Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

You And I

09
Jul17

"Amnesia" - Capítulo 12


JustAnOrdinaryGirl

Resultado de imagem para chloe grace moretz gif

 

 

April e Daisy acabaram por entrar no café onde April estava empregada. Sentaram-se numa das mesas e pediram um sumo para cada uma. O colega de April foi que as serviu, sorrindo-lhes e deixando-as depois conversar.

- Fiquei tão feliz quando te encontrei ali fora – Daisy disse, a sorrir. Tinha os olhos brilhantes, estava quase a chorar – Não te via desde… há imenso tempo – acabou por dizer

- Eu tive um acidente e tenho estado em coma. – April contou e viu a outra assentir

- Sim, eu soube – Daisy confessou

- Soubeste?! – April perguntou, surpresa – Tu… No hospital disseram que eu não tive visitas, além de um suposto familiar – contou, um pouco desiludida. Se era a sua melhor amiga, e se sabia do acidente, não deveria tê-la visitado

- Eu regressei ontem de Londres. Soube do teu acidente através das notícias – contou – Lamento imenso – Daisy desviou o olhar de April para evitar que as lágrimas a vencessem

- Oh – April apenas disse. Ficou a encarar a rapariga à sua frente – Eu acordei com amnésia e é por isso que não me lembrava de ti – explicou – Mas aos poucos estou a lembrar-me de alguns pormenores – acrescentou para amenizar um pouco a situação

- Gostava de ter estado contigo durante tudo o que aconteceu – Daisy desabafou – Mas fico mesmo feliz que estejas aqui, viva, apesar da falta de memória

- Aos poucos eu começo a recuperá-la – April disse com um sorriso – O meu médico diz que há boas hipóteses de me recordar de tudo, que apenas preciso dos estímulos certos e de ter paciência. E o psicólogo concorda por isso acho que as hipóteses são favoráveis – contou, parecendo realmente animada com as hipóteses

- E continuas a morar por cima do café? – Daisy perguntou

- Não. Enquanto eu estive em coma o café acabou por fechar – contou – Agora trabalho aqui, quando me encontraste eu estava a sair do trabalho. Mas vivo aqui perto, estou a viver em casa do médico que me acompanhou. Ele tinha um quarto para arrendar e aproveitei – disse-lhe, informando a, aparentemente melhor amiga, de como estava a sua vida – Achas que me podes contar algumas coisas? Sobre como eu era, sobre a nossa amizade? – pediu

- Bem, tu vivias numa instituição e frequentávamos a mesma escola – Daisy começou, tentando lembrar-se de tudo – Mas só no oitavo ano é que ficámos na mesma turma. Tu sempre foste um pouco… – parou, tentando arranjar as palavras certas – rebelde. Não que fosses muito violenta, mas eras rebelde. Talvez por teres viveres na instituição…

- Talvez por os meus pais me terem abandonado – April completou a frase da outra, que a encarou, séria – Sim, eu dessa parte já me lembro

- Talvez esse fosse um motivo, sim – Daisy concordou – Na instituição havia demasiadas regras e isso é capaz de te ter influenciado. Fora desse sítio querias aproveitar para fazer tudo o que te apetecia, sem controlo – acrescentou – Eu também era assim, os meus pais eram demasiado controladores – contou – E no oitavo ano meteram-nos na mesma turma e a nossa amizade foi quase imediata. Sempre fomos parecidas e isso ajudou muito – sorriu, nostálgica – Mas com o tempo fomos acalmando mais, estávamos mais velhas, pensávamos de outra maneira e tínhamos finalmente uma amizade daquelas que queremos que durem para sempre – Daisy viu que April estava a limpar uma lágrima. Viu que a rapariga à sua frente fechou os olhos por momentos, parecia estar a recordar alguma coisa – Estás bem, April? – Perguntou, pegando na mão de April que estava em cima da mesa – Eu posso parar, se quiseres – sugeriu

- Não é isso – April disse, voltando a fixar Daisy – De vez em quando, quando vejo alguma coisa ou quando alguém me diz algumas coisa eu vou lembrando alguns pormenores e… eu lembro-me de ti – confessou, deixando a outra com um sorriso – Não exatamente da nossa amizade mas sim de te ver numa das memórias que eu já recuperei – explicou – Lembro-me de te ver num funeral – começou, relembrando uma das memórias mais dolorosas – No funeral do meu namorado. Estavas de pé, ao meu lado, a chorar e depois caíste de joelhos quando baixaram o caixão e sei que isso me fez chorar ainda mais naquele momento – Depois de dizer aquelas palavras reparou que as duas tinham começado a chorar. Limparam as lágrimas ao mesmo tempo – Porquê?

