autorizo que bebas mas sem exageros – disse num tom bastante sério

- Isso foi sem dúvida o Clark médico a falar – April disse, também ela séria

- Como teu colega de casa é claro eu te digo que és tu quem decide beber ou não – ele acrescentou – E também tenho uma coisa a pedir-te como colega de casa – olhou-a, sério, deixando-a por instantes preocupada com a possibilidade de ser alguma coisa séria – Trata-me por tu, por favor! – Pediu, fazendo-a relaxar – Era essa a ideia quando te disse para esqueceres o doutor. Além disso seria estranho, já que vamos beber juntos – piscou-lhe o olho e ela fez um ar surpreendido – Eu sei que sou médico mas uma cerveja não me vai fazer mal. Vá, agora anda ajudar-me a fazer o jantar – pediu, levantando-se e estendendo a mão para a ajudar a levantar-se.

Fizeram uma refeição rápida e, depois de terem jantado e arrumado a cozinha, preparam-se para sair. April entrou no quarto e vasculhou as suas roupas. Não fazia ideia do que vestir para uma saída à noite. Há quanto tempo é que não saía? Optou por vestir uma coisa simples, umas calças pretas e um top da mesma cor. Por sorte também tinha umas sandálias e alguns acessórios. Penteou-se e acabou por passar lápis preto nos olhos e um batom. Olhou-se ao espelho, ficando satisfeita com o resultado. Não que quisesse impressionar alguém mas porque gostava de se sentir bonita. Sabia bem depois de tudo o que acontecera nos últimos tempos. Quando ficou pronta sentou-se no sofá da sala à espera de Clark, que apareceu uns minutos depois. Saíram de casa e entraram no carro dele. April ainda não tinha visto como era bonita a cidade à noite, com todas aquelas luzes. Distraída a apreciar a vista só voltou à realidade quando Clark parou o carro num parque de estacionamento perto bar. Como ainda era cedo, não havia filas e ainda conseguiram arranjar uma mesa. Ambos pediram uma cerveja e ficaram sentados a disfrutar da bebida e de alguma conversa. À medida que a noite ia passando o número de pessoas começava a aumentar e a pista de dança encheu. April levantou-se para ir pedir mais uma bebida e, quando voltava para a mesa, reparou que Clark estava a olhar para ela. Quando se apercebeu de que ela o tinha “apanhado”, o médico desviou o olhar para as pessoas que dançavam ao ritmo da música.

- Se me queres convidar para dançar estás à vontade, não precisas de ser tímido – April disse quando se sentou à frente dele. Apesar de ainda ir apenas na segunda bebida sentia-a mais desinibida e descontraída do que o normal

- Eu… - Clark começou, gaguejando, mas depois assentiu e puxou April para a pista de dança. Apercebeu-se, enquanto dançava com ela, que desde o seu último ano de universidade que não tinha uma noite assim, para conversar, beber, dançar e divertir-se. Tinha saído algumas vezes com amigos, a maioria da universidade, mas não era a mesma coisa, acabavam sempre a falar de medicina. Dançaram ao ritmo das músicas que iam tocando até que, de repente, April viu alguém junto do balcão. O seu olhar focou aquela figura familiar mas ele estava de costas e era impossível ter a certeza. De repente as pessoas na pista de dança taparam-lhe a visão e ela esticou-se tentando ver se tinha razão.

- Está tudo bem? – Clark falou, quase a gritar para se fazer ouvir por cima da música. April olhou para ele, fazendo notar que não estava a ouvir – Estava a perguntar se estás bem? – Clark repetiu, desta vez ao ouvido dela. Entretanto a música abrandou, passando para algo mais lento.

- Sim, estou bem – April respondeu – Só preciso de ir à casa de banho – disse, com um sorriso que tinha a certeza soar a pouco verdadeiro.

- Claro – Clark sorriu de volta – Eu espero por ti ao pé do balcão – April assentiu e virou-se na direção da casa de banho. Clark seguiu na direção do balcão. A meio do caminho April olhou por cima do ombro. Viu Clark ao balcão mas não estava lá mais ninguém que conhecesse. Respirou fundo e continuou a andar, entrando na casa de banho. Aproximou-se dos lavabos e abriu a torneira. A água que corria era fria e apanhou alguma com as mãos baixando a cara para se molhar um pouco. Quando levantou a cabeça, olhou para o espelho e um grito formou-se-lhe na garganta. Reprimiu-o mas ficou imóvel, encarando aquela figura conhecida, a olhá-la de uma forma que a fazia gelar, tremer de pânico.

- Olá, April – ele disse com uma voz grossa, assustadora. Ela estremeceu e continuou a encará-lo através do espelho – Finalmente consigo encontrar-te. Estava mesmo a precisar de falar contigo – informou-a, dando um passo em frente

- O que é que tu queres, John?

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Boa noite! Apesar de já ser tarde não queria que ficassem sem um novo capítulo e, por isso, aqui está ele! Espero que tenham gostado. A ideia era a April e o Clark terem uma noite divertida mas parece que alguém não estava disposto a isso. Deixem as vossas opiniões em relação a este aparecimento do John, em relação à Daisy, à April e ao Clark. Já agora, são Team April ou Team Mia no que diz respeito ao Clark? Obrigada por estarem a acompanhar. Fiquem bem e até ao próximo capítulo :)

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