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You And I

24
Mar19

You And I - Capítulo 22


JustAnOrdinaryGirl

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- Vão para a sala! -  Edward ordenou assum que entraram em casa. O tom de voz que estava a usar dava a entender o rumo que a conversa ia ter - Emma, sei que é uma situação chata, mas importas-te de nos deixar a sós? - pediu, tentando manter um ar mais calmo enquanto se dirigia à convidada. 

- Não há problema - Emma disse, esboçando um sorriso apenas por cortesia. A situação não estava para rir - Eu vou aproveitar para dar uma volta pelo bairro - anunciou e, antes de os deixar, olhou para Laura e sorriu como que para lhe dar alguma força.

- Agora nós! - o tom de voz de Edward voltou a mudar. Permaneceu de pé em frente aos filhos, que entretanto se tinham sentado no sofá

- O Leo não tem nada a ver com isto, deixa-o ir - Laura pediu

- O teu irmão escondeu-me a verdade, portanto fica! - Edward disse, firme, olhando com desaprovação para o filho mais velho - Por isso é que não querias revelar a identidade desse namorado, não era? - perguntou, voltando a olhar para a filha - Como é que foste fazer uma coisa dessas, Laura? Namorar com um cigano?! - o tom de voz do pai ia subindo e tinha a face vermelha de fúria - Como, Laura?! - gritou. Sentado ao lado da irmã, Leo sentiu-a tremer. - Ou isto tudo é apenas para me desafiar? - quis saber. 

- Eu gosto mesmo dele! - Laura confessou

- Ele é cigano, Laura! - Edward voltou a gritar e Leo sentiu a irmã retrair-se

- Ele é uma pessoa! Uma pessoa! - Laura demorou uns segundosLaura falou num tom de voz mais alto, encarando o pai. Não queria deixar-se abater pelas palavras dele - Uma pessoa de quem eu gosto e que gosta de mim. E isso devia ser a única coisa que importa. - Disse-lhe, um pouco mais calma. As lágrimas desciam pelo seu rosto. 

- O que é que se passa? - Theresa tinha acabado de entrar em casa e seguira os gritos até à sala - Edward? - voltou a perguntar depois de ver o estado em que os três estavam

- Passa-se que afinal o namorado da tua filha não passa de um cigano! - disse sem nunca desviar o olhar da filha

- O quê?! - Theresa perguntou, incrédula com o que acabava de ouvir - Laura? - olhou para a filha e a falta de resposta confirmou - Tu sabias disto, Leonard? - olhou agora para o filho mais velho

- É claro que sabia! - Edward respondeu por ele - Devias ter contado a verdade, Leonard! - repreendeu e logo depois voltou-se novamente para Laura - O que é que tu queres fazer da tua vida, Laura? - perguntou, tentando manter um tom mais moderado ou teriam os vizinhos a tentar descobrir o que se passava ali

- Quero vivê-la! - Laura respondeu e as palavras saíram sem ter de pensar nelas

- E achas o quê? Que estar ligada a essa gente te vai dar uma vida feliz? Eles são ciganos, Laura. E toda a gente sabe a fama que eles têm - atirou sem dar tempo para que Laura respondesse. Nem sequer pensou se as suas palavras iriam ou não magoar a jovem

- Muita dessa fama apenas existe por causa de pessoas como tu! - Laura respondeu - Sabes bem que a mãe do Alex não é cigana. E no entanto tem uma vida boa, é feliz! - contou

- Uma vida boa e feliz?! - O pai perguntou com ironia - Não sejas ingénua, Laura! Mas se ela quis essa vida, o problema é dela! Tu és minha filha e não vais seguir o exemplo dessa mulher - ele avisou

- O que é que queres dizer com isso? - Laura perguntou mesmo tendo medo de saber a resposta

- Esse namoro vai acabar! - disse sem rodeios

- Desculpa?! - a rapariga olhou-o, incrédula - Só podes estar a brincar - disse quase num sussurro

- Achas que estou a brincar? - o tom de voz de Edward voltou a subir - E só não te mando já para um colégio interno porque isso seria um desgosto para a tua mãe - ele avisou - E a partir de agora é casa-escola, escola-casa. Eu mesmo farei questão de te ir buscar todos os dias. - acrescentou - E quanto a esse namorico, espero que o termines o mais depressa possível. Se eu sei que continuam juntos ou se arranjam algum plano acredita que nem os sentimentos da tua mãe me vão impedir de te internar num colégio! - terminou

- E porque é que os sentimentos de alguém te haviam de impedir? Tu não queres saber dos sentimentos de ninguém, só dos teus preconceitos! - Laura atirou-lhe à cara. Leo pegou-lhe na mão. 

