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You And I

19
Set20

You And I - Capítulo 66


JustAnOrdinaryGirl

mãos dadas gifs | WiffleGif

Alex nem tinha bem a certeza de quantos minutos tinham passado desde que aquela "bomba" caíra sobre eles. Ver Laura naquele estado, tão apática, deixava-o cada vez mais aflito. E George também estava preocupado... e confuso. Mas estavam todos. Nada daquilo fazia sentido. 

- Não é possível... - Foram as primeiras palavras de Laura quando voltou à realidade. Sentiu Alex e George respirarem de alívio por vê-la reagir. - Vivi estes anos todos numa mentira? - perguntou, olhando para o homem mais velho - Porque para mim, houve apenas um acidente e os meus avós foram as vítimas... - disse

- Pois para mim, minha querida Laura, também houve apenas um acidente... Mas as vítimas eram a Theresa e o filho bebé dela, o teu irmão Leo - ele contou, triste

- E se o George nos contar a sua versão toda? - Alex sugeriu, olhando de um para o outro

- Sim, eu posso fazer isso - George concordou - Depois vocês comparam com o que vos foi contado e talvez consigamos perceber alguma coisa do que aqui se está a passar - acrescentou

- Então, se não se importa, conte-nos desde o momento em que eles se mudaram para cá... Tem tempo? - Laura pediu

- Claro que sim, e se não tivesse arranjava. Este assunto é demasiado sério para ficar a meio - ele garantiu. Telefonou a Sophia e pediu-lhe para desmarcar tudo o que pudesse ter agendado para essa tarde e para não ser interrompido por nada - Vamos lá então... - parou apenas o tempo suficiente para organizar as ideias e recordar pormenores importantes - Eu geria um hotel na Irlanda, um hotel que estava na minha família há anos. Os teus avós trabalhavam lá comigo e eram duas das pessoas que eu mais estimava na minha equipa. A tua avó começou por ser empregada de quartos e depois acabou por passar para rececionista. E o teu avô era o meu porteiro. Sempre com um sorriso para receber todos os hóspedes. - Contava, com um misto de orgulho e saudade - Há uns anos, talvez quando a Theresa tinha uns 14 ou 15 anos, surgiu a oportunidade de abrir um hotel aqui na América. Não hesitei em chamar a Candice e o Bryan para a equipa. Precisava de pessoas experientes e que fossem de confiança, tinham de ser eles - disse. Até ali, tudo batia certo com a história que Laura conhecia. Mas ela não o interrompeu. Queria ouvir tudo e perceber onde começava a divergência de histórias. - Assim, no fim de dois anos, já a Theresa tinha uns 16 ou 17, viemos para a América. Eu e a minha equipa, prontos a continuar aqui o que construímos na Irlanda. Os teus avós conseguiram uma casa muito em conta, com espaço para eles e para as duas filhas, a Theresa e a Louise. Enquanto eles trabalhavam, as duas filhas estavam na escola. Bem, tinham uma vida completamente normal e adaptaram-se muito bem à vida americana. - ele continuou. Continuava tudo a bater certo, mas Laura pouco mais sabia, por isso tinha a certeza que era agora que ia conhecer coisas novas. - Passado uns tempos, a Louise voltou à Irlanda, ela sempre foi a que menos se adaptou e conseguiu um emprego lá. Casou pouco depois com o Peter, o namorado dos tempos de escola que sempre esperou por ela e têm duas filhas - a Alice e a Elena. - George disse. Os olhos de Laura ficaram cheios de lágrimas. Tinha duas primas que não conhecia. Um tio e uma tia que, provavelmente, nem sabiam da sua existência - Os teus avós e a Theresa continuaram por cá. A tua mãe conheceu um rapaz na escola, o...

- Edward Collins... - Laura disse por ele

- Sim, o Edward. Ele terminou o liceu um ano antes dela e foi para a universidade de direito, mas o namoro sobreviveu. Ela também estudou e acabou a universidade, mas penso que não chegou a exercer... - ele disse, mas na dúvida. 

