Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

You And I

18
Abr17

"Amnesia" - Capítulo 1


JustAnOrdinaryGirl

Resultado de imagem para drew van acker gif

"Acidente mata 2 rapazes de 21 e 19 anos e deixa rapariga de 18 anos em coma"

Aquele jornal estava perdido entre um monte de revistas e folhetos de supermercado. A notícia de abertura, escrita em letras enormes, continuava a ser comentada por tudo quanto era meio de comunicação social. Já tinham passado quatro meses, mas ainda todos se lembravam. Afinal, ainda não eram conhecidos todos os pormenores e as pessoas não descansavam enquanto não se soubesse toda a verdade. Os funerais dos rapazes já tinham sido realizados, as famílias já estavam a fazer o luto. A rapariga continuava em coma, não se sabia quando ia acordar. Se ia acordar sequer.

Clark amachucou o jornal e deitou-o no lixo. Lidava com o aquele acidente todos os dias, no hospital onde era médico. Bebeu o último gole que restava na caneca de café, pegou nas chaves do carro, na carteira e no casaco e saiu de casa, a caminho de mais um longo dia de trabalho.

Quando chegou ao hospital, teve apenas tempo de ir ao seu gabinete deixar as suas coisas e pegar na bata e no estetoscópio, sendo chamado de imediato para uma emergência: um jovem que caiu ao andar de patins e que apresentava uma fratura e vários hematomas.

Minutos depois de estar de volta ao seu gabinete ouviu umas pancadinhas na porta. Sorriu ao ver o rosto familiar que agora espreitava pela pequena abertura.

- Bom dia – cumprimentou, fazendo sinal para que Mia, uma média e sua amiga, entrasse – Presumo que esse café extra seja para mim – disse, olhando com um sorriso para as mãos da rapariga

- Estava a pensar beber os dois, sabes – Mia disse, sentando-se depois à frente de Clark – Não durmo desde ontem – lamentou, com ar ligeiramente cansado – Mas não vim aqui para falar disso. O rapaz esteve cá esta manhã – informou

- O rapaz? – Clark perguntou um pouco confuso

- Sim, aquele rapaz que é familiar da April - esclareceu – Perguntou se havia melhorias e depois esteve algum tempo com ela no quarto – acrescentou

- Tenho de ver se o apanho da próxima vez, para lhe falar um pouco mais do estado dela – Clark disse – E para saber se há mais alguém da família

- Se ele for o único familiar dela, e se for preciso tomar uma decisão em relação a continuarmos à espera que ela acorde, terá de ser ele a tomar essa decisão – Mia falou, sentindo-se mal só de pensar nisso

- Espero que não seja preciso chegar a esse ponto – Clark disse, notando-se claramente que também o incomodava pensar na possibilidade – E se ele for o único familiar dela, é apenas um miúdo. Como é que ele fica perante uma situação dessas? – Falou com a voz e esmorecer – Temos de continuar a lutar por ela, a acreditar que ela se vai safar – disse, convicto de que seria capaz

- Sei que já te disse, mas volto a dizer – Mia aproximou-se mais da secretária de Clark e pegou-lhe na mão – Admiro imenso como acreditas sempre até ao fim, como não desistes de ninguém, como lutas pela vida destas pessoas quando elas não têm forças suficientes – elogiou, prendendo o olhar dele e sorrindo – Há poucas pessoas assim, Clark – Mia acrescentou, ainda a sorrir

- Às vezes também tenho as minhas dúvidas, sabes – Clark admitiu – Mas acho que se não formos nós a lutar por eles, eles não conseguem sozinhos. E ajuda-os a melhorar saber que têm alguém que acredite – disse, orgulhoso de poder ter a profissão que tinha – Mas tu também és assim, também tens essa forma de ser que te torna uma pessoa maravilhosa, Mia – disse, deixando a médica corar ligeiramente – Tenho uma consulta agora – lembrou-se de repente

- E eu tenho de passar no quarto de alguns doentes – Mia informou – Tens planos para esta noite ou trabalhas? – Perguntou, já de pé

- Só tenho de fazer o turno da noite amanhã, hoje devo estar livre se não houver nenhuma emergência – informou – Mas parece que me vai arranjar planos – disse, adivinhando que a rapariga estava a pensar nalguma coisa

- Podes vir jantar lá a casa hoje – sugeriu – A minha mãe esteve cá e deixou imensa comida – acrescentou – Que te parece?

- Uma ótima ideia – Clark concordou – Eu levo uma sobremesa – ofereceu de imediato

- Nem penses, a minha mãe deixou refeições completas – riu ao lembrar-se da mãe a reclamar que a filha estava a ficar cada vez mais magra

- Então apareço por volta das 9h, pode ser? – perguntou, lembrando-se que saía do hospital apenas às 8h e ainda tinha de passar em casa

- Combinado – Mia sorriu – Boas consultas – disse antes de sair do gabinete

O dia no hospital foi uma correria. Doentes que não paravam de chegar às urgências, familiares preocupados e nervosos, médicos e enfermeiros a correr de um lado para o outro.

Só no final do dia, mesmo antes de terminar o seu turno, é que Clark teve uns minutos para passar no quarto de April. Tudo na mesma. A rapariga continuava ali, deitada naquela cama, imóvel, sem deixar saber quando a situação ia mudar. O médico aproximou-se da cama e das máquinas e verificou se tudo estava normal. Se é que se, naquele caso, poderia ser usada a palavra “normal”. Não havia nada de normal ali. Normal seria aquela miúda de 18 anos estar lá fora, com os amigos, com a família, a aproveitar a sua vida.

- Está na altura de acordares, miúda – Clark murmurou enquanto verificava todas as máquinas e tubos – Tens uma vida inteira lá fora – acrescentou, parando agora para olhar para a rapariga loira que ali estava deitada há quatro meses – Espero que me possas responder da próxima vez que aqui entrar – sorriu, a esperança sempre presente

Assinou o quadro onde estava registado o estado de April e saiu do quarto. Passou no seu gabinete mais uma vez e depois saiu do hospital. Entrou no carro e começou a dirigir. Precisava de passar em casa antes de ir ter com Mia. Assim que abriu a porta ouviu o telefone tocar. Talvez fosse Mia. Estaria assim tão atrasado? Da última vez que vira as horas reparou que ainda tinha algum tempo. Atendeu. Era a voz de um homem. Uma voz conhecida do seu dia-a-dia. A conversa foi curta, mas o suficiente para deixar Clark meio tonto. Depois de recuperar, apenas uns segundos depois, voltou a pegar nas suas coisas e saiu de casa. No curto caminho até ao carro teve tempo de escrever uma mensagem

Temos de remarcar o nosso jantar. Fui chamado para ir ao hospital. A April acordou. Desculpa, Mia. Clark

Premiu o botão “enviar”, entrou no carro e dirigiu até ao hospital.

..................

Bom dia! Como estão? Hoje trago-vos, finalmente, o primeiro capítulo de Amnesia :) Espero que gostem deste início. Esta é apenas uma introdução e é agora, com o acordar da April, que a história vai realmente começar. Espero que gostem do que aí vem. Entretanto deixem as vossas opiniões sobre este primeiro capítulo e digam-me o que acham que pode vir a acontecer :) Fiquem bem e até ao próximo capítulo :)

6 comentários

Comentar post