- Vai para o teu quarto! - Edward ordenou - Mas antes deixas aqui o teu telemóvel. Dou-to quando esse namoro terminar. Até lá não quero mensagens nem chamadas! - Laura desligou o telemóvel e atirou-o para cima da mesa de centro da sala e levantou-se para ir para o quarto

- Espero que um dia destes percebas o que realmente importa - disse

- Laura, já chega! - Theresa interveio na conversa

- Achei que pensavas de maneira diferente, mãe - Como não obteve resposta, começou a andar em direção ao quarto

- Laura... - Theresa chamou, sem sucesso

- Deixa-a ir, ela que pense nas asneiras que anda a fazer - Edward apenas disse antes de finlmente se sentar na poltrona. 

***** ***** ***** ***** *****

Leo seguiu a irmã e entrou no quarto atrás dela. Laura sentou-se na cama e apoiou a cabeça nas mãos. O rapaz sentou-se ao lado dela e deixou que ela deitasse a cabeça no seu colo. Há imenso tempo que ela não fazia isso. A última vez tinha sido depois de um arrufo insignifcante com Emma quando eram crianças. Leo não disse nada, sabia que a irmã precisava de espaço. Estar ali com ela, naquele momento, era a maior ajuda que lhe podia dar.

- Porque é que as coisas têm de ser assim, mano? - Laura perguntou por fim

- Tu sabias que ia ser difícil, mana - Leo disse - Agora vais ter de dar tempo ao pai, talvez ele reconsidere... 

- Achas mesmo?! - Laura acabou por se levantar e encarou o irmão - O pai nunca vai aceitar! - Laura disse, triste

- E o que é que estás a pensar fazer? - o irmão quis saber. De certeza que Laura tinha alguma coisa em mente. E se ainda não tinha, ia ter em breve. Conhecia-a bem. 

- Só me apetece fugir daqui! - admitiu - Mas não vou fazê-lo! - apressou-se a acrescentar ao ver a aflição no rosto do irmão - Se o fizesse, o pai ainda ia atrás do Alex e eu não quero isso. Mas também não vou deixar o Alex. Isso seria como abandonar aquilo em que acredito. Não desisti do Nick e não vou desistir do Alex - disse, convicta da decisão que tinha tomado. O irmão puxou-a para um abraço - E preciso que me faças um favor - lembrou-se - Primeiro diz à Emma que volte para casa - pediu, lembrando-se que a amiga, àquela hora, já devia ter dado mais de vinte voltas ao bairro - E depois preciso que avises o Alex, o Nick e a Aly que estou bem. Falo com eles na segunda, na escola. Podes fazer isso? - pediu

- Claro que sim - Leo concordou de imediato - Ficas bem? - Leo perguntou e, quando ela assentiu, despediu-se com um beijo na cabeça. Fez depois o que Laura lhe pedira, explicando apenas o que podia numa mensagem, mas descansando todos. Pediu ainda a Alex que não aparecesse lá em casa, isso só ia tornar tudo mais complicado. 

Pouco depois, Emma regressou a casa. Cumprimentou Edward e Theresa e foi ter com Laura. Encontrou a amiga deitada em cima da cama, a olhar para o teto. Pediu licença e foi deitar-se ao lado da amiga. - Queres falar? - Emma apenas perguntou e depois ouviu o desabafo de Laura. 

- Não percebo como é que ele é assim, sabes? - desabafou depois de terminar - Os meus avós são tão compreensivos, têm uma mente tão aberta... - explicou e Emma recordou como a avó de Laura tinha falado com elas sobre o facto de Nick gostar de rapazes e não de raparigas. - Não percebo onde é que o meu foi buscar estas ideias. 

