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You And I

10
Mar20

You And I - Capítulo 54


JustAnOrdinaryGirl

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- Vou sair! - Laura avisou. Tinha jantado com os pais, apesar de o terem feito em silêncio. Mas não fazê-lo só ia criar ainda mais confusão

- E com autorização de quem? - Edward questionou. Não estava a gostar nada daquela atitude

- Posso? - Laura pediu - Vou ficar longe dos meus amigos, do meu namorado e do meu irmão. Disseste para aproveitar esta semana para me despedir. Posso fazer isso? - explicou o pedido - Eu vou a casa do Nick, ter com ele e com o mano. A Alycia está num jantar de família e o Alex também foi resolver uns assuntos com os pais. Como vês, não há a possibilidade de estar com eles hoje. - Acrescentou. Sabia dos planos de Alycia desde essa tarde e tinha estado ao telefone com Alex antes de jantar. Sabia apenas que os pais do namorado tinham algumas novidades para ele e que tinham pedido que passassem o serão juntos. Laura ainda não lhe tinha contado o que se passara, não queria estragar o momento em família. Para serões complicados já bastava ela.

- Muito bem, podes ir - Edward disse, apesar de não estar totalmente satisfeito - Mas eu vou lá deixar-te e depois vou buscar-te. Só para garantir - Claro que havia condições

- O Nick mora praticamente aqui ao lado, pai, eu posso perfeitamente ir a pé... - Laura disse. Era absurdo entrar no carro por uma viagem tão curta. E aquele bairro era bastante seguro, portanto o pai nem sequer tinha de se preocupar com esse assunto

- Eu prefiro assim! - Edward disse, preparando-se já para ir buscar as chaves do carro e os seus documentos

- Edward, querido, disseste que tinhas imensos documentos para ler... - Theresa começou - Posso ser eu a ir pôr a Laura, se preferires - ofereceu-se, deixando o marido surpreendido e Laura mais aliviada. Preferia que fosse a mãe a levá-la, o ambiente seria mais leve e podiam aproveitar para conversar um pouco. 

- Tens a certeza, Theresa? Ou queres apenas ir ver o Leonard? - Edward questionou. Apesar de o filho ter saído de casa, dward nunca tinha dito que nunca mais o poderiam ver. Mas Theresa sabia que era isso que o marido pensava.

- Oh, não te preocupes com isso! - Laura disse imediatamente - O Leo já deixou bem claro que não vos quer ver ou falar com vocês sequer. Com nenhum dos dois! - Disse. Era mentira, claro. Pelo menos em parte. Leo queria evitar o pai, mas nunca se iria opôr a falar com a mãe. Sabia bem que, por ela, continuava a morar lá em casa. Mas Laura tinha de dizer aquilo, era a única maneira de a mãe ir com ela.  
Edward acabou por concordar. Na verdade, até acabara por sugerir que Theresa esperasse por Laura dentro do carro. Pretendia que a visita da filha mais nova a casa do amigo fosse o mais curta possível. E se Theresa estivesse à espera, Laura não se ia demorar de certeza. Quando entraram no carro, Laura apressou-se a explicar: - O Leo não quer ver o pai, mas vai adorar ver-te a ti! - Ao ouvir estas palavras, a mais velha respirou de alívio. A viagem prosseguiu em silêncio. Estavam ambas pensativas e nervosas - Achas que há volta a dar? - Laura acabou por perguntar

- Quero acreditar que sim, filha! - Theresa disse, olhando para ela por apenas uns segundos. Estavam já a estacionar o carro. Era, de facto, uma viagem muito curta - Não vou aguentar estar longe de ti também, meu amor... - Theresa soluçou, mas conteve-se. Não queria que Laura a visse a chorar mais. E não queria chorar ainda antes do reencontro com o filho.

- Porque é que não proíbes o pai? - Laura perguntou

- Proibir o teu pai, Laura? - Theresa riu com ironia - Parece que não o conheces...

- Se me contasses o que se passou, mãe... - Laura pediu - Eu sei que se passou alguma coisa que te faz ser assim tão fiel ao pai... E não digas que é o casamento, porque eu sei que não. Um casamento é suposto ser algo bom, não algo que nos faça viver numa prisão, que nos corte as nossas ideias, a nossa personalidade. Só gostava que confiasses em mim e no mano. Nós podemos ajudar! - Laura insistia, esperando que, a qualquer momento, a mãe dissesse qualquer coisa, que revelasse qualquer pista. 

