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You And I

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You And I - Capítulo 74

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Nick apenas saiu do quarto para aquecer a tal pizza e pegar nuns sumos. A vontade não era muita, estava tão bem ali com Leo a seu lado. Mas não podiam ficar sem jantar. Quando voltou, ficou a observar Leo, deitado na cama à espera dele. Ficou assim uns segundos antes de se juntar novamente ao rapaz. Comeram entre risos e algumas carícias. Afinal, estavam cada vez mais apaixonados e apenas queriam viver o momento. 

Em casa de Alycia, ela e Tim também tinham jantado juntos. Mas na cozinha. Tim explicou tudo o que se tinha passado na reunião e de como achava que os ex colegas de equipa iriam reagir no dia seguinte perante as novidades. Também achava que Clarissa não ia ficar quieta, apesar de desconfiar que a ex líder da claque não iria querer ser falada por ter sido trocada por um rapaz. Alycia voltou a agradecer a Tim por a ter ajudado a voltar. E, antes que as coisas entre os dois voltassem a aquecer, ela disse que tinha de estudar. E tinha mesmo, havia testes mesmo a chegar. Tim aproveitou e estudou com ela. Precisava de manter a cabeça ocupada. 

Já em casa de Laura, o jantar não foi muito animado. O pai já estava em casa quando ela chegou e não gostou de ver que tinha sido Alex a levá-la a casa, pormenor que fez questão de referir ao jantar. 

- Podias ter telefonado e eu ia buscar-te! - Edward disse, aborrecido

- Eu nem sequer sabia que já cá estavas... - Laura defendeu-se. Não estava com paciência nenhuma para sermões, especialmente sabendo tudo o que sabia sobre a história do acidente e dos avós. 

- Talvez soubesses se tivesses vindo dormir a casa esta noite, Laura! - ele reclamou. A conversa era sempre a mesma, sempre os mesmos sermões. E Laura tinha de lutar para não se descair sobre o verdadeiro motivo de ter dormido fora.

- Não tinhas dito para começar a fazer as despedidas? Foi isso que eu fiz, dormi em casa de uma das minhas melhores amigas - ela disse, seca

- Laura, querida, está tudo bem? - Theresa perguntou. Olhou para a expressão da filha e depois para o prato ainda cheio - Aconteceu alguma coisa? 

- Foram umas coisas na escola... - ela apenas disse

- Queres partilhar? Não gosto nada de te ver assim, pareces preocupada... - Theresa insistiu

- Com as companhias com quem ela anda, é óbvio que só pode ter acontecido alguma coisa... - Edward comentou, esgotando mais um pouco da pouca paciência da filha

- Na verdade, a culpa não foi das minhas "companhias" como lhe chama! - Laura disse, irritada - A culpa foi mesmo sua! - atirou

- Como?! - O pai perguntou, também ele irritado

- Digamos que a sua conversa com o diretor da escola já teve efeitos. - Ela começou - O Leo saiu da equipa, tal como queria! - o tom de voz dela subiu ligeiramente - Mais uma vez o meu irmão está em baixo, triste, sem uma coisa que ele sempre adorou fazer... E tudo porque o pai é...

- Atenção ao que vais dizer, Laura! - Edward interrompeu - O teu irmão fez as escolhas dele e agora só está a lidar com as consequências! - disse como se fosse o dono da razão

- Engraçado falar em consequências... Todos os nossos atos têm uma... ou várias, não é? - Laura perguntou, deixando os pais confusos com aquela questão. Mas por muito que quisesse, ela não podia avançar com aquela conversa. Ainda era cedo e não queria fazê-lo sem o apoio de Leo ou até mesmo dos avós. - Enfim... O que interessa é que mais uma vez o Leo está a sofrer por sua causa... - ela repetiu - Mas pelo menos ele deu um passo importante... - ela disse, orgulhosa do irmão

- E que passo foi esse? - Foi Theresa quem perguntou, claro. Edward não queria saber.

- O pai tinha pedido que o jogador homossexual fosse expulso da equipa, sem grande alarido claro. Mas o diretor e o treinador fizeram uma reunião com os jogadores. Eles conhecem tão mal a equipa que acreditavam que tudo não passava de um boato totalmente falso. Mas saiu-lhes tudo ao lado. O Leo acabou por se assumir perante todos os colegas e saiu pelo próprio pé. - Laura contou. Theresa, tal como a filha, também estava orgulhosa de Leo, apesar de evitar mostrá-lo, mas Laura sabia que sim. E Edward estava como se lhe tivessem tirado o chão - Agora toda a equipa sabe... e a Clarissa, o que quer dizer que amanhã vai ser o assunto do dia na escola. - ela continuou - O pai forçou o Leo a assumir-se perante a escola toda! Felizmente ele tem-nos a nós, os "estranhos" da sociedade para o apoiar. Incluindo o Tim, que saiu da equipa com ele... Essa foi mesmo a surpresa do dia... - Laura continuava, deixando Edward cada vez mas atónito

