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You And I

23
Jul16

"Taking Chances" - Capítulo 19


JustAnOrdinaryGirl

Brittany conseguiu viajar cedo no dia seguinte e, por volta da hora de almoço, estava em casa, pronta para falar com a mãe. Antes de a progenitora chegar, tomou um banho e arrumou as ideias para o grande momento. Precisava de por um ponto final em toda aquela história e sabia que, corresse bem ou não, aquele era o momento para o fazer. Sentou-se no sofá e esperou que a mãe chegasse. Não demorou mais de 10 minutos até que isso acontecesse.

- Brittany… - Claire disse quando viu a filha sentada no sofá – Não estava a contar que já estivesses em casa – afirmou, entrando na sala e sentando-se em frente à filha, noutro sofá.

- Eu disse-te que não ia demorar, mãe – Brittany apenas disse

- Para teres vindo tão depressa presumo que a conversa não te tenha agradado – Claire suspirou – O teu pai fez alguma coisa? – Perguntou, analisando o rosto da filha

- O pai não fez nada, mãe – a rapariga começou – E na verdade a conversa foi bastante esclarecedora – acrescentou, encarando a mãe. Quando a mais velha não disse nada, Brittany continuou – Quando é que estava a pensar contar-me que o pai não foi o único culpado nesta situação?

- O quê?! – A mãe perguntou, surpreendida com a forma tão direta como a rapariga colocou a questão

- Está assim tão surpreendida, mãe? – Perguntou, fazendo um esforço por não levantar a voz ou desabar em lágrimas – Eu sei das encomendas que o pai me enviou, da mentira dos Smith em relação à nossa morada, da sua traição ao pai – parou e respirou fundo – Eu já sei de tudo e a única coisa que tenho para lhe perguntar é a mesma coisa que perguntei ao pai: Porquê?

- Uma vida inteira sem querer saber de ti e tu acreditas na primeira coisa que sai da boca dele – Claire disse

- Eu vi as caixas com a morada dos Smith e autocolante dos correios com um “devolvido ao remetente”, vi a foto de nós os três em casa dos Smith. Eu vi as provas, mãe. Como é que pode estar à espera que eu acredite que é tudo mentira? – Perguntou, desiludida – Porque é que fez isto, mãe? Porque é que nunca me contou a verdade e impediu o meu pai de me ver? – Agora as lágrimas começavam a ameaçar

- Porque tive medo de te perder! – Gritou estas palavras e as lágrimas surgiram no seu rosto. Normalmente não cedia assim à frente das pessoas, mas não aguentou – Tive medo que o teu pai pedisse a tua custódia e que conseguisse, que te levasse para Los Angeles e que eu ficasse longe de ti, Brittany – explicou, com as lágrimas a dificultar a respiração

- E para que isso não acontecesse decidiu que seria o meu pai a ficar sem me ver – Brittany concluiu – Porque é que não tentou resolver as coisas de outra maneira? Através de uma custódia conjunta ou algo do género?

- Na altura só pensei no medo que tinha de te perder, de não te ver crescer. Não queria que os meus erros me tirassem a única coisa de bom que tinha na vida – Claire tentou justificar-se, sabendo que a filha estava realmente desiludida

 - Sabes o que eu passei por pensar que o meu pai não queria saber de mim? O que passei por querer ser igual às outras meninas que falavam dos pais com tanto orgulho? Eu sempre achei que o meu era a pior pessoa do mundo porque abandonou a filha e a mulher porque gostava mais de outra família – Brittany desabafou, também ela com os olhos cheios de lágrimas – O pai errou, sim, porque podia ter procurado mais, podia ter lutado mais. Mas tu também erraste, mãe! – Disse – Podias simplesmente ter contado a verdade. O que é que eu ia fazer, viajar para Los Angeles? Não podia a menos que me autorizasses. Mas pelo menos saberia que tinha um pai como todas as outras crianças, um pai que queria saber de mim mas que estava longe – Brittany limpou a cara com as costas da mão – Finalmente percebo a tua relutância em falar no passado.

- Desculpa, Brittany – Claire pediu – É a única coisa que te posso dizer agora. Eu errei, sim, mas quero que saibas que nunca te menti para te magoar. Apenas queria que tivesses uma boa vida, que estivesses comigo. Desculpa, filha – As lágrimas caíam agora com mais intensidade e Claire nada fez para as evitar

- Mãe… - Brittany levantou-se e dirigiu-se à mãe, abraçando-a e confortando-a- Apesar de tudo, era sua mãe e não a conseguia ver naquele estado. Tal como acontecera com o pai, não era capaz de esquecer tudo e viver como se nada tivesse acontecido. Ia demorar a voltar ao normal, mas Brittany sabia que um dia isso ia acontecer. Naquele momento tudo o que se ouvia na sala eram os soluços de ambas e vários “desculpa” murmurados por Claire. Depois de longos minutos, ambas se recompuseram minimamente

- Posso fazer-te mais uma pergunta, mãe? – Brittany perguntou quando se voltou a sentar – O homem com tu traíste o pai… era o pai do Henry não era? – Claire assentiu, envergonhada – A vossa relação foi só depois de eu nascer ou…

- A nossa relação não passou de um caso de uma ou duas noites e tu já tinhas nascido. Não há qualquer hipótese de tu e o Henry serem irmãos! – Claire disse mesmo antes de Brittany ter terminado a pergunta – O pai do Henry sempre foi um mulherengo. Eu trabalhava para ele e não passei de mais uma. Quando o teu pai descobriu ele confrontou-nos e acabou tudo. Ele queria despedir-me mas eu ameacei contar tudo à mulher dele e depois ele acabou por me arranjar um emprego onde trabalho agora. – Claire contou, esclarecendo tudo de uma vez