- São coisas do passado, Laura... - Foi a única resposta

- Mas que nos continuam a afetar o presente e, por este andar, o futuro também. - Laura disse - O pai sempre foi assim tão preconceituoso? - Laura decidiu optar por outra abordagem. Ia fazer perguntas mais aleatórias, talvez chegasse a algum lado

- Sim, ele sempre teve assim estas ideias - Theresa confirmou - Mas eu só soube muito depois de o conhecer - esclareceu

- Mas os avós são tão diferentes... - A jovem comentou

- Isso não quer dizer nada, Laura - Theresa disse - Basta olhar para ti... Tens um pai como ele, preconceituoso, mas tu és totalmente o oposto dele - fê-la ver

- Porque te tenho a ti e aos avós! - Ela disse, com orgulho - O mano costumava ser mais como o pai... - lembrou

- Mas tem uma irmã como tu! - Foi a vez de Theresa se sentir orgulhosa

- O que é que achas do facto de o mano se ter apaixonado pelo Nick? - Laura perguntou. Estava a fugir um pouco ao assunto do segredo da mãe, mas esta conversa ajudava-a a perceber como era a mãe e talvez conseguisse alguma pista do passado. 

- Não estava à espera... O teu irmão namorava a Clarissa há imenso tempo e, tal como já disseste, ele era muito parecido com o teu pai... - Theresa disse - Naquele dia que contaste que o Nick é homossexual, reparei que ele reagiu com muita naturalidade...

- Ao contrário do pai, que só lhe faltou deitar a louça ao chão - Laura comentou, recordando aquele dia - Quanto ao mano, ele já sabia. Ele e o Nick sempre foram amigos, apesar de não serem tão próximos como eu e o Nick... - Laura contou

- Mesmo assim o teu irmão reagiu naturalmente e isso deu-me esperança de que ele podia ser diferente do pai. Mas nunca pensei que tão diferente. - Theresa continuou, revelando o que sentia em relação a tudo aquilo - Também sei que desde esse dia o teu irmão começou a mudar, especialmente por ver como te estavas a sentir. 

- Foi nesse dia que percebi que o pai era realmente preconceituoso - Laura confessou - Ele de vez em quando fazia comentários desagradáveis e tudo, mas... Como é que nunca percebi isso antes? - quis saber

- Talvez porque, se fizeres um esforço para pensar, esse tipo de assuntos sempre foi "interdito" lá em casa - Theresa explicou e Laura percebeu que era verdade. Nunca se falava dessas coisas lá em casa, só daquilo que, segundo o pai, era considerado "normal". A família não tinha amigos de outras etnias. Nos almoços e jantares só estavam os familiares mais chegados, os mesmos de sempre. E o pai, na sua profissão, já várias vezes fora advogado de acusação de pessoas de outras etnias e culturas. Inclusivé de uma família árabe acusada de roubo. E ganhara o caso apesar de não ter sido grande roubo. - Acho que só a partir dessa revelação é que o teu pai percebeu que tinha de começar a passar-vos mais essa ideia de que as pessoas "diferentes" não são bem-vindas nas nossas vidas. - concluiu

- Mas o Leo já tinha essa ideia... 

- Sim, porque via como o pai agia. Tu foste diferente porque tinhas o Nick e a tua avó sempre fez questão de te mostrar o que realmente importa - Theresa explicou. 

- Mas tu podias ter tido essas conversas connosco, mãe. Sobre sermos todos iguais e de que o que importa é que sejamos felizes - Laura disse, voltando um pouco ao início da conversa

- Pois podia, mas... Tu sabes como são as coisas... - disse em modo de lamento

- Mas fico feliz por perceber que realmente és diferente do pai... De certeza que os teus pais te educaram bem nesse aspeto... - Laura comentou

- Vamos mas é ver do teu irmão. Está a ficar tarde e não queremos aborrecer ainda mais o teu pai - Theresa apenas disse, fugindo do assunto. Laura concordou com um aceno e um sorriso. Mas percebeu que havia ali qualquer coisa escondida. Raramente se falava nos avós da parte da mãe. Laura e Leo apenas sabiam que eles não eram vivos. E que tinham partido antes de eles nascerem. Mas mais nada. Com aquela "fuga" ao assunto por parte da mãe, fez-se luz na cabeça de Laura. Idependentemente do segredo que a mãe escondia, Laura acabava de perceber que não era apenas o pai que estava envolvido. Os seus avós maternos também estavam. Fosse o que fosse, era mais complicado do que pensara que fosse. E tinha uma semana para descobrir tudo. Era a única forma de se salvar a ela e de, acima de tudo, salvar a mãe.

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Bom dia, como estão? Hoje decidi aproveitar o tempo livre da manhã para vos trazer mais um capítulo :) Trago-vos uma conversa entre mãe e filha. Gostaram? Parece que o segredo da Theresa é maior e mais complicado do que parecia. Têm alguma desconfiança? Deixem as vossas opiniões e muito obrigada a quem tem acompanhado! Fiquem bem e até ao próximo capítulo :)