- O Timothy? - apenas conseguiu perguntar, incrédulo. Conhecendo o pai do rapaz, Edward nunca pensou que Tim fosse cooperar com Leo num assunto daqueles

- Como vê, queria tanto evitar escândalos e rumores, que amanhã toda a gente vai comentar o facto de o filho do conceituado advogado Edward Collins ser homossexual! Que grande ironia, não? - Edward perdeu toda a calma e espetou um valente estalo na cara da filha. As lágrimas depressa correram pelo rosto de Laura, agora vermelho da estalada. Theresa gritou o nome do marido e levantou-se para agarrar a filha. - De qualquer maneira, não vai ser o único assunto do dia... - E atirando com a cadeira, correu em direção ao quarto, onde se trancou e desatou a chorar, a face a latejar de dores. A maior delas todas, a dor de ter um pai como Edward e de ter vivido uma mentira durante dezassete anos. 

***** ***** ***** ***** *****

No dia seguinte, Laura saiu de casa antes de os pais terem sequer acordado. Não estava com cabeça para falar da noite anterior. No entanto, deixou um recado aos pais. Também não os queri deixar aflitos, principalmente a mãe que, pelo que tinha percebido, não passava de mais uma vítima de Edward. 
Tinha mandado uma mensagem a Alex no dia anterior, a explicar a situação e a pedir se podia ir buscá-la, por isso, quando saiu de casa, o carro dele já estava estacionado à porta. Mal a viu, saiu do carro e abraçou-a, confortando-a. Não ficaram ali muito tempo, com medo que os pais dela acordassem e desse por alguma coisa. Seguiram para os lados da escola e pararam numa pastelaria para tomarem o pequeno-almoço. Fizeram o pedido e decidiram ir comer na praia, o porto seguro de ambos. Ali, Laura voltou a contar tudo a Alex, desta vez com mais pormenores do que aqueles que lhe contou nas mensagens do dia anterior. Alex não sabia o que fazer além de prometer que faria tudo o que comseguisse e que estaria sempre com ela. O que já era mais do que suficiente para Laura. 

***** ***** ***** ***** *****

Quando acordou, Leo deu logo de caras com Nick a sorrir para ele. Os dois já tinham dormido no mesmo quarto desde que a tia de Nick estava lá em casa, mas nunca como na noite anterior e os dois sentiam-se felizes. E cada vez mais apaixonados. Os dois trocaram alguns beijos antes de se juntarem à família de Nick para o pequeno-almoço e tiveram de fazer um enorme esforço para esconder os sorrisos apaixonados que traziam estampados no rosto. 
Leo tinha deixado um pouco de lado tudo o que acontecera no dia anterior, mas sabia que não faltava muito para ter de lidar com tudo outra vez. Bastava chegar à escola. Conhecia demasiado bem os membros da equipa de futebol e da claque para saber que não se ia livrar de comentários e piadas. 

Foram para a escola pouco depois, ambos conscientes do que iria acontecer assim que saíssem do carro. Nick sabia que, apesar de já todos saberem que ele é gay e de esse assunto já ser do passado, seria novamente alvo de comentários e, provavelmente, alvo de acusações de ter "transformado" Leo. Era esse o tipo de pensamento retrógado que alguns alunos daquela escola tinham. E mesmo alguns professores, infelizmente. Quando chegaram ao parque da estacionamento, avistaram o carro de Tim e, ao lado, um lugar vago. Tim estava dentro do carro, com Alycia, também eles cientes do que ia ser o dia naquela escola. Além de que Alycia sabia que Clarissa estava a preparar alguma vingança contra ela e Tim por causa da claque. 

Quando Nick e Leo estacionatam mesmo ao lado deles, Tim e Alycia saíram do carro. Nick e Leo acabaram por fazer o mesmo e juntaram-se a eles. Ali à volta já havia vários alunos e o falatório começou de imediato. Cuchichos, algumas bocas bem altas para serem ouvidas por eles, olhares, risos e dedos apontados. Tinham um pouco de tudo. 