- Já alguma vez pensaste em sair daqui e começar uma vida nova? – Brittany perguntou do nada

- Acho que me habituei a viver assim, conformei-me a viver assim – Claire disse, com o olhar um pouco vazio – Brittany… estás a pensar ir viver com o teu pai? – Perguntou, nervosa

- Estava a pensar passar o resto das férias da Páscoa lá. São poucos dias e o Gustav e a Anna estão lá. E sabias que tenho um irmão mais novo, o Gabe? Gostava de o poder conhecer melhor – Brittany informou – Mas volto quando as aulas começarem

- E depois? – Claire perguntou com medo de que isto significasse que podia perder a filha

- Depois logo se vê, mãe – Brittany esboçou um sorriso quase impercetível – Mas não quero que penses que te vou deixar. Apesar de tudo o que aconteceu, sempre fizeste tudo por mim, nunca deixaste que me faltasse nada e eu não me vou esquecer disso. Mas acho que preciso de tempo e preciso que me deixes, finalmente, conhecer o meu pai e os meus irmãos

- Desta vez não te vou impedir, filha – Claire disse, um sorriso tímido a aparecer – Se é isso que tu queres, então não vou continuar a impedir-te de teres a tua vida – Ambas se levantaram e aproximaram-se, dando um abraço apertado – Mas antes de ires, fala com o Henry. As coisas entre vocês precisam de ser resolvidas, principalmente agora que vais passar uns dias a Los Angeles – Claire aconselhou e Brittany concordou

Mais tarde, Henry passou lá por casa, a pedido da rapariga. Claire já tinha saído para o trabalho e assim os dois poderiam ter mais privacidade. Ambos se sentaram na sala, de frente um para o outro

- Pensei que fosses estar em Los Angeles durante mais tempo – Henry disse – Como é que ficaram as coisas com o teu pai?

- As coisas correram bem e estamos a levar um dia de cada vez, a tentar ultrapassar o que aconteceu. Pode demorar mas… - Brittany disse e Henry interrompeu-a

- Fico contente que pelo menos haja a hipótese de correr tudo bem – Henry disse com sinceridade – Mas aposto que não me chamaste aqui para falar do teu pai…

- Não – Brittany começou e respirou fundo antes de continuar – Eu vou passar os dias que faltam das férias a LA – informou, encarando o rapaz à sua frente

- E depois? – Perguntou, tal como fizera a mãe da rapariga momentos antes – Vais deixar a tua mãe e ir viver com o teu pai, o homem que te abandonou?

- Vou voltar para concluir o ano letivo e depois logo se vê, Henry – a rapariga disse, um pouco incomodada com a maneira como Henry fez – E em relação ao abandono do meu pai, havia coisas que eu não sabia. O meu pai não foi o único culpado nesta história toda – Brittany contou o que realmente se passou com os seus pais e Henry apenas murmurou um “desculpa” quando percebeu que não devia ter falado assim – E há uma coisa que eu preciso de te perguntar, Henry – o rapaz assentiu e Brittany prosseguiu – Sabias que esse patrão da minha mãe era o teu pai?

- O quê?! – Henry estava estupefacto – Eu sempre soube que o meu pai tem casos fora do casamento mas não fazia ideia de que a tua mãe fosse um desses casos – o rapaz continuava incrédulo – Se eu soubesse eu ter-te-ia contado, Britt, sabes que sim

- Eu sei, precisava apenas de esclarecer isso. Desculpa! – Pediu

- Tudo bem, provavelmente no teu caso teria feito o mesmo – Henry descansou-a – E em relação a Los Angeles, vais mesmo para lá?

- Nos próximos dias sim. Depois volto para terminar as aulas e depois logo se vê. Sou incapaz de deixar a minha mãe para trás, independentemente de tudo – confessou – Mas por agora preciso de uns dias longe e sei que a minha mãe também precisa de algum tempo para descansar de toda esta história. Ela concordou que eu fosse. E quero aproveitar para conhecer um pouco mais o meu pai, a minha madrasta, os meus irmãos. Até a Anna lá está – disse, sorrindo levemente

- E o Jackson também está em Los Angeles! – Henry disse e Brittany olhou-o, confusa com a razão daquela afirmação – Vá lá, Britt, eu não sou parvo! Vocês até podem continuar a dizer que são apenas amigos mas basta passar uns minutos com vocês, basta ver os olhares, basta ver como falas dele! – Henry esclareceu

- Henry… - Brittany começou mas o rapaz abanou a cabeça, impedindo-a de continuar

- Por muito que eu goste de ti, não posso continuar com isto. Talvez as pessoas tenham razão e nós sejamos realmente diferentes. Acho que a nossa relação acabou no dia em que demos um tempo, ambos sabemos isso. Não vou guardar ressentimentos, apesar de não te dizer que podemos ficar os melhores amigos. Há muita coisa a separar-nos e não é só a idade. Acho que está na altura de seguirmos com a nossa vida, Brittany – dito isto, o rapaz levantou-se e dirigiu-se à porta de saída

- Desculpa, Henry – Brittany murmurou – E obrigada por tudo!

Henry saiu deixando-a ali de pé. Depois, Brittany suspirou e subiu as escadas, começando a preparar algumas coisa de que precisava para a viagem. Dali a umas horas estaria novamente rumo a Los Angeles.

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Boa tarde! Aqui fica mais um capítulo e eu espero que vocês gostem :) A história já não está muito longe do fim, mas ainda faltam algumas coisinhas antes que tudo termine! O que acharam deste capítulo, gostaram?

Fiquem bem e até ao próximo capítulo :)

 

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