- O Robert era muito importante para mim – confessou – Não te lembras mas fui eu que vos apresentei, ele era mais velho que nós – April reparou que falar em Robert deixava Daisy de rastos – April, o Robert era meu irmão – Daisy confessou e April ficou sem saber o que dizer, o estômago contraiu-se e as lágrimas voltaram a cair-lhe pelo rosto – Mas pelo menos foi feita justiça – Daisy acrescentou num tom de voz frio

- Os tipos que o mataram foram apanhados? – April perguntou – Eu lembro-me do dia em que ele morreu, tive um pesadelo que me mostrou essa memória e a polícia já a confirmou – April contou, limpando as lágrimas que persistiam em aparecer.

- Não, eles não foram apanhados, eles… - Daisy respirou fundo antes de prosseguir. Parece que seria ela a dar mais uma novidade a April – Eles morreram – informou – Os rapazes que espancaram o Robert até à morte eram os dois rapazes que iam contigo no carro no dia do acidente – Aquelas palavras apanharam April desprevenida. Naquele momento parecia que tudo o resto tinha desaparecido. Era muita coisa para processar e a rapariga fechou os olhos com força. E de repente viu-se dentro de um carro, no banco de trás, dois rapazes à frente. Antes reconhecia-os do jornal que dera a notícia do acidente e que já lhe tinham mostrado. Mas naquele momento reconheceu-os do seu sonho, do beco em que Robert fora morto. A voz de Daisy chamou-a de novo à realidade

- April? – Daisy chamava-a e April abriu os olhos

- Como é que sabes que eles são os mesmos? – Estava curiosa e precisava de saber mais, de ter mais respostas

- O Robert era uma ótima pessoa mas não tinha os melhores amigos – Daisy disse-lhe – Ele tentou afastar-se das más companhias, especialmente por nós, mas parece que havia quem não quisesse que ele se afastasse. Queriam que ele pagasse pelo que tinha feito aparentemente. Depois de ele morrer, esses tipos viraram-se para mim… e para ti, apesar de não te lembrares – Daisy continuava, deixando, por agora, alguns pormenores de parte. Não queria que April se sentisse ainda pior ou tivesse algum ataque por estar a receber tanta informação ao mesmo tempo – Eles ameaçaram-nos várias vezes e tu sabias quem eles eram, tu contaste-me – revelou - Eu fui para Londres pouco depois de o Robert morrer porque não aguentava estar aqui por causa das memórias, não aguentava ver-te sofrer porque não conseguia estar ao pé de ti sem te deixar ainda mais em baixo. Mas também fui embora para fugir deles. Custou-me deixar-te mas era a única solução naquele momento – Daisy contou e April percebeu que ela estava a ser sincera – Lamento ter-te deixado aqui, ter deixado que quase morresses com eles naquele estúpido acidente – lamentou, olhando a amiga

- Não tens de pedir desculpa, Daisy – foi a vez de April pegar na mão da amiga – Ele era teu irmão e ficaste sem ele, precisavas de ter o teu espaço. E eu acabei por sobreviver, por isso… - Inspirou e deitou o ar fora, tentando recompor-se – Podemos ir andando e conversar pelo caminho? – Sugeriu e a amiga concordou. April deixou em cima da mesa umas moedas para pagar os sumos, gastando as gorjetas que tinha recebido ao longo do seu turno. Saíram e soube-lhes tão bem sentir o ar fresco que se fazia sentir na rua. Daisy e April começaram a caminhar e Daisy decidiu acompanhar até casa e assim poderiam conversar mais - E agora voltaste porque eles já não te podem ameaçar mais? – April tinha de fazer esta pergunta

- Esse também foi um motivo mas eu voltei porque tinha saudades da minha família, tuas, precisava de voltar à minha vida. Passou pouco tempo mas eu não podia continuar a viver com medo – Daisy explicou

- Pelo menos agora podemos estar mais seguras, eles já não nos podem fazer mal – April disse, mas de repente lembrou-se de John e da sensação de desconfiança e de medo que tinha sempre que o via – Houve um rapaz que me visitou no hospital e que diz que é da minha família mas… eu sempre tive uma sensação estranha quando o via…. Eram só eles os dois ou há mais alguém que nos queria fazer mal?

- Há mais um, que era uma espécie de “chefe” do grupo – Daisy confirmou – Chama-se John – Daisy olhou para April, que estava assustada, com medo – Foi ele que te visitou no hospital? – A outra assentiu – April, tem cuidado com ele. Talvez agora que os amigos morreram ele não queira saber mais de vinganças mas… Tem cuidado – alertou e April contou-lhe que tinha pedido que ele não a visitasse e que ele não sabia onde ela morava agora. As duas acabaram por deixar aquele assunto e continuaram a caminhar em direção ao apartamento de Clark.