- O dia vai ser longo... - Alycia comentou - Será que estes pessoas têm uma vida assim tão miserável que têm de começar a falar da vida dos outros lodo de manhã? - comentou. Mantiveram-se ali, ssossegados, tentando não chamar ainda mais à atenção. Nick e Alycia já estavam habituados a ser alvos de comentários, Leo, apesar de não estar assim tão habituado, tentava manter a calma. Já Tim estava a fazer um esforço enorme para se manter calmo e não partir para a violência. Alycia, que o sentiu assim, agarrou-se ao braço dele. Talvez isso o ajudasse a manter alguma calma. Decidiram esperar ali por Laura e Alex. Tinham a certeza que, dentro da escola, os comentários seriam ainda mais frequentes e, talvez, mais duros. Enquanto esperavam, um dos ex-colegas de equipa de Leo e Tim chegou ao estacionamento. Vinha acompanhado de uma das raparigas da claque. Ambos o tipo de pessoa que gostava de ser o centro das atenções e de se armar perante os que os rodeavam. Parou o carro no meio do estacionamento, a uma distância que lhe permitia fazer-se ouvir. Abriu a porta e empoleirou-se no carro, fazendo a sua acompanhante abrir o vidro e pôr-se à janela, toda ela sorrisinhos, como se ele estivesse a fazer grande coisa. 

- Bom dia! - O jogador de futebol gritou, chamando a atenção de todos os que ali estavam - Então, não dizem nada? - continuou quando nenhum dos quatro respondeu - Não me digam que não é assim que se deve falar com florzinhas? Ou preferem antes borboletas ou larilas ou mariquinhas? - continuou a provocar, sempre sem receber resposta. - Posso continuar a lista até acertar no nome mais indicado, se quiserem - parecia que ele não ia desistir. A rapariga que estava com ele apenas se ria, parecia uma parvinha.

- Qual é que é o teu problema, afinal? - foi Alycia quem falou, farta de o ouvir - É que se estivessemos no caminho e não conseguisses passar, ainda entendia que tivesses de nos incomodar, mas agora assim... Arranja uma vida e deixa a dos outros em paz! - pediu

- Incrível! - o rapaz disse, a rir - Vejam isto, malta! - falou ainda mais alto. À volta deles já se tinham juntado várias pessoas para assistir ao "espetáculo" - As três florzinhas não se conseguem defender, têm de ter uma miudinha para os ajudar! - gozou - São mesmo M-A-R-I-C-A-S!! - gritou a palavra com repulsa

- E tu és o quê, ó otário? - Tim gritou de volta. Sentiu Alycia segurar-lhe o braço com mais força e tentou não perder a compustura - Nós não precisamos que nenhuma "miudinha" nos defenda... Já tu precisas de te exibir para que alguma miúda olhe para ti! - atirou, deixando o outro enfurecido.

- Ainda te vais arrepender disto... Timothy! - o outro ameaçou

- Não temos medo de ti, William! - Tim respondeu, calmamente, sem desviar o olhar dele. William sorriu com esgar e entrou dentro do carro. Ligou o motor e girou ligeiramente na direção deles. Acelerou virado para eles, fazendo Tim chegar-se para a frente de Alycia. Nick e Leo também se desviaram, pelo sim, pelo não. William viu o rosto de Tim e viu-o abanar a cabeça, percebendo que, apesar de algum receio, Tim o conhecia bem para saber que ele não seria capaz de magoar alguém. Por isso, carregou mais no acelerador e manteve o carro na direção deles, avançando. Enquanto tudo isto acontecia, Laura e Alex tinham chegado ao parque de estacionamento e, vendo todas aquelas pessoas ali, perceberam logo qual seria o motivo. Avançaram de imediato para lá. No preciso momento em que William acelerou mais, Laura começou a atravessar a pequena distância que a separava agora do irmão e dos amigos. Ela não fazia ideia do que William estava a tentar fazer. Na verdade, nem William sabia bem no que estava a pensar. Apenas lhes queria pregar um susto. Tencionava parar o carro a uma distância segura. Mas tinha chovido nessa noite, o piso ainda estava molhado, e William não carregou a tempo no travão. Laura já estava no meio da caminho e Alex já não a puxou para trás a tempo. O carro acertou-lhe em cheio e atirou-a para o chão. Os amigos correram para junto dela, joelhando-se à sua volta. Foi Tim que gritou a chamar por ajuda, já que os outros estavam demasiado aflitos. A professora Isabella chegou nesse instante e chamou uma ambulância. William queria sair dali, mas Nick e Leo reagiram a tempo de o impedirem. Alex continuava com Alycia, ambos debruçados sobre Laura. A rapariga que estava com William no carro desapareceu dali. Estava instalado o pânico e Laura continuava deitada, sem reação alguma. 

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Boa tarde! Como estão? Espero que gostem de mais um capítulo, com um final um pouco dramático. Mesmo assim espero que gostem, em breve venho publicar mais um! Fiquem bem e até ao próximo capítulo :) 

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