- Não... A minha mãe casou logo que terminou o curso e ficou grávida do Leo... - Laura contou. Algo que ela também sabia

- A Candice e o Bryan não ficaram muito agradados, mas ela era maior de idade... - George comentou. Vendo a curiosidade no rosto de Laura, decidiu explicar - O Edward era boa pessoa, mas... Os teus avós sempre o consideraram um pouco controlador, talvez um pouco ambicioso demais... E queriam que a tua mãe construísse uma vida profissional e não que abdicasse de tudo para ser mãe e dona de casa. Queriam que ela pudesse ser tudo e não apenas uma das coisas. Tinham medo que depois se sentisse frustrada. - Laura conseguia ver aquelas características no pai. Quanto a Theresa, sabia o quanto ela adorava os filhos e estava certa de que não se tinha arrependido, mas talvez o casamento e os filhos antes do planeado a tivessem prejudicado mais à frente. 

- E depois? - Laura quis saber.

- A gravidez da Theresa correu muito bem e ela andava muito feliz, sempre a imaginar como seria o rapaz que estava para chegar. Ela passava muito tempo aqui no hotel, para ter a companhia dos pais. O marido estava sempre a trabalhar - George contou com nostalgia - Ela teve o menino, o Leonard, e tudo parecia estar bem... - parou apenas o tempo suficiente para que Laura percebesse que vinha aí um "mas". E estava certa. - Mas... as coisas começaram a mudar com o Edward... Os teus avós nunca chegaram a perceber o quê, mas alguma coisa tinha acontecido. Ela andava triste e, apesar de ela não dizer nada, a Candice sabia que alguma coisa no casamento não estava bem. Ainda durou uns cinco ou seis meses depois do Leonard ter nascido - ele contou. Esta era uma coisa que Laura não sabia. Não fazia ideia de que os pais tinham problemas há tanto tempo. - Mas depois ela arranjou um emprego como decoradora, começou a andar mais calma, mais feliz... Mas também tinha aqueles momentos mais infelizes... Não sei pormenores sobre isso, minha querida, acho que nenhum de nós chegou a saber... - a tristeza apoderou-se novamente dele - E depois...

- O acidente? - Laura perguntou, um pouco a medo. Sabia que era ali que exisitia a maior divergência na história de George e a história que ela ouvira dos pais

- Sim... - ele confirmou. Fez mais uma pausa antes de falar, talvez dando tempo para que Laura se preparasse para ouvir. Alex pegou na mão da namorada - Os teus avós estavam a trabalhar, tínhamos tido uma reunião nesse dia, por causa de uns hóspedes que íamos receber, uns ministros... - ele começou - A Theresa tinha ficado de aparecer, mas passou a manhã e parte da tarde sem dizer nada. A Candice andava nervosíssima e o Bryan tentava de tudo para a acalmar. Nem o Edward atendia o telefone. E na altura, os pais do Edward estavam fora, numa viagem pela Europa, por isso não nos podiam ajudar - continuava - O Edward ligou mais tarde para os teus avós... Disse que tinha havido um acidente, grave, e que infelizmente a Theresa e o pequeno Leonard não tinham sobrevivido... - Nessa altura as lágrimas já corriam pelo rosto dos três. Era uma história horrível, mas era mentira. Theresa e Leonard estavam vivos. As lágrimas de George tinham um motivo: durante anos acreditara que Theresa, uma menina que vira crescer, tinha morrido. Laura chorava de revolta. Porque durante anos, aparentemente, os avós estam vivos e , durante 17 anos, acreditaram ter perdido a filha e o neto. Mas por quê? - Mas agora, dezassete anos depois, chegas aqui e dizes que és filha da Theresa e que ela está viva... Como? - George quis saber. Tinha chegado a vez de ser ele a fazer as perguntas, mas Laura não tinha resposta nem para metade. 

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Boa noite, como estão? Eu sei que é tarde, mas queria mesmo publicar este capítulo e não consegui esperar por amanhã. Talvez a história ainda esteja muito confusa, mas a versão da Laura (no próximo capítulo) vai ajudar-nos a perceber um pouco mais do que se passou. E a conversa que o Leo e o Nick vão ter com os antigos vizinhos de Candice e Bryan tamém. Espero que estejam a gostar! Deixem as vossas opiniões e obrigada por acompanharem! Fiquem bem e até ao próximo capítulo :)