- Achas que há algum motivo em especial? - Emma ficou curiosa

- Só pode haver - Laura admitiu a sua desconfiança - Seja o que for, não é desculpa para ele agir assim perante qualquer coisa que fuja aos padrões dele - acrescentou

- Felizmente tu e o Leo saíram aos teus avós - Emma sorriu

- O Leo teve uma altura em que era mais preconceituoso, por influência do meu pai e do melhor amigo dele, o Tim - Laura revelou - Felizmente passou-lhe - disse, aliviada. As duas deixaram a conversa por ali e permaneceram deitadas a olha para o teto. - Lamento que tenhas de assistir a esta confusão toda - Laura acabou por dizer

- Mas assim tens-me cá para te ajudar. E eu sei que provavelmente queres é estar com o Alex, mas eu vou estar aqui para te apoiar e para tornar o teu fim-de-semana um pouco melhor - Emma garantiu

- Ainda bem que a nossa amizade sobreviveu à distância - Laura disse, feliz - Se não fosses tu e o Leo...

- Ei, ainda tens os teus amigos...

- Sim, eu sei que tenho. Estava a referir-me ao facto de vocês os dois serem as únicas pessoas com quem posso estar sem o meu pai entrar em colapso nervoso - Laura explicou o que queria dizer. Foram interrompidas por uma leve pancada na porta e segundos depois viram Leo espreitar. 

- Vamos jantar? - Leo perguntou às duas amigas. Ainda achou que a irmã iria preferir ficar no quarto e ficou surpreendido quando ela o seguiu até à sala de jantar

- Achei que não te ias juntar a nós. - Edward comentou ao ver a filha sentar-se à mesa. Laura mal olhou para ele.

- Bem, vamos mas e jantar - Theresa interveio tentando evitar um mal-estar ainda maior - O que é que estão a pensar fazer no fim-de-semana? - perguntou, para tentar quebrar o gelo. Laura olhou-a, incrédula. Como é que conseguiam agir como se nada tivesse acontecido? 

- Eu e a Laura vaos estudar e pôr a conversa em dia - Emma chegou-se à frente na resposta - Oh, e podemos fazer uma daquelas nossas festas do pijama. Pipocas e filmes! - sugeriu a Laura com um sorriso. Apesar de quase não se notar, Laura sorriu-lhe de volta.

- Espero estar convidado! - Leo intrometeu-se

- Claro que sim - Emma concordou - Será como nos bons velhos tempos - acrescentou com um sorriso nostálgico

- Como nos bons velhos tempos?! - Laura perguntou e, pela primeira vez, olhou para o pai - Para isso o Nick teria de estar cá - disse sem desviar o olhar de Edward. 

- Não vale a pena recomeçares, Laura! - Edward repreendeu - E espero que saibas que conversas com essa gente também estão proibidas na internet - acrescentou ao castigo - E isso também vale para ti, Leonard! - olhou para o filho. Leo não podia dizer que estava surpreendido com aquilo. Tudo o que o pai queria era evitar surpresas como o namoro de Laura com Alex. Naquela noite, valeu-lhes a presença de Emma, que foi respondendo a algumas perguntas de Edward e Theresa. Quando o jantar terminou, Laura, Emma e Leo acabaram por deixar os pais sozinhos. Emma e Leo conseguiram convencer Laura a ver um filme mas, de vez em quando, davam por ela a limpar uma lágrima ou absorta nos seus pensamentos. Quando finalmente adormeceu, Leo levou-a para o quarto dela e deitou-a na cama. Emma segui-os e deitou-se no colchão onde ia dormir aqueles dias. Leo despediu-se e, antes de sair, ficou uns segundos a observar a irmã. Tão tranquila depois da tempestade. O fim-de-semana ia ser longo. 

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Boa noite! E aqui está mais um capítulo, espero que gostem! Eu sei que está grande mas a verdade é que me entusiasmei a escrever. Já vos tinha dito que as partes dramáticas me deixam sempre mais entusiasmada e inspirada. Espero mesmo que tenham gostado. E vêm aí mais algumas partes dramáticas. Isto foi basicamente o início do que ainda vem por aí! Deixem as vossas opiniões e obrigada por estarem desse lado :) Fiquem bem e até ao próximo capítulo! Entretanto ouçam a playlist desta história aqui em baixo :)