- Não sei se te lembras mas depois de o Robert morrer, pouco antes de eu ir embora, tu disseste que gostavas de um dia acordar com amnésia, que gostavas de te poder esquecer que aquilo estava a acontecer – Daisy contou e April riu com a ironia

- Agora dava tudo para acordar com todas as minhas memórias de volta – April disse. Tinham chegado ao prédio onde morava e viu Clark a sair do carro estacionado em frente. Assim que ele olhou naquela direção acenou-lhe e um sorriso apareceu-lhe no rosto, quase de forma automática – Olá – cumprimentou-o quando ambos chegaram à porta do prédio – Esta é a Daisy, a minha melhor amiga – apresentou a outra, sorrindo – Daisy, este é o Clark, o meu colega de casa e o médico que me acompanhou – olhou para Clark e sorriu-lhe. Ele sorriu de volta

- Olá, Daisy – Clark cumprimentou a rapariga – Não sabia que a April tinha uma melhor amiga, mas fico contente em saber

- Fiquei muito feliz em reencontrá-la – Daisy disse, olhando para April – Obrigada por ter ajudado a April, Doutor Clark – agradeceu, olhando novamente para o médico

- Não tens de agradecer, Daisy – o médico disse – E podes chamar-me apenas Clark – acrescentou – E conhecem-se há muito tempo? – acabou por perguntar

- Desde o oitavo ano, apesar de eu não me lembrar – April respondeu e, apesar de se notar que estava triste com esse aspeto, notou-se também que estava feliz por ter uma amiga a seu lado – A Daisy, além de minha amiga, é irmã do Robert – April contou

- Oh… Lamento imenso a tua perda, Daisy – Clark disse-lhe

- Ainda me estou a recompor mas agora que tenho a April de volta sei que as coisas vão melhorar – Daisy sorriu novamente e April abraçou-a de lado, o que fez Clark sorrir. Era bom ver April feliz – Bem, eu tenho mesmo de me ir embora, vou ter com os meus pais – anunciou – Gostei imenso de te ver, April. Depois eu passo no café, para combinarmos alguma coisa, para estarmos mais tempo juntas – disse

- Sim, eu estou lá todas as tardes – April informou – Obrigada por me teres chamado na rua e por me teres trazido a casa – agradeceu

- Não tens de agradecer – disse – E foi um prazer conhecê-lo, Clark – acrescentou e o médico assentiu. Daisy despediu-se de April e tomou o seu caminho para casa. Já April entrou em casa com Clark. Enquanto Clark foi pousar as suas coisas e enchia um copo com água, a rapariga atirou-se para o sofá e assim ficou, a olhar para o teto, até sentir Clark sentar-se ao lado dela.

- É bom ver-te sorrir depois destes últimos dias – o médico disse-lhe, observando-a enquanto a rapariga abria mais o sorriso – Fico feliz por teres reencontrado a tua melhor amiga – acrescentou

- Estou feliz por tê-la reencontrado – April concordou – Apesar de não me lembrar dela, apenas me lembro de a ver nas memórias do funeral do Robert – disse-lhe, perdendo o sorriso por momentos – Mas mesmo assim é bom, eu sinto que posso confiar nela, contar com ela – acrescentou, o sorriso a voltar – Ela disse-me que depois da morte do Robert eu dizia que gostava de um dia acordar com amnésia – April contou, ficando os dois a pensar na ironia

- Querias esquecer as coisas más – Clark afirmou, virando-se de lado para a encarar

- As boas não as iria querer esquecer – April disse, também ela virando-se de lado – Principalmente a morte do Robert, isso de certeza que queria esquecer e também… - calou-se de repente, recordando a conversa que tivera com Daisy

- April… - Clark hesitou uns momentos, mas acabou por lhe desviar do rosto uma madeixa de cabelo loiro – Podes falar comigo se quiseres. Seja o que for que comeces a descobrir sobre ti, eu não te vou julgar – Clark disse-lhe, a sua mão tinha ficado a segurar os cabelos dela. A rapariga acabou por lhe confessar o que tinha descoberto sobre os rapazes que iam com ela no carro, sobre John

 – Ainda não sei o que o Robert tinha contra eles ou eles contra o Robert, a Daisy não me falou dessa parte – April acrescentou no final – Mas acho que com o tempo vou descobrir… E acho que eram estas as memórias que eu queria esquecer – disse

- O teu desejo realizou-se – Clark acabou por dizer – Pena que essa amnésia levou também as memórias boas. April, não quero que leves a mal o que te vou perguntar mas… - Clark parou e April endireitou-se, olhando-o com atenção – A Daisy era irmão do Robert e tu sabes o que a morte dele lhe custou, como é normal – continuou – A inspetora disse que o acidente foi provocado por uma sabotagem dos travões. Achas que… Achas que a Daisy pode estar envolvida nisso? – A pergunta caiu entre os dois provocando um silêncio em vez de uma resposta. Seria possível ter sido Daisy?

..........................

Bom dia! Hoje trago-vos um capítulo com algumas revelações. Agora começamos a conhecer um pouco mais do passado da April e agora já percebemos quem é o John, pelo menos um pouco. E que acharam da Daisy? Acham que a pergunta do Clark pode ter uma resposta positiva? Espero que gostem deste capítulo e que gostem do que aí vem também :) Deixem aqui as vossas opiniões, ideias e teorias :) Ah, e no gif lá em cima é a Daisy, decidi atribuir-lhe um rosto.

Fiquem bem e até ao próximo capítulo!! 

3 comentários

Comentar post